Maratona · 09 mar, 2004
A Maratona de Boston, nos Estados Unidos, é a mais antiga competição do gênero da história. A primeira edição desta aconteceu em 1897 com apenas 15 corredores, todos eles homens.
Até hoje a Maratona é realizada no dia 19 de abril, feriado local. Mas a primeira mulher que participou da prova foi no ano de 1966. E o mais curioso que para disputar a Maratona de Boston, Roberta Gibb, se passou por homem.
Isto porque naquela época as mulheres não podiam competir, já que os organizadores alegavam que elas não tinham capacidade para correr. No entanto Roberta Gibb provou o contrário.
A atleta, vestida de homem, fez a inscrição da prova com o nome de Bob Gibb. E participou da maratona sem que ninguém percebesse que era mulher. No final ela concluiu a prova no tempo extra-oficial de 3:21:40 e revelou sua verdadeira identidade.
A partir de então os organizadores permitiram a participação das mulheres na Maratona de Boston. Porém até o ano de 1972 as corredoras não eram reconhecidas oficialmente. E a primeira campeã oficial da prova foi Nina Kuscsik.
O atual recorde feminino da competição é da queniana Margaret Okayo. Ela completou o percurso com a marca de 2:20:43 no ano de 2002.
Mulheres · 09 mar, 2004
Treinadoras ganham respeito aliando competência e profissionalismo à sensibilidade feminina. Confira.
EXCLUSIVO, Os Jogos Olímpicos da era moderna existem desde 1896, mas as mulheres puderam participar somente a partir da segunda edição, em 1900. Desde então, a luta do sexo feminino para conquistar espaço no universo esportivo tem sido repleta de vitórias. As atletas, cada dia mais, têm o valor reconhecido e os méritos recompensados. No atletismo, ganham terreno. Não querem tomar o espaço dos homens, mas estar lado a lado, com deveres e direitos iguais. E não é só na linha de chegada ou no pódio que os triunfos das mulheres são registrados. Nos bastidores, as treinadoras mostram competência, dedicação, profissionalismo e resultados. O diferencial é o charme e a sensibilidade característicos do chamado sexo frágil.
A hegemonia no comando do atletismo ainda é masculina. Mas, aos poucos, as mulheres quebram barreiras. As técnicas garantem que não se trata de nenhuma Guerra dos Sexos. É uma conquista de espaço no mercado de trabalho, igual a que acontece em outros setores profissionais. No esporte em geral, as conquistas dentro daspistas, quadras e piscinas salta aos olhos e um termômetro é a presença nos Jogos Olímpicos. Elas representavam 1,4% dos atletas em Paris/1900. Em Atlanta/96 eram 35% do total, porcentagem que chegou a 37% em Sydney/2000.
A treinadora Camila Hirsch, do Grupo Esportivo Personal Life, que também corre maratonas, lembra como a presença feminina em competições ainda era uma surpresa, mesmo nos anos 90. Faz 10 anos desde que comecei a praticar corrida e triathlon. Nesta fase, lembro-me de que nas provas em que participava, principalmente corridas, não havia muitas mulheres. Inclusive, os homens, além de motivarem a gente durante as provas, ficavam, muitas vezes, surpresos com a nossa participação. O problema era quando nosso desempenho era melhor do que o deles. Alguns não se conformavam. As pessoas, de um modo em geral, sempre acharam que esporte era quase que exclusivamente masculino. Continua
Postura profissional. Não levar em conta a maior concorrência masculina. Estar sempre atualizada e bem preparada para a função. Estas são as dicas que guiam o trabalho das mais conceituadas técnicas de corrida do país. Elas já enfrentaram momentos difíceis e souberam driblar o preconceito com determinação. Provando, em cada treino e competição, que podem obter resultados. A técnica Silvana Cole, há 18 anos atuando no mercado, lembra que quebrar barreiras não é simples. O meio do atletismo era totalmente masculino, acho que sou uma das poucas mulheres que tiveram coragem de encarar o desafio nos anos 80. Lembro que uma vez que, no Campeonato Brasileiro, quase fui impedida de colocar uma atleta na competição. Eu estava começando como treinadora, estávamos em transição de clube e ninguém me conhecia. Mas a CBAt enviou um telex autorizando-a a participar pela Confederação e ficou tudo bem. Se eu fosse conhecida, esse tipo de coisa seria resolvida politicamente, lá mesmo, na competição.
Atualmente, a situação é mais amena. Mas ainda não se pode dizer que idéias pré-concebidas estejam extintas. Pelo olhar e pelas costas algumas vezes já aconteceu de eu sentir o preconceito, mas verbalmente, não. Isso pode ocorrer na primeira impressão, em um primeiro contato, logo após esse tipo de atitude é dissolvida, afirma a técnica Yara Coltro, que comanda a equipe Ironman e está envolvida com corrida há 22 anos.
A concorrência entre os profissionais na luta por fatias de mercado é acirrada, e não leva em conta o sexo, como conta Adriana Bentim de Argila, técnica da equipe VO2-Belgo. Como em todas as profissões a competição é grande, o preconceito existe mais com relação aos mais antigos, que não aceitam muito os mais novos, mas competência não tem sexo, ganhar espaço é difícil, mas é possível.
Muitas foram para os bastidores após encerrar a carreira de esportista, outras transformaram a paixão pela modalidade em profissão. Atualmente, elas ainda são minoria à frente de atletas. No entanto, a tendência ao longo dos anos é de que o número de homens e mulheres no esporte se equilibre. Segundo a Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo (ATC), das 60 equipes cadastradas, 11 são comandadas por mulheres e há pelo menos mais duas com profissionais atuando nestes grupos. A hegemonia masculina pode até existir, mas não estamos preocupadas com isso. O número de profissionais é maior, mas o contingente de corredores masculinos também. Portanto, gradativamente os espaços vão se ampliando. A minha perspectiva é de que as treinadoras consigam se colocar com trabalho diferenciado, demostrando seriedade profissional, comenta a treinadora Eliana Reinert, com 25 anos de experiência no atletismo.
A coordenadora técnica do Pão de Açúcar Club, Mônica Peralta, completa que a atuação dos dois sexos é o ideal para o sucesso da modalidade. Em todo trabalho a ser desenvolvido com crescimento, evolução e equilíbrio se faz importante a presença e participação da energia de ambas as partes. Para o consultor comercial Rodrigo Santa Rosa, que treina com a técnica Ana Paula Dutra, da Ação Total, a invasão das mulheres no treinamento de corrida só traz benefícios para os alunos.
Acredito exista espaço para todos, com certeza já existe um aumento de mulheres nessa modalidade e acaba sendo bom para os alunos, que terão mais opções para escolher. Continua
Entre as diferenças de treinadores para treinadoras, elas se definem como mais compreensivas e intuitivas, tendo capacidade de encarar as solicitações do aluno com mais naturalidade e paciência para situações que envolvem dores, frustração, adaptação e ansiedade. Tudo isso, além de serem mais sensíveis, o que a favorece na captação das sensações do atleta. As mulheres têm mais sensibilidade que os homens, por isso, geralmente captam os pequenos detalhes que fazem a grande diferença, explica Miriam Caldasso, atleta de corridas de fundo, meio fundo e cross country há 15 anos e que atua como técnica desde 2000.
O corredor Rodrigo comenta que encontrou no comando feminino a atenção que necessitava. No meu caso, devido ao excesso de peso, precisava de um acompanhamento constante e muita atenção. A Ana soube fazer isso com muita dedicação. Isso eu não tinha com o professor antigo. A mulher ouve mais do que o homem e consegue te passar confiança.
Qualidade para alguns. Defeito para outros. Se ajuda na relação treinadora-aluno, a sensibilidade pode transmitir uma imagem de fragilidade. Analisada por este ângulo, pode-se alegar que a mulher não é capaz de impor critérios ou exigir o cumprimento do treino. As treinadoras respondem a esse tipo de argumentação garantindo que podem ser uma mãe nos momentos difíceis, mas assumem o papel de general para cobrar disciplina e empenho, se necessário. Acho que uma das vantagens é que a mulher é mais delicada, sempre consegue dar um jeitinho nas coisas. A desvantagem, talvez, seja o fato de sermos vistas como seres mais frágeis. Mas nada que, com o tempo e muito profissionalismo, não se supere, confirma a técnica Ana Paula Dutra, da Ação Total Assessoria Esportiva.
Como minoria, as treinadores sentem a cobrança constante para mostrar a qualidade do trabalho. Somos muito mais sensíveis para perceber como e quando podemos tirar de nosso atleta aquele algo mais. Somos mais observadoras e pacientes. A desvantagem é que temos de estar provando constantemente que somos tão capazes quanto os homens. Não é o fato de não ter tamanho, músculos e falar mais fino que vai interferir em nossa capacidade, alfineta Silvana Cole. A técnica da equipe Básica Treinamento e Saúde complementa com um conselho às mulheres que querem abraçar a profissão. Só uma palavra tem a força para conquistar um lugar neste universo, ainda masculino, sem contestação: resultados.
Para o corredor Victor Domite Nicolau, aluno da técnica Camila Hirsch, as mulheres precisam ser mais ousadas para combater o preconceito. Falta atitude das mulheres como treinadoras. Existe preconceito porque poucas são ousadas e se colocam como treinadoras. A grande maioria das assessorias esportivas é comandada por homens, assim, como se ouve muito mais nomes de treinadores acredita-se naturalmente que os homens são mais competentes. No entanto já treinei com ambos os sexos e não há diferença quanto a qualidade profissional, o que há são tratamentos diferenciados. A mulher deixa a relação mais próxima, de amiga, o homem já é mais distante.
A maioria das treinadoras comanda mais homens que mulheres. Eles também são maioria enquanto corredores, apesar do aumento da participação feminina. De acordo com registro da Corredores Paulista Reunidos (Corpore), que conta com 5 mil associados, 23% são mulheres. Como as técnicas encaram a diferença entre os sexos na hora do trabalho? Mônica Peralta dá a receita: As mulheres são mais calmas. Boa parte delas não deixa transparecer a vontade de evoluir tecnicamente. Porém, são as que mais se preocupam com a perda de algum dia de treino. São mais preocupadas com a estética e também mais organizadas. No entanto, falam muito e o tempo todo. mas não deixam de ser competitivas nas provas. Já os homens se cobram mais quanto a resultados e melhoras técnicas e são mais sérios no desenvolvimento dos treinos específicos. Eles ou elas. No comando ou comandados. Consenso entre homens e mulheres é que fundamental é o comprometimento com o trabalho e a competência profissional.
Mulheres · 08 mar, 2004
Participação feminina em corridas de rua cresce a cada ano, mas ainda faltam resultados expressivos.
EXCLUSIVO, Pretinha da Paraíba, como gosta de ser chamada Ednalva Laureano da Silva, de 26 anos, é o melhor exemplo do crescimento da participação feminina que o Brasil vem assistindo no atletismo e nas corridas de rua. Não faz tanto tempo assim que essa pequena paraibana de Campina Grande, de 1,51m e 45 quilos, que ocupa lugar no pódio de várias competições nacionais, começou a correr. Isso ocorreu há apenas cinco anos.
O estímulo veio da premiação em dinheiro oferecida pelas provas de rua, após uma vitória na gincana da escola eu nem estudava lá, mas corri como representante e ganhei os dois quilômetros, comenta. O sucesso nas corridas fez Ednalva largar a atividade agrícola que exercia no sítio Geraldo, de Lagoa Nova, onde plantava batata e outros legumes.
A veterana Márcia Narloch, uma das mais experientes corredoras de rua do Brasil, não tem dúvida que a participação feminina nessas provas cresceu, embora isso não signifique melhoria de resultados. Aos 32 anos, a atleta da Mizuno, de 1,53m e 42 quilos, tem Ednalva e outras corredoras do mesmo nível capazes de brigar por um lugar no pódio. Hoje são verdadeiras ameaças nas provas de rua. De uns cinco anos para cá o nível do atletismo brasileiro nas provas de rua cresceu. Os prêmios para as mulheres ficaram mais próximos dos oferecidos nas competições masculinas e isso ajudou. As mulheres passaram a enxergar no atletismo uma possibilidade de profissionalização, avalia Márcia.
A atleta observa que há pouco menos de uma década eram apenas três ou quatro as garotas que largavam como favoritas. Hoje, temos dez ou mais meninas que podem brigar. Eu sei que posso ser a primeira ou a oitava.
Ednalva venceu, no fim de março, a 10ª edição da Corrida e Caminhada Contra o Câncer de Mama, em São Paulo, com largada e chegada no Parque do Ibirapuera. Correu os 10 quilômetros em 34min42, seguida por Márcia Narloch (35min05) e Adriana de Souza (35min47). Pela conquista, a atleta da Mizuno/São Paulo (que também correu com o apoio da Belgo) recebeu o prêmio de R$ 10 mil. A paraibana dedicou o título à mãe, Maria do Carmo, dizendo que era uma honra correr em defesa de uma causa feminina, a prevenção contra o câncer de mama.
O evento, organizado pela Yescom, marcou a abertura da série de provas da temporada, do ano passado, que terão o mesmo objetivo de divulgar a prevenção ao câncer de mama. O Câncer de Mama no Alvo da Moda (que tem como desenho o alvo azul) é o slogan do circuito. O montante arrecadado com inscrições, de R$ 110 mil em São Paulo, foi destinado ao IBCC, Instituto Brasileiro de Controle de Câncer. Continua
Ednalva acha que um dos marcos para o aumento da participação feminina nas corridas de ruas também foi o desempenho de Maria Zeferina Baldaia, com grande repercussão, na Corrida Internacional de São Silvestre em 2001. Mas ainda merecemos conquistar mais um pouco de espaço. A premiação, por exemplo, que na maioria das provas é para cinco corredoras poderia ser para as dez primeiras colocadas, ressalta Pretinha.
Zeferina, de 30 anos, 1,58m e 47 quilos, também atleta da Mizuno/São Paulo, concorda que houve um incremento na participação das mulheres, tanto na elite quanto de pessoas anônimas que adotam a corrida como recurso de qualidade de vida. Quando comecei a competir eram poucas as corredoras. Os prêmios para as provas feminina e masculina ficaram mais iguais e cresceu a participação das mulheres. Disse que sente orgulho por colaborar com isso ao vencer a São Silvestre. As mulheres vem me dizer que seguem meu exemplo. Na minha região, de Sertãozinho, tenho certeza que a procura de jovens pelo atletismo aumentou. Acha ainda que isso também está ligado à própria condição da mulher brasileira, mais independente.
Estatísticas precisas e globais sobre o crescimento da participação feminina em provas de rua não existem. Mas muitos números, além da observação das próprias atletas, confirmam isso. Na própria Corrida e Caminhada contra o Câncer de Mama, de público exclusivamente feminino, isso fica nítido. Na primeira edição, há dez anos, segundo dados da organização, foram 600 as inscritas. Este ano a prova recebeu 5 mil inscrições, 1 mil na corrida, 4 mil na caminhada, e mais cerca de 5 mil pessoas que se incorporaram ao longo do percurso. Na própria São Silvestre, uma participação que há alguns anos beirava as 500 inscrições já foi de 2.000 mulheres na última edição.
Estatísticas elaboradas pela Corredores Paulistas Reunidos (Corpore), criada há 21 anos, mostram que a participação feminina aumentou porque também cresceu, numa velocidade grande, os adeptos da corrida em ambos os sexos. Em 1997 eram 800 os associados da Corpore e 9.430 os participantes nas suas corridas. Fechou a temporada de 2002 com 5.000 associados e registrou uma presença de 41.373 pessoas nas provas.
Os últimos Jogos Olímpicos do milênio, em Sydney, em 2000, foram das mulheres, pelo menos para o Brasil. Em 19 esportes olímpicos, o Brasil levou 77 mulheres, recorde de participação num time com 230 atletas. Um terço da missão brasileira na Austrália, 33%, foi formado por mulheres. A nadadora Maria Lenk é a precursora, a primeira mulher brasileira a competir em uma Olimpíada, a de Los Angeles, em 1932 (nos 100m livre, 100m costas e 200 m peito). Também foi em Los Angeles, mas na edição de 1984, que a maratona teve uma representante brasileira, Eleonora Mendonça, pioneira, apesar do resultado inexpressivo. Continua
É inegável que o atletismo feminino nacional apresentou um grande crescimento, mesmo nas provas de fundo, nos últimos 25 anos. Mas foram os anos 80 e 90, apesar da pequena quantidade de corredoras, que apresentaram os melhores resultados técnicos. O recorde sul-americano da maratona, com o tempo de 2h27min41, ainda é da brasiliense Carmem de Oliveira, obtido em Boston, em abril de 1994. Além de Carmem, apenas Janet Mayal, em 1991 (2h31min27), Viviany Anderson, em 1997 (2h31min39) todas já abandonaram o atletismo e Márcia Narloch, em 1993 (2h32min23), correram a maratona em menos de 2h33. Desde 1997, portanto há cinco anos, o ranking das melhores de todos os tempos não conhece marcas mais significativas.
A primeira colocada do ranking de 2002, Maria Zeferina Baldaia, tem o tempo de 2h36min07, da Maratona de São Paulo. Marizete de Paula Rezende, vencedora da última São Silvestre, tem como melhor tempo da carreira 2h37min29, marca obtida na Maratona de Porto Alegre, em 2001.
Isso é verdade. Embora tenha havido um enorme crescimento na participação, o empobrecimento do resultado técnico também é uma realidade, observa Ricardo DÂngelo, treinador da BM&F Atletismo e que orientou Viviany Anderson. A estagnação e até o refluxo do nível técnico, no final dos anos 90, fica evidenciado pelas marcas. Ao procurar uma justificativa, o técnico entende que pode ser o caminho inverso ao que faziam atletas como Carmem de Oliveira, o traçado pelos atuais corredores de rua que reduzem a qualidade técnica. A Carmem era uma grande atleta de pista antes de ser uma corredora de rua. Fundistas como Zeferina ou Marizete começaram nas provas de rua. O excesso de competições, em busca dos prêmios, também pode ser um perigo se não for algo bem administrado, inclusive com comprometimento na longevidade das atletas, acentua DÂngelo.
Dos 30 atletas que foram aos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 1999, representando o Brasil, 14 eram mulheres, mas só duas competidoras de provas de fundo, Márcia Narloch, nos 10 mil metros, e Viviany Anderson, que trouxe a medalha de bronze na maratona.
Mas é a própria Marizete que acha que ainda está muito longe o dia em que as mulheres do Brasil poderão sonhar com um pódio olímpico ou até mesmo brigar por posições no pelotão dianteiro. Apesar do crescimento, nós ainda temos de melhorar demais para atingir o melhor nível internacional. Marizete tem razão. A britânica Paula Radcliffe, detentora do recorde mundial da maratona, tem o tempo de 2h17min18, feito em 2002, em Chicago. Dominado por japonesas, com a presença de algumas chinesas e africanas, o ranking da Associação Internacional de Federações de Atletismo (Iaaf) tem pelo menos duas dúzias de atletas que correm hoje abaixo das 2h33min.
Mesmo nos 10 mil metros, o recorde sul-americano, com larga vantagem, ainda é de Carmem de Oliveira, de 1993, com o tempo de 31min47. Ednalva, a primeira de 2002, tem 33min16, seguida no ranking por Zeferina, com 33min32. As duas primeiras medalhas brasileiras ganhas por mulheres em mundiais ou olimpíadas no atletismo foram as do Mundial de Kingston, na categoria juvenil, em 2002, conquistadas por Keila da Costa, no salto triplo, e de Juliana Azevedo, nos 800 metros.Continua
O enorme crescimento da presença de mulheres nas corridas também vem de adeptas que não visam competir em Jogos Pan-Americanos ou Olímpicos. Da corredora anônima Ângela Ruiz Soares vem a confirmação sobre o incremento da presença feminina. Se não formos rápidas, as vagas nas inscrições para as corridas da Corpore acabam, de tão grande é a procura, observa. Professora aposentada, Ângela tem 54 anos e corre desde os 32, quando chegou a São Paulo vinda do Rio de Janeiro e já decidida a morar perto do Parque do Ibirapuera. Sempre gostou de esportes. Fez educação física no colégio, foi nadadora no Vasco, mas foi em uma academia, a conselho de um professor, que conheceu e se apaixonou pela corrida.
Está em São Paulo há 16 anos e recorda-se que nem mesmo os homens corriam quando começou a ir ao Ibirapuera. Mesmo assim, os primeiros grupos de corrida que se formaram no parque eram bem mais masculinos do que os que existem hoje. Sob orientação do professor Vanderlei Severiano, o Branca, Ângela pertence a uma turma da luluzinha que adotou a corrida. Fazemos amizades, ficamos bem fisicamente e melhoramos a auto-estima correndo. Por isso, acho que cresce tanto a presença das mulheres nas corridas, observa a avó, de 1,59m e 58 quilos, que tem no currículo nada menos que nove participações na Maratona de Nova York, uma das mais tradicionais do mundo.
Maria Geralda de Souza Oliveira, a Ge, de 34 anos, do mesmo grupo de Ângela, corre há sete anos. Tem de conciliar a atividade física com o seu trabalho de confeiteira para o Figueira Rubayat e para festas. Adotou a corrida em um momento ruim da vida, de separação conjugal e perda do pai. Primeiro começou a caminhar enquanto a filha fazia aulas de ginástica. Daí, a correr, foi uma mudança rápida, quando conheceu o professor Branca, no Ibirapuera. Não parei nunca mais. Fiz amigos, fiquei bem. Para mim a atividade física é uma terapia. Quando estou triste saio para dar uma corrida e fico bem, volto com sensação de prazer. A corrida deixa você com você, dá liberdade de escolha. Eu recomendo para quem precisa de terapia.
Ge acha que, mesmo tendo como parâmetro, os últimos sete anos, cresceu a presença das mulheres nas corridas, nos parques onde treina e nas competições que faz também. Antigamente, o grupo era formado por homens, mas hoje a maior parte da nossa turma é mulher. Ge, de 1,68m e 62 quilos, já correu três edições da Maratona de São Paulo e é elogiada pelas amigas de corrida por ser rápida. Confessa que, além de correr, gosta de brigar para ir ao pódio em sua categoria, dos 30 aos 35 anos. Tenho dois pódios da Corrida contra o Câncer de Mama, comenta.
Tanto Ge, quanto Ângela, observam, no entanto, que a corrida exige disciplina e cuidado contra as lesões. O exagero pode causar problemas para os tendões, os joelhos e isso é ruim.
Mulheres · 08 mar, 2004
O Dia Internacional da Mulher não é comemorado no oito de março por acaso. Essa data é um marco histórico que firma a luta feminina por oportunidade e igualdade de direitos. Leia e saiba mais.
São Paulo - Atualmente algumas pessoas acham que o Dia Internacional da Mulher, oito de março, não deveria existir. Isto porque as mulheres, cada vez mais, estão exercendo os mesmos papéis dos homens. Alguns até falam que os homens também deveriam ter um dia especial.
Mas esse dia tem um propósito que vai muito além da diferença entre o homem e a mulher. Oito de março não é um data aleatória que feministas escolheram para comemorarem algumas conquistas, como o direito de voto. A data tem uma razão histórica.
História - No dia oito de março de 1857, em Nova York, nos Estados Unidos, um grupo de operárias de uma fábrica de tecidos reivindicaram alguns direitos. Elas pediram ao patrão a diminuição da jornada de trabalho, de 14 para 10 horas e licença a maternidade.
Como protesto as trabalhadoras invadiram a fábrica, porém, um incêndio duvidoso aconteceu durante a greve e 129 operárias morreram queimadas, porque as portas da fábrica estavam fechadas.
Desde então a data foi um marco para as trabalhadoras que passaram a simbolizar no oito de março a luta pela a igualdade. E só em 1975 esta data foi oficializada pela a Organização Mundial das Nações Unidas.
Desigualdade - Até hoje a desigualdade social entre homens e mulheres existe. É claro que essa diferença ficou menos perceptível, já que a mulher vai ao trabalho, sustenta uma família, vota e faz parte até do governo.
Mas no esporte, por exemplo, o prêmio feminino em algumas provas mais amadoras ainda é menor do que o prêmio masculino. E por esse e outros motivos que a luta da mulher pela a igualdade continua, logo o Dia Internacional da Mulher tem que ser lembrado.
Alimentação · 17 jun, 2026
Saúde · 17 jun, 2026
Atletismo · 17 jun, 2026