Caminhada · 13 dez, 2007
Infelizmente, volto constrangido ao assunto doping. Em setembro, após o Pan, escrevi: Ganhamos o Pan, foram raros os casos de doping. O que falar neste momento? Realmente temos a obrigação de tentar esclarecer o que aconteceu! Suspeita quase confirmada de doping no Pan e justo de uma atleta da natação brasileira, ganhadora de medalhas de ouro.
O caso ainda está sob júdice na polícia civil do Rio de Janeiro, pela descoberta de que a urina investigada, que normalmente é dividida em dois frascos numerados aleatoriamente no momento da coleta, era na verdade de diferentes pessoas (isto pelo DNA) ainda não identificadas. Existindo então suspeita de troca da urina examinada.
Do ponto de vista técnico e para melhor entendimento vamos explicar aos leitores que a coleta é feita com o atleta despido e seu sombra, a pessoa designada para acompanhá-lo o tempo todo. Durante o processo deve-se observar a micção em todos os seus detalhes (principalmente anatômicos), para evitar a troca por urina de terceiros trazida num frasco escondido na vestimenta do atleta.
Neste fim de ano, ainda tivemos o desprazer de saber que mais um dos nossos, agora um atleta paraolímpico, também teve seu exame de detecção de doping positivo. Jogadores de futebol desconhecidos e famosos também foram pegos no antidoping! O que está acontecendo? Será que acham que somos idiotas?
A Medicina mundial e brasileira não é mais bobinha, que se encolhe com medo dos famosos. Acabar com o doping e seus executores é o mesmo que esperar acabar com os bandidos. No futuro teme-se o doping genético, mas vamos continuar na luta. As polêmicas continuam e pelas notícias vão continuar.
Vemos atletas que confessam seus crimes de dopagem depois de anos, então, vamos confiar nos controles que também se aperfeiçoam diariamente. Não posso deixar de afirmar minha confiança no Dr Eduardo H. de Rose, um dos maiores especialistas em Medicina do Esporte e responsável maior, pelo controle antidoping no Pan e recentemente homenageado pela WADA (Agência Mundial de Controle Antidoping) por sua seriedade e conhecimento do assunto.
Saibam que de acordo com o conhecimento médico/científico ninguém cresce de altura e envergadura naturalmente, só fazendo exercícios. O aumento exagerado do tamanho da massa muscular, aos olhos clínicos de um especialista, quase que sinaliza o uso de alguma substância poderosa. A constatação de que os esteróides anabolizantes detectados nos exames antidoping de atletas, quase que em sua totalidade é de origem artificial, isto é, não produzido pelo próprio organismo do atleta, confirma a má fé existente.
Atletismo · 09 out, 2007
Recorrente e fenômeno de mídia globalizada, as mortes de jovens aparentemente saudáveis durante atividades esportivas profissionais ou mesmo amadoras de lazer são um triste paradoxo. A pergunta por que aconteceu? se estende a eventos científicos diversos, onde tenta-se explicar o surpreendente episódio. Detalhada metanálise foi publicada pelo Comitê Olímpico Internacional, com sede em Lausanne, Suíça, e seus dados indicaram que de 1966 a 2004 foram relatadas 1.101 mortes súbitas de jovens atletas com menos de 35 anos, numa média de 29 por ano. Essas mortes relatadas foram mais freqüentes no futebol e basquete.
A incidência de cardiopatias benignas ou de potencial maligno, catalogados em mais de 30 anos de avaliações de atletas de variadas modalidades esportivas, desde adolescentes a veteranos idosos no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, nos mostra um retrato que poderia explicar os eventos fatais no esporte. As anormalidades encontradas nas crianças e adolescentes variaram de 17,7% a 21 %, e em atletas em atividade, amadores e profissionais até 35 anos foi de 8,2 % . Seguramente, a avaliação médica de pré-participação deve ser obrigatória, sendo um competente marcador de risco dos possíveis problemas cardiovasculares na prática físico/ esportiva. Entretanto, esse exame não é um certificado de segurança total e a decisão do afastamento de atletas, seja temporária ou definitiva, tem que ser colegiada.
Adicionalmente, as situações que podemos chamar de confusões ou exageros ético-científicos, como as adaptações fisiológicas extremas consideradas em princípio cardiopatias, levam a traumas psicológicos e sociais de penosa reversão, ou o fato inverso de cardiopatias confundidas com adaptações. A conduta deve ser individualizada e não devemos poupar exames, enquanto não tivermos certeza do diagnóstico.
Discussões e polêmicas a respeito de liberação ou não para a prática de esporte profissional não irão deixar de existir. A proteção do paciente-atleta e respeito ao profissional médico são os pilares dessa área de trabalho, como em qualquer outra área da medicina. Por isso toda e qualquer decisão polêmica deve ter o respaldo de uma junta médica experiente.
A avaliação clínica detalhada e rotineira de pré-participação para atletas é a única maneira de minimizar o risco da morte súbita, que continuará a ocorrer sem dúvida, entretanto, em muito menor quantidade. Como pela fisiopatologia e epidemiologia, a morte súbita no esporte tem na cardiopatia a sua principal causa (90%) e seu evento mais freqüente (85%) a fibrilação ventricular, é obrigatório termos equipes treinadas no suporte básico da vida, além de desfibriladores semi-automáticos em TODOS os eventos esportivos. Estas são as condições imprescindíveis e mínimas para permitir um gerenciamento ético do risco da morte súbita em atletas.
Atletismo · 11 jun, 2007
Os atletas brasileiros que vão participar dos Jogos Pan-americanos do Rio passam por exames médicos em São Paulo. Pela primeira vez o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) ofereceu esse tipo de serviço para os atletas. Os exames são realizados pelo Sports Check-up do Hospital do Coração e até agora 300 pessoas já foram avaliadas.
De acordo com o hospital, os resultados desses exames impressionaram a equipe médica dirigida pelo Dr. Gilberto Camanho e coordenada pelo Dr. Nabil Ghorayeb. Isto porque, muitos atletas não estavam com a saúde em dia.
Segundo Dr. Nabil Ghorayeb, mais de 40% dos atletas nunca haviam realizado exames clínicos e boa parte destes não tinham noção de alimentação adequada. Ainda segundo o cardiologista, muitos ingeriam grande quantidade de carne acreditando que era a única fonte de energia, mas o excesso de proteína pode prejudicar aqueles que precisam de potência e velocidade no esporte.
Além disso, as avaliações constaram que das 300 pessoas: 7,6% tinham colesterol alto; 2% apresentaram algum problema cardíaco; 6% apresentaram parasitoses; 10% tem prolapso da válvula mitral (anormalidade cardíaca valvar benigna e comum); 15% alimentavam-se de forma incorreta e 4% apresentaram hemangioma (espécie de acúmulo de veias que se forma no fígado).
Em relação à verminose, Dr. Nabil acredita que este fator se explica pelo deficiente saneamento básico em muitas localidades no país. Problemas como infecções dentárias, na tireóide e no fígado, também foram detectados durante os exames. O fator mais preocupante foi dos atletas que apresentaram problemas cardíacos. Mas esses realizaram o tratamento em tempo hábil e já estão liberados para o Pan.
Atletismo · 06 jun, 2007
Essa idade é sempre lembrada como o início da vida, ou o começar a curtir os ganhos. Eu mesmo marquei essa data como o começo da desaceleração profissional (tentei reduzir as habituais 12 a 14 horas/dia de trabalho médico).
Mas por que essa idade? A resposta está no início do processo de diminuição natural das reações bioquímicas, que determinam progressiva lentidão no funcionamento metabólico do organismo. Certas doenças crônicas, como as cardiovasculares, têm o seu aparecimento clínico em geral ao redor dessa faixa etária dos 40 anos. Aí é que a Medicina, clássica e séria, tenta intervir nesses fenômenos biológicos.
Em primeiro lugar esqueçam as douradas promessas de juventude eterna com substâncias especiais (hormônios, pílulas de cactos e outras baboseiras como dietas do tipo sanguíneo, etc.) que melhoram apenas as contas dos doutores do rejuvenescimento. Procurar a vivência plena é poder usufruir todas as condições associadas à satisfação do viver na ausência de doença. Buscar a vida ativa, equilíbrio familiar, profissional e emocional e uma alimentação adequada são os objetivos. Vamos esclarecer e orientar para uma vida ativa.
Avaliar o estado de seu organismo, procurando as doenças que costumam se manifestar a partir dessa idade com o básico: consulta cardiológica, exames dos níveis sanguíneos de glicose e das gorduras, do funcionamento do fígado, rins e da tireóide e um teste ergométrico feito por um cardiologista (que analisará o comportamento do coração e as variações da freqüência cardíaca e da pressão arterial, dos pulmões e todas as modificações do eletrocardiograma). Pronto, resolvida essa questão, qual a melhor atividade física? Corridas de rua, academia, atividades no clube/condomínio, parques?
O melhor é aquilo que você está habituado a praticar ou que faz sentir-se confortável, com prazer e bem-estar. Cada um de nós tem habilidades inatas, procure conhecê-las e as use para a escolha da sua atividade física. Esportes competitivos devem ter uma abordagem mais detalhada, um educador físico que oriente sobre os fundamentos daquele esporte, seja corrida, natação, tênis ou outro qualquer.
Mas o importante no esporte ou na atividade física de lazer, é que esta seja feita dentro dos limites fisiológicos que seu médico avaliou. A segurança e os benefícios devem estar juntos nesse objetivo do Bem Viver, antes, durante e depois do 40 anos.
Atletismo · 01 jun, 2007
Na noite da última quinta-feira (31) o cardiologista Dr. Nabil Gorayeb ministrou uma palestra na academia competition com o tema Ninguém Morre de Véspera. Ele abordou diversos assuntos relacionados à saúde das pessoas e ressaltou as desvantagens do sedentarismo.
Para ilustrar o dia a dia corrido ele mostrou uma imagem de um grupo de executivos sentado numa escadaria comendo sanduíche com refrigerante. Segundo o doutor, a maior incidência de mortes no mundo está relacionada ao infarto do miocárdio, sendo que 51% dos casos é conseqüência de maus hábitos alimentares.
De forma didática e bem humorada ele explicou que qualidade de vida pode ser entendida como a satisfação de viver na ausência de doença. Para que haja uma qualidade de vida, são diversos os fatores que influenciam, como alimentação correta e bom relacionamento familiar.
Alimentos - No âmbito alimentício alertou sobre o sal, amplamente utilizado como tempero em saladas e outros alimentos e que influencia no aumento da pressão arterial. O limite para o corpo humano é de dois gramas por dia, mas comemos em geral 10. Como alternativa Dr. Nabil recomenda que sejam usadas ervas ou mesmo alguns tipos de pimenta, mas é necessário tomar cuidado com o shoyo, molho de soja típico oriental que contém muito sódio em sua composição.
Outro assunto discutido foi a questão do colesterol, visto por muitos como um grande vilão para o coração e presente no organismo de duas formas: o HDL (colesterol bom) e o LDL (colesterol ruim). O primeiro é formado no fígado, enquanto o segundo é proveniente dos alimentos que consumimos. Se a pessoa tem colesterol alto, é necessário identificar de onde ele vem. Se for do fígado o controle é com remédios, se for dos alimentos, uma redução de peso pode diminuir o teor entre cinco e 10%.
Já a questão das gorduras, amplamente discutidas ultimamente, Dr. Nabil explica a famosa gordura trans, tão temida pelas pessoas. São gorduras modificadas para deixar o sabor dos alimentos melhor, como os biscoitos recheados, por exemplo, e faz aumentar o colesterol ruim. Ainda segundo o cardiologista, a ingestão de duas gramas dessa gordura é o limite que pode ser consumido diariamente, para evitar que o organismo não consiga processar.
Ele ressalta que não adianta ter uma alimentação saudável, sem gorduras e com níveis de colesterol controlados, se o indivíduo ingere álcool diariamente, como uma cervejinha no happy hour com os amigos, ou mesmo a famosa taça de vinho que os médicos recomendam. O problema é que as pessoas nunca ficam em apenas uma taça. Em vez de vinho, dois copos de suco de uva fazem o mesmo efeito, ressalta.
Para ajudar a queimar, nada melhor do que praticar exercícios regulares, como caminhadas e outros exercícios aeróbicos. Lipoaspiração não resolve o problema, pois é só estética, não tira a gordura interna, alerta o médico. Ele também comentou sobre os Vigilantes do Peso, grupo que auxilia pessoas a perderem peso. É interessante como programa de auto-ajuda e para quem já está sendo orientado, pois geralmente é um grupo muito heterogêneo e cada um tem um problema diferente.
Além de uma educação alimentar e da prática de exercícios físicos regulares, outro fator que deve ser levado em conta para uma boa qualidade de vida é cortar o cigarro. Se o mundo todo parasse de fumar hoje, haveria uma redução de 33% nos casos de infarto. Cada cigarro diminui a vida do fumante em cinco minutos e meio, alerta.
Se a pessoa não pratica exercícios, é considerada sedentária e diversos fatores fazem aumentar esse problema no mundo. As novas tecnologias e facilidades e os confortos do dia a dia, como controles remotos, máquinas automáticas para lavar roupa e louça, são agravantes. Na população de São Paulo temos 70% de sedentários, afirma o Dr. Nabil, enquanto mostra uma imagem da fachada de uma academia de ginástica com uma escada rolante para os alunos subirem.
Benefícios - Quanto maior a preguiça, maior o cansaço e menor a vontade de se fazer uma atividade física, comenta. Segundo ele, num estudo feito com atividades domésticas, ficou comprovado que ao limpar a casa há um gasto de 235 calorias entre as mulheres, 250 entre os homens e lavar a roupa 155 para as mulheres e 165 para os homens.
Entre os benefícios do exercício estão a melhora do humor, uma maior aptidão física, um menor risco de doença e menos chances de isolamento social. Qualquer atividade saudável precisa ser confortável e trazer bem estar, lembra o palestrante. Mas ele ressalta que o ideal é praticar exercícios entre três e cinco vezes na semana, sem exageros, pois apenas atletas profissionais podem treinar todos os dias.
O esporte libera a endorfina, substância que contém os hormônios do bem estar, comenta. Ainda segundo o doutor, o ideal é que cada um gaste 2.200 calorias por semana, mas sempre com o cuidado para não cometer exageros e sempre com o consentimento médico.
Para aqueles que dizem não ter tempo, mas certamente guardam uma parte do dia para a relação sexual, o Dr. Nabil diz que já é um começo. Na relação sexual perde-se de três a 10 calorias por minuto. Na corrida e na natação, por exemplo, há um gasto de 12 a 14 calorias por minuto.
Ele encerrou a palestra enfatizando novamente que ninguém morre de véspera, o que existem são doenças prévias não identificadas. Ainda de acordo com o médico, é estritamente necessária uma avaliação cardiovascular para prevenir problemas e um pronto atendimento para salvar uma vida em caso de emergência.
Luis Carlos Teixeira foi um dos presentes que mais fez perguntas para o Dr. Nabil e, ao final, avaliou a palestra como excelente. Foi bem abrangente na área físico alimentar e o conteúdo bem direcionado para os praticantes de corrida. Já o professor de educação física Alexandre Sugawara, também aprovou a palestra e dá uma sugestão. Esse tema poderia ser mais divulgado para profissionais da área, para aprofundar melhor o assunto.
Quem não teve a oportunidade de assistir à palestra, ou aqueles que quiserem saber um pouco mais sobre os assuntos abordados, pode adquirir o livro do Dr. Nabyl Ninguém Morre de Véspera, disponível nas principais livrarias e lojas especializadas em corrida, sob o valor médio de R$ 30.
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