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Sipho Ngomane vence a Comrades Marathon

Ultra Maratona · 16 jun, 2005

Sipho Ngomane venceu hoje a 80ª Comrades Marathon, prova de 89 Km realizada na África do Sul. A vitória do jovem atleta de 23 anos se deu em sua estréia na competição que esse ano foi em “downhill”, partindo de Pietermaritzburg e terminando em Durban, percurso que o atleta concluiu em 5h:27min:10.

O segundo colocado foi o russo Oleg Kharitonov, seguido por Andrew Kelehe. Completaram o pódio Vladimir Kotov e Fusi Nhlapo, quarto e quinto colocado, respectivamente.

No feminino as russas dominaram a competição, colocando quatro atletas nas cinco primeiras posições, inclusive, a campeã Tatiana Zhirkova, com a marca de 5:58:50.

Top Five Masculino:

1 Sipho Ngomane África do Sul 05:27:10
2 Oleg Kharitonov Russia 05:29:15
3 Andrew Kelehe África do Sul 05:31:44
4 Vladimir Kotov África do Sul 05:33:59
5 Fusi Nhlapo África do Sul 05:39:01

Top Five Feminino:

1 Tatiana Zhirkova Russia 05:58:50
2 Olesya Nurgalieva Russia 06:10:39
3 Elena Nurgalieva Russia 06:12:18
4 Farwa Mentoor África do Sul 06:19:20
5 Marina Bychkova Russia 06:19:29

Edição histórica da Comrades terá 14 mil participantes

Ultra Maratona · 09 jun, 2005

Este ano a Comrades Marathon está em festa. Isto porque, a principal ultramaratona mundial completa 80 anos de existência. A competição acontece na África do Sul, no feriado nacional de 16 de junho e anualmente seu percurso de 89 quilômetros tem inversão de sentido.

Esse ano a prova é mais “fácil”, pois será em “downhill”, partindo de Pietermaritzburg e terminando em Durban.

Para ganhar a valiosa e merecida medalha os 14 mil inscritos desta edição devem concluir o difícil percurso (de longos aclives e declives) em até 11h59min59s.

Minha Prova: Comrades 2004 relato de um atleta

Participar da mais tradicional corrida do mundo, a Comrades, não é uma tarefa fácil. E um dos brasileiros que fizeram parte da 79º edição da prova sul-africana, que aconteceu no dia 16 de junho, conta a experiência dele nessa corrida tão desafiadora. Sebastião de Araújo Costa Júnior é o personagem dessa história. Ele dedica esse relato “para todos aqueles que, mesmo me chamando de louco, nunca me negaram apoio e incentivo” e também pra os internautas do WebRun. Confira.


EXCLUSIVO, de São Paulo- Como diria o Washington Olivetto, a primeira Comrades a gente nunca esquece!

Numa tarde de domingo de agosto do ano passado, jogava conversa fora com o Jair Ferrari (amigo do peito, de longa data e das horas boas e ruins) quando ele soltou o seguinte comentário/desafio: “O Sr. Bush completou a Comrades em 11:58. Acho que dá para nós fazermos a prova. Vamos?”. Na hora, não respondi. Preferi consultar as bases (Sonia, minha mulher, eterna namorada e responsável pelo que sou e consegui nos últimos 31 anos). Ainda naquela semana, a resposta: “Jair, se você for, eu também vou!”.

Conversamos com nossos técnicos (ele com a Suely Braz, da Antílope e eu com o Danilo Balu, da Ação Total). Fiz novo ergoespirométrico com o Dr. TB do CEMAFE e uma consulta com a Sandra Ribeiro, nutricionista que havia assessorado o grupo que fez a prova em 1.999. Tudo em ordem, começamos os treinos com aumento lento e gradual do volume, dieta com sete refeições por dia e musculação, muita musculação.

Em fevereiro deste ano, fizemos, juntamente com o Edy Skall da Ação Total, a Super Maratona de Rio Grande / RS, com seus 50km e um vento contra de dar saudades da subida da Biologia na USP. Na volta, decidimos nos incorporar ao grupo que estava treinando para a Comrades sob a orientação do Prof. Branca (Branca Fitness). O volume de treinos aumentou consideravelmente (os longos passaram a ser de, no mínimo, 30km) e uma novidade. Aprender a correr e caminhar. Conforme me disse um dia o Alfredo Donadio (Corpore), na Comrades se corre, mas também se anda e é preciso que seja rápido.

Treino- Cumprindo a programação e as orientações do Branca fomos para Amparo enfrentar a dificílima Maratona das Águas. E com ela veio o primeiro susto. Aquela dorzinha que todo corredor tem e acha que vai passar, acabou pegando forte no meu joelho esquerdo e eu simplesmente não conseguia correr nas descidas após os 30 km. Terminei a prova correndo e caminhando em 4:36 e com uma séria dúvida, será que vai dar?

Consultei o Dr. Alfonso Apostólico (ortopedista dos melhores) e veio a triste constatação: “a contusão é séria e se você não cuidar, esqueça a Comrades”. Conversei de novo com o Branca (sempre ele!), reduzimos o ritmo dos treinos por duas semanas e comecei longas e chatíssimas sessões de fisioterapia. E tome aplicação de gelo em casa e no escritório.

O próximo passo foi o treino de 60 km, nas Rodovias Trabalhadores e Carvalho Pinto. Sob o sol de rachar e com subidas e descidas que não sentimos de carro, fui bem até o 35º km, mais ou menos. E lá estavam de volta a dor no joelho esquerdo e o travamento do movimento da perna nas descidas. Para não agravar a situação decidimos parar o treino nos 40km e continuar com a dúvida. Será que vai dar?

Recuperado, partimos para nova tentativa dos 60 km, aproveitando a estrutura da Maratona de São Paulo, no dia 02/05. Começamos a correr duas horas antes no Parque do Ibirapuera e, quando foi dada a largada oficial da prova, entramos no final do pelotão, já com aproximadamente 18 km nas costas. Felizmente, deu tudo certo e completei o treino em 7 horas, sem dores, nem enjôos (este era um outro problema nas provas e treinos longos, mas a Sandra conseguiu resolver). Agora vai dar, tem que dar!

A viagem- E chegou o dia da viagem. Fiz escala de um dia em Johannesburg e aproveitei para conhecer um pouco da cidade e Soweto, local símbolo da luta pelo fim da segregação racial na África do Sul. As imagens guardadas em um museu e o que representa o Nélson Mandela para o povo sul africano são impressionantes. Certamente a falta dessa liderança incontestável causará uma comoção no País.

No dia 13/06 nos encontramos em Durban, local da largada da prova, que neste ano seria em subida, ou “up run”, como dizem por lá. Adauto de Paiva (cavalo puro sangue, novo recordista brasileiro da prova), Danilo Jabá (acreditem, cearence alto, forte, cadeirudo – bundão mesmo, existe e corre, como corre!), Nato Amaral (grande capitão da equipe e dono de um coração do tamanho de seus mais de 1,90m de altura) e Antenor Sakamoto (sem dúvida, o mais extrovertido de todos nós e sua incrível e exemplar família – Dona Rosa e suas filhas, Fernanda e Bina – ótimas companhias e apoio). Lá conheci o André Arruda, de Campinas (figuraça, com seu ótimo humor e sotaque caipira digno de Piracicaba!) e o Fiori (um bravo que superou a contusão no tendão de Aquiles e as dificuldades da prova) e suas respectivas esposas. Enfim, éramos 12 brazucas para enfrentar os 87 km da Comrades 2004, sete corredores e cinco pessoas no fundamental apoio.

Na segunda-feira, 14/06, fizemos de ônibus o reconhecimento do percurso e aproveitamos para aprender um pouco dos segredos da prova com o nosso guia, Peter e suas 24 Comrades nas costas e as seqüelas em seus dois joelhos. Minha primeira impressão não foi nada agradável, pois tudo me pareceu mais difícil do que imaginava. As subidas eram mais íngremes e as descidas mais longas do que pareciam no mapa com perfil altimétrico que pendurei em um quadro à frente da minha mesa de trabalho para memorizar e me acostumar com a idéia. Das recomendações do Peter, duas registrei e segui à risca: 1. Tenha sempre um plano “B”, para o caso de sua estratégia de prova falhar; e 2, se sentir cansaço, dores e vontade de desistir, descanse e alongue uns 30 minutos antes de embarcar no ônibus de resgate, pois a partir daí não há mais volta. Segundo ele, já cansou de ver atletas que 5 minutos após o resgate, constatam que poderiam retomar a prova, o que absolutamente não é permitido pelo regulamento. A sensação de arrependimento e de frustração ficam estampados no rosto de cada um!

Durante a viagem, visitamos o muro onde estão as placas que registram os atletas que já realizaram a prova e uma escola para crianças órfãs e deficientes que cantaram várias músicas em nossa homenagem. Para dizer pouco, foi uma grande lição de vida para todos nós.

De volta ao hotel, defini meus planos para a prova. Plano “A” – 7min/km, 10:15 no total e controle do tempo a cada 10 km. Plano “B” – 10:45, contando os 30’ para descanso e alongamento recomendados pelo Peter. Plano “C”, chegar dentro do limite das 12:00hs. Pedir resgate, nem pensar, só em último caso ... Fui dormir ouvido o ronco das reduzidas da caixa de câmbio do ônibus para vencer as subidas, principalmente as denominadas “Big Five”.

No dia anterior à prova, fomos pela última vez ao Pavilhão de Exposição, encomendamos a placa em homenagem ao Sr. Bush e, mais uma vez, almoçamos massa com molho napolitano e Alfredo (seis grandes porções, divididas em quatro brasileiros famintos). O Nato aproveitou para acertar um pequeno problema administrativo. Nosso uniforme tinha o logotipo da prova (outra homenagem ao Sr. Bush), o que não é permitido. Após uma conversa com o árbitro principal da prova, o uniforme foi liberado apenas para este ano.

Jantamos massa (de novo!), fizemos os últimos preparativos (números na camiseta, chip, etc) e fomos dormir cedo, todos preocupados com o Jabá, que estava com dores de garganta e febre. Acordei às 3h00, tomei um café reforçado e uma ligação para casa
(So, chegou o dia, estou indo!. A resposta não poderia ser melhor: tenha juízo, vá com calma, você tem 12 horas para fazer a prova. Um beijo).

Dia D- Fomos para a largada e antes de irmos cada um para a sua baia, nos abraçamos e combinamos nos encontrar, com saúde, no final da prova. Agradecemos a todos que nos apoiaram, gritamos BRASIL e fomos em frente.

Pontualmente às 5h30, ouvimos o galo cantar e o tiro de canhão que marcam o início da Comrades. Estava escuro, a temperatura baixa, mas agradável e muita gente torcendo e nos desejando boa sorte. Parte dos torcedores, é verdade, estava lá também para receber os agasalhos que os corredores, após a largada, jogam ao lado da estrada. Depois de alguns km, entreguei minha camiseta de manga comprida para uma senhora que, de mãos postas, agradeceu quase que de joelhos.

Corri “tranqüilo” até o km 30, onde cheguei cerca de 13 minutos antes do previsto e esta reserva de tempo foi importante para administrar o cansaço no final. Fui alcançado pela Stephany, amiga australiana do Nato que, pelas minhas contas, deveria estar bem à minha frente. Corremos e andamos alguns km juntos, mas como ela corria demais nas descidas, após a terceira, achei melhor deixá-la seguir do que arriscar a me machucar. Após alguns km., a encontrei novamente, mantendo um ritmo bem mais lento em função de enjôos. Completei a maratona em 4:25 e me sentindo muito bem, aí já intercalando corrida e caminhada nas subidas.

A organização da prova é excelente, com inúmeros postos de abastecimento com água, isotônico e coca cola, além de outros com batata, bolachas, banana e maçã e, principalmente, massagens (parei umas 3 vezes para aliviar os princípios de câimbras). A torcida é uma capítulo à parte. Presente em todo o percurso, estimula os corredores de maneira fantástica e, aos estrangeiros, dedica maior atenção, ora gritando o nome do seu País, ora agradecendo pela presença. E, mais uma vez, ouvir o canto das crianças da escola foi emocionante.

A partir de Inchanga (esta subida e os dois Poly Shorts, um pouco mais à frente, simplesmente não existem. Você aparentemente está no limite de suas forças e elas parecem não acabar nunca!), passei a somente andar nas subidas e a correr nos trechos planos (se é que existem!) e nas descidas. Lembro-me de, perto do km 70, ter feito 4´:40”/km em alguns trechos, sem saber de onde vinha a força para tal ritmo.

Faltando 5 km para a chegada, passei a carregar a bandeira do Brasil que meu filho Marco havia posto em minha bagagem. A entrada no estádio, com as pessoas batendo com as mãos nas placas e gritando “run, run,run ...” e “Brasil, Brasil ...”) é emocionante e indescritível. De lembrar, arrepia!

Quase 2.000 km de treinos depois, completei a Comrades, pela cronometragem oficial, em 10 horas e 16 minutos (no meu cronômetro, 10:13). Deu Plano “A”, na mosca!!!

Com muito orgulho, levantei a bandeira brasileira para a foto da Bina Sakamoto, recebi a medalha e fui comemorar com os demais que já haviam chegado. E todos ficamos aguardando e torcendo para que o Sakamoto chegasse há tempo de receber, também, sua medalha de bronze. Quando ele cruzou o último tapete abaixo de 11 horas, a festa foi total. Todos os brasileiros chegaram e conforme combinado na largada, com saúde.

Nossa equipe, como já mencionei, correu em homenagem ao Sr. Gustav Bush que, para todos os que o conheceram, foi um exemplo de pessoa e de atleta. Particularmente, corri pelos meus Pais (se estivessem por aqui, certamente estariam orgulhosos por eu ter completado a prova e participado da equipe brasileira); pelos meus filhos, Théo e Marco, ótimos meninos e que nos dão muitas alegrias; pelos meus sogros, que há pouco descobriram os benefícios e os prazeres da prática esportiva; pela minha irmã e meus sobrinhos; e pelo Jair que, em função de um tombo e uma fratura no pulso 15 dias antes da prova, não pode viajar conosco.

Agradecimentos- So, obrigado por tudo. Você correu comigo desde o primeiro treino até o último km da Comrades. Um beijo.

A todos os que aqui mencionei, aos meus amigos e parentes, muito obrigado pelo incentivo e pelo apoio que nunca me faltaram e que foram fundamentais para que eu chegasse lá. Branca, você e sua equipe foram demais, valeu!. Miguel e Edu, da High Jump, vocês também estiveram comigo. Milton Mizumoto, a reunião da equipe naquele sábado à tarde e suas recomendações foram decisivas. Obrigado.

Agradeço também aos meus sócios (Zé Paulo, João – obrigado pelas milhas – e Roberta) e colegas de escritório (Moutinho e Tranchesi Advogados) que me agüentaram falando dos treinos e da prova desde o ano passado, especialmente à Dona Giorgina e à Kita pelos lanches, Ana e Márcia pelas consultas médicas e controle dos horários.

A todos que sonham um dia participar de uma ultra maratona, essa é a prova. Jair, Alberto, Carlos Souto e Luiz, que apesar do esforço não puderam participar, não desanimem e retomem os treinos. O próximo ano será de vocês.

16 de junho de 2.004. A minha primeira Comrades jamais esquecerei.

Seba.


Minha Prova: Comrades 2004 relato de um atleta

Ultra Maratona · 30 jun, 2004

Participar da mais tradicional corrida do mundo, a Comrades, não é uma tarefa fácil. E um dos brasileiros que fizeram parte da 79º edição da prova sul-africana, que aconteceu no dia 16 de junho, conta a experiência dele nessa corrida tão desafiadora. Sebastião de Araújo Costa Júnior é o personagem dessa história. Ele dedica esse relato “para todos aqueles que, mesmo me chamando de louco, nunca me negaram apoio e incentivo” e também pra os internautas do WebRun. Confira.


EXCLUSIVO, de São Paulo- Como diria o Washington Olivetto, a primeira Comrades a gente nunca esquece!

Numa tarde de domingo de agosto do ano passado, jogava conversa fora com o Jair Ferrari (amigo do peito, de longa data e das horas boas e ruins) quando ele soltou o seguinte comentário/desafio: “O Sr. Bush completou a Comrades em 11:58. Acho que dá para nós fazermos a prova. Vamos?”. Na hora, não respondi. Preferi consultar as bases (Sonia, minha mulher, eterna namorada e responsável pelo que sou e consegui nos últimos 31 anos). Ainda naquela semana, a resposta: “Jair, se você for, eu também vou!”.

Conversamos com nossos técnicos (ele com a Suely Braz, da Antílope e eu com o Danilo Balu, da Ação Total). Fiz novo ergoespirométrico com o Dr. TB do CEMAFE e uma consulta com a Sandra Ribeiro, nutricionista que havia assessorado o grupo que fez a prova em 1.999. Tudo em ordem, começamos os treinos com aumento lento e gradual do volume, dieta com sete refeições por dia e musculação, muita musculação.

Em fevereiro deste ano, fizemos, juntamente com o Edy Skall da Ação Total, a Super Maratona de Rio Grande / RS, com seus 50km e um vento contra de dar saudades da subida da Biologia na USP. Na volta, decidimos nos incorporar ao grupo que estava treinando para a Comrades sob a orientação do Prof. Branca (Branca Fitness). O volume de treinos aumentou consideravelmente (os longos passaram a ser de, no mínimo, 30km) e uma novidade. Aprender a correr e caminhar. Conforme me disse um dia o Alfredo Donadio (Corpore), na Comrades se corre, mas também se anda e é preciso que seja rápido.

Treino- Cumprindo a programação e as orientações do Branca fomos para Amparo enfrentar a dificílima Maratona das Águas. E com ela veio o primeiro susto. Aquela dorzinha que todo corredor tem e acha que vai passar, acabou pegando forte no meu joelho esquerdo e eu simplesmente não conseguia correr nas descidas após os 30 km. Terminei a prova correndo e caminhando em 4:36 e com uma séria dúvida, será que vai dar?

Consultei o Dr. Alfonso Apostólico (ortopedista dos melhores) e veio a triste constatação: “a contusão é séria e se você não cuidar, esqueça a Comrades”. Conversei de novo com o Branca (sempre ele!), reduzimos o ritmo dos treinos por duas semanas e comecei longas e chatíssimas sessões de fisioterapia. E tome aplicação de gelo em casa e no escritório.

O próximo passo foi o treino de 60 km, nas Rodovias Trabalhadores e Carvalho Pinto. Sob o sol de rachar e com subidas e descidas que não sentimos de carro, fui bem até o 35º km, mais ou menos. E lá estavam de volta a dor no joelho esquerdo e o travamento do movimento da perna nas descidas. Para não agravar a situação decidimos parar o treino nos 40km e continuar com a dúvida. Será que vai dar?

Recuperado, partimos para nova tentativa dos 60 km, aproveitando a estrutura da Maratona de São Paulo, no dia 02/05. Começamos a correr duas horas antes no Parque do Ibirapuera e, quando foi dada a largada oficial da prova, entramos no final do pelotão, já com aproximadamente 18 km nas costas. Felizmente, deu tudo certo e completei o treino em 7 horas, sem dores, nem enjôos (este era um outro problema nas provas e treinos longos, mas a Sandra conseguiu resolver). Agora vai dar, tem que dar!

A viagem- E chegou o dia da viagem. Fiz escala de um dia em Johannesburg e aproveitei para conhecer um pouco da cidade e Soweto, local símbolo da luta pelo fim da segregação racial na África do Sul. As imagens guardadas em um museu e o que representa o Nélson Mandela para o povo sul africano são impressionantes. Certamente a falta dessa liderança incontestável causará uma comoção no País.

No dia 13/06 nos encontramos em Durban, local da largada da prova, que neste ano seria em subida, ou “up run”, como dizem por lá. Adauto de Paiva (cavalo puro sangue, novo recordista brasileiro da prova), Danilo Jabá (acreditem, cearence alto, forte, cadeirudo – bundão mesmo, existe e corre, como corre!), Nato Amaral (grande capitão da equipe e dono de um coração do tamanho de seus mais de 1,90m de altura) e Antenor Sakamoto (sem dúvida, o mais extrovertido de todos nós e sua incrível e exemplar família – Dona Rosa e suas filhas, Fernanda e Bina – ótimas companhias e apoio). Lá conheci o André Arruda, de Campinas (figuraça, com seu ótimo humor e sotaque caipira digno de Piracicaba!) e o Fiori (um bravo que superou a contusão no tendão de Aquiles e as dificuldades da prova) e suas respectivas esposas. Enfim, éramos 12 brazucas para enfrentar os 87 km da Comrades 2004, sete corredores e cinco pessoas no fundamental apoio.

Na segunda-feira, 14/06, fizemos de ônibus o reconhecimento do percurso e aproveitamos para aprender um pouco dos segredos da prova com o nosso guia, Peter e suas 24 Comrades nas costas e as seqüelas em seus dois joelhos. Minha primeira impressão não foi nada agradável, pois tudo me pareceu mais difícil do que imaginava. As subidas eram mais íngremes e as descidas mais longas do que pareciam no mapa com perfil altimétrico que pendurei em um quadro à frente da minha mesa de trabalho para memorizar e me acostumar com a idéia. Das recomendações do Peter, duas registrei e segui à risca: 1. Tenha sempre um plano “B”, para o caso de sua estratégia de prova falhar; e 2, se sentir cansaço, dores e vontade de desistir, descanse e alongue uns 30 minutos antes de embarcar no ônibus de resgate, pois a partir daí não há mais volta. Segundo ele, já cansou de ver atletas que 5 minutos após o resgate, constatam que poderiam retomar a prova, o que absolutamente não é permitido pelo regulamento. A sensação de arrependimento e de frustração ficam estampados no rosto de cada um!

Durante a viagem, visitamos o muro onde estão as placas que registram os atletas que já realizaram a prova e uma escola para crianças órfãs e deficientes que cantaram várias músicas em nossa homenagem. Para dizer pouco, foi uma grande lição de vida para todos nós.

De volta ao hotel, defini meus planos para a prova. Plano “A” – 7min/km, 10:15 no total e controle do tempo a cada 10 km. Plano “B” – 10:45, contando os 30’ para descanso e alongamento recomendados pelo Peter. Plano “C”, chegar dentro do limite das 12:00hs. Pedir resgate, nem pensar, só em último caso ... Fui dormir ouvido o ronco das reduzidas da caixa de câmbio do ônibus para vencer as subidas, principalmente as denominadas “Big Five”.

No dia anterior à prova, fomos pela última vez ao Pavilhão de Exposição, encomendamos a placa em homenagem ao Sr. Bush e, mais uma vez, almoçamos massa com molho napolitano e Alfredo (seis grandes porções, divididas em quatro brasileiros famintos). O Nato aproveitou para acertar um pequeno problema administrativo. Nosso uniforme tinha o logotipo da prova (outra homenagem ao Sr. Bush), o que não é permitido. Após uma conversa com o árbitro principal da prova, o uniforme foi liberado apenas para este ano.

Jantamos massa (de novo!), fizemos os últimos preparativos (números na camiseta, chip, etc) e fomos dormir cedo, todos preocupados com o Jabá, que estava com dores de garganta e febre. Acordei às 3h00, tomei um café reforçado e uma ligação para casa
(So, chegou o dia, estou indo!. A resposta não poderia ser melhor: tenha juízo, vá com calma, você tem 12 horas para fazer a prova. Um beijo).

Dia D- Fomos para a largada e antes de irmos cada um para a sua baia, nos abraçamos e combinamos nos encontrar, com saúde, no final da prova. Agradecemos a todos que nos apoiaram, gritamos BRASIL e fomos em frente.

Pontualmente às 5h30, ouvimos o galo cantar e o tiro de canhão que marcam o início da Comrades. Estava escuro, a temperatura baixa, mas agradável e muita gente torcendo e nos desejando boa sorte. Parte dos torcedores, é verdade, estava lá também para receber os agasalhos que os corredores, após a largada, jogam ao lado da estrada. Depois de alguns km, entreguei minha camiseta de manga comprida para uma senhora que, de mãos postas, agradeceu quase que de joelhos.

Corri “tranqüilo” até o km 30, onde cheguei cerca de 13 minutos antes do previsto e esta reserva de tempo foi importante para administrar o cansaço no final. Fui alcançado pela Stephany, amiga australiana do Nato que, pelas minhas contas, deveria estar bem à minha frente. Corremos e andamos alguns km juntos, mas como ela corria demais nas descidas, após a terceira, achei melhor deixá-la seguir do que arriscar a me machucar. Após alguns km., a encontrei novamente, mantendo um ritmo bem mais lento em função de enjôos. Completei a maratona em 4:25 e me sentindo muito bem, aí já intercalando corrida e caminhada nas subidas.

A organização da prova é excelente, com inúmeros postos de abastecimento com água, isotônico e coca cola, além de outros com batata, bolachas, banana e maçã e, principalmente, massagens (parei umas 3 vezes para aliviar os princípios de câimbras). A torcida é uma capítulo à parte. Presente em todo o percurso, estimula os corredores de maneira fantástica e, aos estrangeiros, dedica maior atenção, ora gritando o nome do seu País, ora agradecendo pela presença. E, mais uma vez, ouvir o canto das crianças da escola foi emocionante.

A partir de Inchanga (esta subida e os dois Poly Shorts, um pouco mais à frente, simplesmente não existem. Você aparentemente está no limite de suas forças e elas parecem não acabar nunca!), passei a somente andar nas subidas e a correr nos trechos planos (se é que existem!) e nas descidas. Lembro-me de, perto do km 70, ter feito 4´:40”/km em alguns trechos, sem saber de onde vinha a força para tal ritmo.

Faltando 5 km para a chegada, passei a carregar a bandeira do Brasil que meu filho Marco havia posto em minha bagagem. A entrada no estádio, com as pessoas batendo com as mãos nas placas e gritando “run, run,run ...” e “Brasil, Brasil ...”) é emocionante e indescritível. De lembrar, arrepia!

Quase 2.000 km de treinos depois, completei a Comrades, pela cronometragem oficial, em 10 horas e 16 minutos (no meu cronômetro, 10:13). Deu Plano “A”, na mosca!!!

Com muito orgulho, levantei a bandeira brasileira para a foto da Bina Sakamoto, recebi a medalha e fui comemorar com os demais que já haviam chegado. E todos ficamos aguardando e torcendo para que o Sakamoto chegasse há tempo de receber, também, sua medalha de bronze. Quando ele cruzou o último tapete abaixo de 11 horas, a festa foi total. Todos os brasileiros chegaram e conforme combinado na largada, com saúde.

Nossa equipe, como já mencionei, correu em homenagem ao Sr. Gustav Bush que, para todos os que o conheceram, foi um exemplo de pessoa e de atleta. Particularmente, corri pelos meus Pais (se estivessem por aqui, certamente estariam orgulhosos por eu ter completado a prova e participado da equipe brasileira); pelos meus filhos, Théo e Marco, ótimos meninos e que nos dão muitas alegrias; pelos meus sogros, que há pouco descobriram os benefícios e os prazeres da prática esportiva; pela minha irmã e meus sobrinhos; e pelo Jair que, em função de um tombo e uma fratura no pulso 15 dias antes da prova, não pode viajar conosco.

Agradecimentos- So, obrigado por tudo. Você correu comigo desde o primeiro treino até o último km da Comrades. Um beijo.

A todos os que aqui mencionei, aos meus amigos e parentes, muito obrigado pelo incentivo e pelo apoio que nunca me faltaram e que foram fundamentais para que eu chegasse lá. Branca, você e sua equipe foram demais, valeu!. Miguel e Edu, da High Jump, vocês também estiveram comigo. Milton Mizumoto, a reunião da equipe naquele sábado à tarde e suas recomendações foram decisivas. Obrigado.

Agradeço também aos meus sócios (Zé Paulo, João – obrigado pelas milhas – e Roberta) e colegas de escritório (Moutinho e Tranchesi Advogados) que me agüentaram falando dos treinos e da prova desde o ano passado, especialmente à Dona Giorgina e à Kita pelos lanches, Ana e Márcia pelas consultas médicas e controle dos horários.

A todos que sonham um dia participar de uma ultra maratona, essa é a prova. Jair, Alberto, Carlos Souto e Luiz, que apesar do esforço não puderam participar, não desanimem e retomem os treinos. O próximo ano será de vocês.

16 de junho de 2.004. A minha primeira Comrades jamais esquecerei.

Seba.

Comrades: a saga brasileira na África do Sul

Todo ano acontece na África do Sul a mais tradicional ultramaratona do mundo, a Comrades Marathon. E a 79ª edição da prova, que aconteceu na última semana teve a presença de vários brasileiros. Conheça um pouco sobre a competição conhecida como a "Corridas dos Heróis”.

“Estou muito cansado” sussurou Márcio Milan, ao técnico Wanderlei de Oliveira, às 15 horas e 55 minutos do dia 16 de junho de 1997, logo após ter acabado de ter escrito seu nome na galeria de grandes feitos do atletismo brasileiro. Não era para menos. Milan, então com 48 anos, teve a honra de ser o primeiro brasileiro a completar a principal ultramaratona mundial, a Comrades Marathon.

A prova que acontece desde o ano de 1921 tem aproximadamente 90 quilômetros de extensão entre as cidades de Pietermaritzburg e Durban, e anualmente, seu percurso é invertido.

Disputada sempre no dia 16 de junho – feriado nacional no país – a competição leva multidões ao longo do percurso para aplaudir e incentivar os corredores. Tido como o principal evento esportivo da África do Sul, a premiação dos vencedores é feita por ninguem menos que o Presidente da República Sul Africana.

Concluir essa ultramaratona não é tarefa fácil. Seja qual for a direção da prova uma coisa é certa. Os atletas - que esse ano somaram a bagatela de mais de 12.000 concluintes (!) - enfrentam penosas subidas e descidas. “Tem trecho de subida de 4km que parece que nunca acaba”. revela José Adauto de Paiva, da equipe Branca Esportes, que tornou-se o primeiro atleta brasileiro a ganhar medalha de prata na prova.

Requesitos - "Paciência, humildade, determinação, fé e consciência corporal" são algumas das características fundamentais apontadas pelo técnico Vanderlei Carlos Severiano, o Professor Branca, como indispensáveis para ter êxito na prova.

O Prof. Branca é o técnico que mais levou atletas para disputar a competição, além dele próprio ter competido no ano de 1999. O técnico já orientou 14 atletas (com 18 participações), inclusive, Paulo de Almeida (atleta portador de necessidades especiais). A lista ainda trás, o saudoso atleta veterano (falecido recentemente) Gustave Busch (2 participações), Alfredo Donadio Filho (1), Charbel Bechara (1), Peter Daniel Strimber (1), Milton Mizumoto (2), Nelson Mizunoto (1), Celso “ Coelho” Abugão (1), José “Bem Hur” Gonçalves (1), Sebastião Costa Junior (1), Danilo Ferreira (1), José Adauto de Paiva (1), Noboru Sakamoto também com uma participação.

Hall of Fame - Marcio Milan que treina com Wanderlei de Oliveira e Paulo Renato do Amaral, o Nato, da equipe Branca Esportes, são os atletas brasileiros mais próximos de integrarem o prestigiado clube Hall of Fame.

O fechado clube é destinado a corredores que completaram a prova por 10 vezes. Milan já tem quatro medalhas enquanto Nato tem uma a menos. “Fazer parte deste clube significa respeito e reconhecimento”, sintetiza Nato, que já correu a prova nos dois sentidos, “up e down hll”. O atleta sabe que não é fácil. “Dificuldades temos que enfrentar e superar do inicio ao fim desta prova para vencer os 89Km dentro do tempo limite de 12 horas e conquistar a tão respeitada medalha”.

Querer é poder - O Prof. Branca evoluiu em termos de metodologia de treinamento utilizada nesta prova desde sua primeira participação em 1999. “Treinamento, repouso, musculação, alongamentos e nutrição são elementos básicos do programa preparatório para a prova, a esses itens outros foram inseridos. A grande mudança introduzida [na preparação] foi acrescentarmos treinos de caminhada e muitas reuniões e palestras” revela o técnico.

Outro fato que destaca é a união do grupo. "O trabalho em equipe é fundamental. Se não houver solidariedade, companheirismo é impossível obter êxito sozinho. Portanto só pode dar certo quando uma equipe é mais do que uma equipe, ou seja, uma grande família”, diz orgulhoso Branca, que já está pensando em sua sétima participação como técnico na "Rainha das Ultramaratonas".

Leia mais nos links abaixo sobre a Comrades Marathon.

O ultramaratonista José Adauto Paiva, da equipe Branca Esportes, foi o primeiro brasileiro a chegar no fim da Comrades este ano com o tempo de 7:06:46. Um resultado que garantiu medalha de prata para o ultramaratonista brasileiro. O WebRun conversou com ele alguns dias depois da corrida. Confira:

Qual foi a maior emoção na Comrades?
Adauto: A chegada. É simplesmente emocionante cruzar a linha de chegada. Além disso, a participação do povo durante a corrida é incrível. Como é feriado nacional o país pára só para ver a corrida. Então durante o percurso a população te apóia. É engraçado porque famílias vão para a beira da estrada fazer churrasco e prestigiar a prova.

E quanto a medalha que você ganhou. Como foi?
Adauto: Eu fui o primeiro brasileiro a ganhar a medalha de prata da competição é uma emoção que não dá para descrever.

O que é mais difícil na prova?
Adauto: O mais difícil da prova foi a subida. Tem trecho de subida de 4km que parece que nunca acaba. Mas eu me preparei para isso e sabia que iria ser assim.

Como foi seu treinamento para a Comrades?
Adauto: Comecei a treinar para a Comrades em janeiro num projeto especial com o Branca (treinador pessoal). Para isso competi a maratona de Águas e de São Paulo. Também fiz treinos de 70km na região do circuito das águas que tem bastante descida e subida. E claro trabalhei meu lado emocional e fiz musculação.

Entenda como funciona o critério de distribuição de medalhas na Comrades Marathon:

A CMA organizanidora da Comrades Marathon instituiu no ano de 2003 uma nova medalha. Até então, conseguia ganhar medalha somente os atletas que conseguiam cobrir o difícil percurso no tempo-limite sub 11 horas (10:59:59).

Agora os corredores ganharam mais uma hora, podendo cobrir o percurso entre 11:00:00 e 11:59:59 e assim ganhar a nova medalha intitulada ”Vic Clapham”.

Vic Clapham - Foi um dos corredores fundadores da primeira edição da prova, que aconteceu em 24 de maio de 1921, quando ele e outros 33 amigos fizeram o difícil percurso pela primeira vez.

Com a ”Vic Clapham,” serão cinco os tipos de medalhas distribuídas, beneficiando principalmente os corredores mais lentos e veteranos.

Tipos de medalhas:

  • Medalha de Ouro - para os primeiros dez colocados no masculino e feminino;
  • Medalha de Prata - do 11° colocado até o tempo sub 7:30:00;
  • Bill Rowan (prata/bronze) - 7:30:00 até sub 9:00:00;
  • Medalha de Bronze - 9:00:00 até sub 11:00:00;
  • Vic Clapham (cobre) - 11:00:00 até sub 12:00:00.


Comrades: a saga brasileira na África do Sul

Ultra Maratona · 24 jun, 2004

Todo ano acontece na África do Sul a mais tradicional ultramaratona do mundo, a Comrades Marathon. E a 79ª edição da prova, que aconteceu na última semana teve a presença de vários brasileiros. Conheça um pouco sobre a competição conhecida como a "Corridas dos Heróis”.

“Estou muito cansado” sussurou Márcio Milan, ao técnico Wanderlei de Oliveira, às 15 horas e 55 minutos do dia 16 de junho de 1997, logo após ter acabado de ter escrito seu nome na galeria de grandes feitos do atletismo brasileiro. Não era para menos. Milan, então com 48 anos, teve a honra de ser o primeiro brasileiro a completar a principal ultramaratona mundial, a Comrades Marathon.

A prova que acontece desde o ano de 1921 tem aproximadamente 90 quilômetros de extensão entre as cidades de Pietermaritzburg e Durban, e anualmente, seu percurso é invertido.

Disputada sempre no dia 16 de junho – feriado nacional no país – a competição leva multidões ao longo do percurso para aplaudir e incentivar os corredores. Tido como o principal evento esportivo da África do Sul, a premiação dos vencedores é feita por ninguem menos que o Presidente da República Sul Africana.

Concluir essa ultramaratona não é tarefa fácil. Seja qual for a direção da prova uma coisa é certa. Os atletas - que esse ano somaram a bagatela de mais de 12.000 concluintes (!) - enfrentam penosas subidas e descidas. “Tem trecho de subida de 4km que parece que nunca acaba”. revela José Adauto de Paiva, da equipe Branca Esportes, que tornou-se o primeiro atleta brasileiro a ganhar medalha de prata na prova.

Requesitos - "Paciência, humildade, determinação, fé e consciência corporal" são algumas das características fundamentais apontadas pelo técnico Vanderlei Carlos Severiano, o Professor Branca, como indispensáveis para ter êxito na prova.

O Prof. Branca é o técnico que mais levou atletas para disputar a competição, além dele próprio ter competido no ano de 1999. O técnico já orientou 14 atletas (com 18 participações), inclusive, Paulo de Almeida (atleta portador de necessidades especiais). A lista ainda trás, o saudoso atleta veterano (falecido recentemente) Gustave Busch (2 participações), Alfredo Donadio Filho (1), Charbel Bechara (1), Peter Daniel Strimber (1), Milton Mizumoto (2), Nelson Mizunoto (1), Celso “ Coelho” Abugão (1), José “Bem Hur” Gonçalves (1), Sebastião Costa Junior (1), Danilo Ferreira (1), José Adauto de Paiva (1), Noboru Sakamoto também com uma participação.

Hall of Fame - Marcio Milan que treina com Wanderlei de Oliveira e Paulo Renato do Amaral, o Nato, da equipe Branca Esportes, são os atletas brasileiros mais próximos de integrarem o prestigiado clube Hall of Fame.

O fechado clube é destinado a corredores que completaram a prova por 10 vezes. Milan já tem quatro medalhas enquanto Nato tem uma a menos. “Fazer parte deste clube significa respeito e reconhecimento”, sintetiza Nato, que já correu a prova nos dois sentidos, “up e down hll”. O atleta sabe que não é fácil. “Dificuldades temos que enfrentar e superar do inicio ao fim desta prova para vencer os 89Km dentro do tempo limite de 12 horas e conquistar a tão respeitada medalha”.

Querer é poder - O Prof. Branca evoluiu em termos de metodologia de treinamento utilizada nesta prova desde sua primeira participação em 1999. “Treinamento, repouso, musculação, alongamentos e nutrição são elementos básicos do programa preparatório para a prova, a esses itens outros foram inseridos. A grande mudança introduzida [na preparação] foi acrescentarmos treinos de caminhada e muitas reuniões e palestras” revela o técnico.

Outro fato que destaca é a união do grupo. "O trabalho em equipe é fundamental. Se não houver solidariedade, companheirismo é impossível obter êxito sozinho. Portanto só pode dar certo quando uma equipe é mais do que uma equipe, ou seja, uma grande família”, diz orgulhoso Branca, que já está pensando em sua sétima participação como técnico na "Rainha das Ultramaratonas".

Leia mais nos links abaixo sobre a Comrades Marathon.

O ultramaratonista José Adauto Paiva, da equipe Branca Esportes, foi o primeiro brasileiro a chegar no fim da Comrades este ano com o tempo de 7:06:46. Um resultado que garantiu medalha de prata para o ultramaratonista brasileiro. O WebRun conversou com ele alguns dias depois da corrida. Confira:

Qual foi a maior emoção na Comrades?
Adauto: A chegada. É simplesmente emocionante cruzar a linha de chegada. Além disso, a participação do povo durante a corrida é incrível. Como é feriado nacional o país pára só para ver a corrida. Então durante o percurso a população te apóia. É engraçado porque famílias vão para a beira da estrada fazer churrasco e prestigiar a prova.

E quanto a medalha que você ganhou. Como foi?
Adauto: Eu fui o primeiro brasileiro a ganhar a medalha de prata da competição é uma emoção que não dá para descrever.

O que é mais difícil na prova?
Adauto: O mais difícil da prova foi a subida. Tem trecho de subida de 4km que parece que nunca acaba. Mas eu me preparei para isso e sabia que iria ser assim.

Como foi seu treinamento para a Comrades?
Adauto: Comecei a treinar para a Comrades em janeiro num projeto especial com o Branca (treinador pessoal). Para isso competi a maratona de Águas e de São Paulo. Também fiz treinos de 70km na região do circuito das águas que tem bastante descida e subida. E claro trabalhei meu lado emocional e fiz musculação.

Entenda como funciona o critério de distribuição de medalhas na Comrades Marathon:

A CMA organizanidora da Comrades Marathon instituiu no ano de 2003 uma nova medalha. Até então, conseguia ganhar medalha somente os atletas que conseguiam cobrir o difícil percurso no tempo-limite sub 11 horas (10:59:59).

Agora os corredores ganharam mais uma hora, podendo cobrir o percurso entre 11:00:00 e 11:59:59 e assim ganhar a nova medalha intitulada ”Vic Clapham”.

Vic Clapham - Foi um dos corredores fundadores da primeira edição da prova, que aconteceu em 24 de maio de 1921, quando ele e outros 33 amigos fizeram o difícil percurso pela primeira vez.

Com a ”Vic Clapham,” serão cinco os tipos de medalhas distribuídas, beneficiando principalmente os corredores mais lentos e veteranos.

Tipos de medalhas:

  • Medalha de Ouro - para os primeiros dez colocados no masculino e feminino;
  • Medalha de Prata - do 11° colocado até o tempo sub 7:30:00;
  • Bill Rowan (prata/bronze) - 7:30:00 até sub 9:00:00;
  • Medalha de Bronze - 9:00:00 até sub 11:00:00;
  • Vic Clapham (cobre) - 11:00:00 até sub 12:00:00.

Kotov e Nurgalieva vencem a Comrades Marathon

Ultra Maratona · 16 jun, 2004

O bielo russo naturalizado sul africano Vladimir Kotov venceu hoje a mais tradicional ultramaratona mundial, a Comrades Marathon, prova na distância de 86,755 Km disputada na África do Sul. Kotov fechou o difícil percurso com a marca de 5:31:22.

O segundo colocado foi o polonês Jaroslaw Janicki com o tempo de 5:34:17 seguido pelo russo Oleg Kharitonov com 5:39:08. Já no feminino a russa Elena Nurgalieva com 6:11:15 sagrou-se a campeã com sua compatriota Marina Bychkova em segundo lugar(6:14:13).

Na terceira posição a atleta local Farwa Mentoor com 6:18:23.

Brasil - O mais rápido brasileiro na prova foi o ultramaratonista amador José Adauto Paiva, da equipe Branca Fitness, com o excelente tempo de 7:06:46.

Sai resultado oficial da Comrades Marathon

Ultra Maratona · 03 jul, 2003

A CMA organizadora da principal ultramaratona mundial, a Comrades Marathon, que aconteceu no último dia 16, após a realização dos testes anti-doping, cujo os resultados foram negativos, divulgou ontem o resultado oficial da competição realizada na África do Sul.

A competição contou com 13.374 inscritos, sendo, que 12.452 efetivamente participaram do evento (controle localizado na largada). Concluíram o percurso de 89 quilômetros no tempo-limite de 12 horas, 11.400 atletas.

Das medalhas distribuídas, 20 foram de ouro, destinada aos primeiros dez colocados no masculino e feminino; 671 de prata (11° colocado até o tempo sub 7:30:00); 2.431 Bill Rowan (prata/bronze) - 7:30:00 até sub 9:00:00; 5.771 de bronze (9:00:00 até sub 11:00:00) e 2.507 Vic Clapham (cobre) para os atletas que correram entre 11:00:00 até sub 12:00:00.

Comrades Marathon por Paulo Souza

Ela é a maior e mais tradicional ultramaratona do mundo, e uma das mais difíceis também.A prova existe desde 1921 e sempre é feita entre as cidades de Pietermaritzburg e Durban, todo o ano invertendo o percurso.Em um ano é “down run”, quando chega em Durban, que está no nível do mar, e no outro ano é “up run”, quando chega em Pietermartzburg, que está a 630 metros de altitude. O trajeto é todo cheio de subidas e decidas, sendo que as maiores e mais famosas montanhas por onde passa a prova são em número de 5 e são chamadas de “The big five”, uma alusão aos famosos The big five da África do Sul: Leão, Leopardo, Elefante, Rinoceronte e Búfalo.

Já a marcação de quilometragem, diferente de qualquer outra prova, é em contagem regressiva, o que traz um efeito psicológico positivo ou negativo dependendo do enfoque que você assume no seu intímo, no meu caso levei para o lado positivo, pois a minha primeira meta era concluir a meia Ultramaratona em 4h15m.

No dia 16/06/2003 deu-se a largada às 5h30min. da manhã ainda escuro, o que para mim era uma novidade; corri aguardando o dia clarear desejando que nesse momento já estivesse percorrido 21km .A cada 10km eu tomei um “Power Gel” e um “BCAA” , e desta forma conclui com muita determinação a meia Ultramaratona em 3h59’15”.( 44,5km). Daí para frente dei início a uma experiência nova, pois nunca havia percorrido nenhuma distância superior a uma maratona.

Porém havia um fato que poderia ser positivo ou negativo ao meu favor, pois a vinte dias havia feito o Ironman Brasil Telecom, tenho certeza agora que este fato foi positivo. No quilômetro 60 percebi em meu tênis uma enorme mancha de sangue a qual me obrigou a parar, e utilizar um Compeed ( pele artificial) , o que tornou possível dar continuidade.

No quilômetro 80 eu comecei a vislumbrar a possibilidade obter a cobiçada medalha de prata/bronze,continuando a corrida superando todas as dores que sentia em meu corpo com exceção dos olhos e cabelos. Faltando 4km para o final da prova voltei a correr como no início, a 5min/km, pois estava avistando o Estádio da gloriosa chegada.

Em vários momentos no decorrer da prova a emoção tomava conta do meu ser, pela vibração e incentivo dos expectadores, ao me ver passar com as cores da bandeira brasileira, sempre expressando aos gritos Brasil, Brasil, Ronaldinho, Pelé, o que me dava a certeza do bem que fazem a todos nós brasileiros os verdadeiros Embaixadores da nossa Pátria.

A entrada no estádio com os trinta mil expectadores foi a uma das maiores emoções que já senti ao terminar uma prova; mesmo porque Terminar COMRADES já é VENCER. Mais feliz ainda por tê-la concluído em 8h 42’28” o que me dava direito a “BILL ROWAN MEDAL”, sendo o 1º brasileiro a entrar no Estádio

Aguardei a chegada do atleta Paulo Renato Amaral (Nato) com 8h54’33”,o qual havia me transmitido a certeza que seria possível terminar Comrades, pois o mesmo concluiu em 2001a prova em 8h33’57”. Já no hotel assisti pela televisão a chegada dos demais brasileiros, em especial a vibração do público,quando adentrou ao estádio um verdadeiro herói brasileiro,Gustavo Busch, de 74 anos de idade, com o tempo de 11h53’14” à alguns minutos do tempo limite da prova.

“Comrades Marathon”: É mais que uma competição...É um desafio pessoal!


Comrades Marathon por Paulo Souza

Ultra Maratona · 02 jul, 2003

Ela é a maior e mais tradicional ultramaratona do mundo, e uma das mais difíceis também.A prova existe desde 1921 e sempre é feita entre as cidades de Pietermaritzburg e Durban, todo o ano invertendo o percurso.Em um ano é “down run”, quando chega em Durban, que está no nível do mar, e no outro ano é “up run”, quando chega em Pietermartzburg, que está a 630 metros de altitude. O trajeto é todo cheio de subidas e decidas, sendo que as maiores e mais famosas montanhas por onde passa a prova são em número de 5 e são chamadas de “The big five”, uma alusão aos famosos The big five da África do Sul: Leão, Leopardo, Elefante, Rinoceronte e Búfalo.

Já a marcação de quilometragem, diferente de qualquer outra prova, é em contagem regressiva, o que traz um efeito psicológico positivo ou negativo dependendo do enfoque que você assume no seu intímo, no meu caso levei para o lado positivo, pois a minha primeira meta era concluir a meia Ultramaratona em 4h15m.

No dia 16/06/2003 deu-se a largada às 5h30min. da manhã ainda escuro, o que para mim era uma novidade; corri aguardando o dia clarear desejando que nesse momento já estivesse percorrido 21km .A cada 10km eu tomei um “Power Gel” e um “BCAA” , e desta forma conclui com muita determinação a meia Ultramaratona em 3h59’15”.( 44,5km). Daí para frente dei início a uma experiência nova, pois nunca havia percorrido nenhuma distância superior a uma maratona.

Porém havia um fato que poderia ser positivo ou negativo ao meu favor, pois a vinte dias havia feito o Ironman Brasil Telecom, tenho certeza agora que este fato foi positivo. No quilômetro 60 percebi em meu tênis uma enorme mancha de sangue a qual me obrigou a parar, e utilizar um Compeed ( pele artificial) , o que tornou possível dar continuidade.

No quilômetro 80 eu comecei a vislumbrar a possibilidade obter a cobiçada medalha de prata/bronze,continuando a corrida superando todas as dores que sentia em meu corpo com exceção dos olhos e cabelos. Faltando 4km para o final da prova voltei a correr como no início, a 5min/km, pois estava avistando o Estádio da gloriosa chegada.

Em vários momentos no decorrer da prova a emoção tomava conta do meu ser, pela vibração e incentivo dos expectadores, ao me ver passar com as cores da bandeira brasileira, sempre expressando aos gritos Brasil, Brasil, Ronaldinho, Pelé, o que me dava a certeza do bem que fazem a todos nós brasileiros os verdadeiros Embaixadores da nossa Pátria.

A entrada no estádio com os trinta mil expectadores foi a uma das maiores emoções que já senti ao terminar uma prova; mesmo porque Terminar COMRADES já é VENCER. Mais feliz ainda por tê-la concluído em 8h 42’28” o que me dava direito a “BILL ROWAN MEDAL”, sendo o 1º brasileiro a entrar no Estádio

Aguardei a chegada do atleta Paulo Renato Amaral (Nato) com 8h54’33”,o qual havia me transmitido a certeza que seria possível terminar Comrades, pois o mesmo concluiu em 2001a prova em 8h33’57”. Já no hotel assisti pela televisão a chegada dos demais brasileiros, em especial a vibração do público,quando adentrou ao estádio um verdadeiro herói brasileiro,Gustavo Busch, de 74 anos de idade, com o tempo de 11h53’14” à alguns minutos do tempo limite da prova.

“Comrades Marathon”: É mais que uma competição...É um desafio pessoal!

Comrades: vitória de um heroi

A principal ultramaratona mundial a Comrades Marathon foi disputada hoje (16) na África do Sul. No masculino o vencedor da prova de 89 quilômetros foi um sul-africano e, a África do Sul, colocou 7 corredores entre os 10 primeiros. No feminino as três primeiras colocadas são russas, sendo que a campeã e a segunda colocada são irmãs gêmeas!

Confira o emocionante relato de um herói, o ultramaratonista Nato Amaral que disputou hoje a competição:

Por que a Comrades Marathon é conhecida como "The Ultimate Human Race"?

Ela é de longe a maior e mais tradicional ultramaratona do mundo, e uma das mais difíceis também. A prova existe desde 1921 e sempre entre as cidades de Pietermaritzburg e Durban, todo ano invertendo o percurso. Em um ano e "down run" quando chega em Durban, que esta' no nível do mar, e no outro ano é "up run", quando chega em Pietermaritzburg, que está' a cerca de 630 metros de altitude. O trajeto é todo cheio de subidas e descidas, sendo que as maiores e mais famosas montanhas por onde passa a prova aso em numero de 5 e são chamadas de "The Big Five", uma alusão aos famosos The Big Five da África do Sul: Leão, Leopardo, Elefante, Rinoceronte e Búfalo.

O percurso é realmente duríssimo, incomparável e a prova tem algumas particularidades que a tornam ainda mais pitoresca: o tempo limite (que neste ano foi de 12 horas) é britanicamente respeitado, sendo que quando a prova atinge este tempo, quem passou recebe medalha e quem esta a meio metro da chegada é imediatamente barrado e desviado do percurso, não recebendo medalha. E não são poucos os que vencem a distancia mas sao penalizados por estourarem o tempo. Alem disso, é uma das poucas provas do mundo (se não for a única) que premia os atletas com medalhas diferenciadas em função do tempo de conclusão do percurso. Uma das medalhas mais cobiçadas é a Bill Rowan Medal, de prata e bronze, para os atletas que concluem em menos de 9 horas (e acima de 7:30h), em homenagem ao primeiro vencedor da prova, em 1921, chamado Bill Rowan. Já a marcação de Quilometragem, deferente de qualquer outra prova, é em contagem regressiva, o que traz um efeito psicológico na minha opinião destruidor na cabeça dos corredores, embora outros prefiram desta forma. Ha' outras inúmeras particularidades que não vem ao caso agora.

A prova de hoje foi disparado a mais difícil de toda a minha vida, muito mais difícil que a que eu fiz aqui em 2001. Antes da prova eu tinha duas incógnitas: como se comportariam o meu joelho esquerdo (lesionado ha cerca de 15 dias) e a minha coxa direita (lesionada em um músculo auxiliar, adutor talvez, ha cerca de 4 dias). Logo nos primeiros metros após a largada (com a temperatura baixíssima, perto de 5 graus) a minha coxa direita começou a doer. E eu já me conformei que teria que conviver com a dor durante tantas horas quantas durasse a prova para mim. Já o meu joelho esquerdo não foi tão cruel. Ele só começou a apresentar dores a partir do quilometro 4; ou seja, tive que optar por suportar a dor durante 85Km. A única opção para não sentir dor nenhuma era a única que nem passava pela minha cabeça, mesmo sabendo que eu estava tão distante da chegada. E o tempo todo, desde antes ate o final da prova, sempre vinha a minha mente o meu mestre Branca – técnico da Branca BR Esporte - e seus ensinamentos, e eu procurava meditar e imaginar quais seriam os seus conselhos em cada momento da prova. "Coloquei a faca nos dentes" e fui para a guerra em busca do resultado.

Muito bem, adotei a estratégia, então, de forçar o ritmo no inicio e durante maior tempo que eu pudesse, pois eu sabia que, talvez em uma cartada de sorte, eu poderia ate mesmo bater a minha melhor marca, de 8h33'57 em 2001. E foi dando certo, tanto que não me arrependo de forma alguma. Com 15 minutos de prova eu já não sentia tanto frio como antes da largada e já descartei na rua o meu moletom, mas continuei de luva. Poucos minutos depois, tirei as luvas e coloquei presas na minha cintura, sabendo do risco de poder voltar a usa-las. Com o movimento, em certo momento percebi que elas caíram e eu em uma fração de segundos optei por não voltar poucos metros para pegá-las, acreditando que não teria mais necessidade. Mas as Leis de Murphy também valem na África do Sul: a temperatura em vez de subir, abaixou, e a minhas mãos ficou congelada por vários Km. Paciência, uma hora depois o sol já estava aparecendo e as mãos voltaram ao normal.

Como as dores eram absolutamente permanentes, eu comecei a me divertir com ela, afinal em uma prova desta distancia temos que ter alguns passatempos: notei que exatamente em todas as minhas pisadas com a perna direita, a coxa doía; e em todas as pisadas com a perna esquerda, o joelho doía. Então tentei fazer uma estatística já que em 100% das pisadas alguma dor eu sentia, mas ficou muito difícil projetar quantas dezenas ou centenas de milhares de passadas eu daria nos 85Km finais da prova, a partir no momento que sentia dor nas duas pernas. E desisti. Depois disso, lembrei de uma frase que eu gritei no ouvido do Silvio...Tadinho, durante a Maratona de São Paulo, nos quilômetros finais. E foi exatamente esta frase que eu "gritei" no meu próprio ouvido: "Quer correr sem dor, vai correr no ritmo do Paxá". Ledo engano. Cerca de 70Km depois eu estava correndo no ritmo do Paxá (será que tão lento assim?) e continuei sentindo dores. Depois disso, eu comecei a alimentar o meu subconsciente, já que tudo o que ele processa são informações que colocamos nele. Então fiz uma afirmação categórica: "Toda e qualquer dor é SEMPRE suportável. A palavra insuportável não existe no meu vocabulário".

E a partir dai esse era o meu paradigma que não podia jamais ser quebrado. A minha dor podia ser fenomenal, como foi durante horas e horas, mas por definição era sempre suportável, caso contrario era melhor eu pegar carona atá a chegada e desistir da prova.

E continuei correndo mas não sei por que eu sempre achava que eu estava muito lento, talvez por causa das dores. E insatisfeito procurava forçar o ritmo. Tanto que fiz vários Km a 5'00", 5'10", 4'45" etc. Passei pela meia maratona (21.1Km) com 1h48", pelos 30Km com 2h40" e fechei a primeira maratona (42.2Km) com 3h50'. Neste trajeto, passei pelo primeiro posto de fisioterapia (fisioterapeutas, massagistas etc.) no Km 30, cheio de dores, e pensei comigo: "Eu vim aqui para correr, não para fazer massagem..." Bem, um pouco antes do posto seguinte, a minha frase já era: "Eu vim aqui para correr, mas fazer uma massagem talvez não seja nada mal..." E fui direto no posto, recebendo uma massagem rápida, em pe mesmo, que me deu um pouco de alivio e soltou a musculatura. No Km 34 parei novamente e comentei da dor no joelho, quando a fisioterapeuta se propôs a colocar uma tala de gaze ao redor do joelho (abaixo e acima, passando por trás) e eu aceitei, afinal eu logo pensei: "Faz de conta que estou em Judiai e tenho que ir ate São Paulo, sem carona, sem bike, só na perna". Corri com esta tala os últimos 55Km da prova e acho que me ajudou bastante. Logo após o Halfway Point, parei para nova massagem e depois só mais uma vez.

O fato é que com o passar do tempo, cada vez mais eu me obrigava a caminhar nos trechos mais difíceis, especialmente subidas, e a minha velocidade foi caindo drasticamente, ate que eu percebi que estava fora de condições de melhorar o meu tempo. E passei a fazer contas do ritmo que eu teria que imprimir para finalizar abaixo de 9 horas e buscar a Bill Rowan Medal novamente. Não foram poucas (alias, foram inúmeras) vezes que eu pensei em desistir da Bill Rowan e correr "sem compromisso com o tempo", já que as minhas pernas já doíam também nas coxas, nas panturrilhas... Mas imediatamente eu afastava esta possibilidade e continuava a correr, sempre suportando as dificuldades.

Em algum momento da prova eu tomei o meu Power Gel e decidi que sempre tomaria de hora em hora a partir daquele momento. Mas o enjôo era tanto para colocar aquele negocio gosmento e enjoativo para dentro que eu torcia para que esse momento não chagasse. Mas era inevitável e extremamente necessário para manter um nível elevado de açúcar no sangue. Então eu tomava.

Quanto cheguei no 69 Km, faltando 30 para a chegada, fiz novamente a conta e ali sim eu quase tomei a decisão definitiva de desistir da BIll Rowan Medal, afinal eu pensei: nossa, 30Km é muita coisa, como é que eu vou conseguir? As dores aumentam cada vez mais e em mais músculos, articulações, abdomem, costas... Mas mais uma vez eu busquei forcas, lembrei dos incontáveis meses de treinamento, dos quase 1200Km de treino só em 2003, dos 7 mil abdominais, dos mais de 50 treinos de musculação, e decidi: "Se esta com medo, por que veio?". E novamente resolvi lutar, pois eu jamais trocaria as minhas dores com a de outro corredor. E esse trabalho psicológico, de foco, de planejamento, de determinação, garra e fé foi uma constante ate o final.

Cena pitoresca ocorreu no Km 74. Eu estava correndo quando passou por mim um grupo muito grande e coeso de corredores (umas 15 pessoas), sendo que um deles até me esbarrou. Achei estranho. Logo em seguida, comecei a escutar a platéia gritar: "Hey, Bruce!" Então, acelerei um pouco a passada e notei nas costas de um corredor loiro o lendário numero 2403: era nada mais nada menos que Bruce Fordyce, o maior ultramaratonista de todos os tempos, com quase imbatíveis 9 vitorias em Comrades, sendo 8 seguidas! Alem do que a melhor marca da prova, estabelecida por ele em 1986, resiste até hoje. Então resolvi correr "com ele" durante uns 5 a 10 minutos, quanto tive que diminuir o ritmo, pois provavelmente ele não estava sentindo as minhas dores.

No 84 Km, eu logo pensei: já fiz duas maratonas e agora só faltam 5 Km. Engraçado que exatamente neste momento eu olhei para o meu pé e notei que a ponta do meu pe esquerdo estava uma pouco vermelha: a bolha ou sei lá o que eu tinha nos meus dedos sangrou, atravessou a meia e manchou o tecido do tênis. Quem me conhece sabe que isso é ate usual, pois os meus pés ficam num estado depois de treinos e provas que parece que eu encontrei-os no lixo. O ponto positivo era que isso não estava me incomodando nem um pouco e foi só olhando mesmo que eu pude imaginar que deveria estar pior do que eu pensava. Alem disso, eu estava usando a meia emprestada pelo Adauto, o que deve ter me feito correr um pouco mais do que o que eu poderia. Em contra-partida, estava com o boné do Paxá, que devia estar me deixando mais lento. Já o relógio do Tadinho dava um equilibro entre os dois.

Faltando 3Km para o final, mesmo com tempo de sobra para eu chegar abaixo de 9 horas mesmo correndo bem lento, eu tive o ultimo súbito mais forte de querer desistir. E talvez por alguns instantes ate tenha decidido, tanto que comecei a andar despreocupado. Ai pensei: "O que? Vou deixar essa medalha de prata e bronze por poucos minutos ou segundos depois de tudo isso? De jeito nenhum!" E voltei a correr ate que em poucos minutos já avistei as torres de iluminação do estádio. Sabia que em pouso mais de 2Km etária lá dentro. E fui nessa tocada ate que quando faltava 1 único Km, fazendo as contas pelo tempo de prova, eu me conscientizei que a medalha de prata e bronze definitivamente era minha. E durante mais de 8 horas eu tinha bem claro para mim que, quando eu cruzasse a linha de chegada, o mais correto não seria pendurar a medalha no meu pescoço, mas sim no meu joelho..."

Vibrei demais na entrada do estádio lotado e esse resultado de 8h54' para mm foi uma vitória inesquecível, talvez ate mais importante do que a minha melhor marca de 2001. Definitivamente, a Comrades Marathon é uma prova que exige muito do corpo, é claro, mas é uma prova que se vence com a cabeça.

Digo vence porque, muito mais do que em qualquer maratona, nesta prova chegar é vencer. E coincidentemente o slogan deste ano é "Because we can". I could. E é por isso e muitos outros motivos que só são descobertos correndo os 89Km que a Comrades é "The Ultimate Human Race".

Faço questão de informar que todos os 9 brasileiros terminaram a prova dentro do tempo limite, evidentemente todos com muitos méritos, com alguns destaques especiais:

.Paulo Souza, o brasileiro melhor colocado, com 8h42'
.Gabriela Jonsson: 9h46', a primeira brasileira amadora a concluir a prova
.Meu amigo José Ben-Hur Goncalves, com 11h37'
.Gustave Bush, de 74 anos de idade, com 11h53'.


Comrades: vitória de um heroi

Ultra Maratona · 16 jun, 2003

A principal ultramaratona mundial a Comrades Marathon foi disputada hoje (16) na África do Sul. No masculino o vencedor da prova de 89 quilômetros foi um sul-africano e, a África do Sul, colocou 7 corredores entre os 10 primeiros. No feminino as três primeiras colocadas são russas, sendo que a campeã e a segunda colocada são irmãs gêmeas!

Confira o emocionante relato de um herói, o ultramaratonista Nato Amaral que disputou hoje a competição:

Por que a Comrades Marathon é conhecida como "The Ultimate Human Race"?

Ela é de longe a maior e mais tradicional ultramaratona do mundo, e uma das mais difíceis também. A prova existe desde 1921 e sempre entre as cidades de Pietermaritzburg e Durban, todo ano invertendo o percurso. Em um ano e "down run" quando chega em Durban, que esta' no nível do mar, e no outro ano é "up run", quando chega em Pietermaritzburg, que está' a cerca de 630 metros de altitude. O trajeto é todo cheio de subidas e descidas, sendo que as maiores e mais famosas montanhas por onde passa a prova aso em numero de 5 e são chamadas de "The Big Five", uma alusão aos famosos The Big Five da África do Sul: Leão, Leopardo, Elefante, Rinoceronte e Búfalo.

O percurso é realmente duríssimo, incomparável e a prova tem algumas particularidades que a tornam ainda mais pitoresca: o tempo limite (que neste ano foi de 12 horas) é britanicamente respeitado, sendo que quando a prova atinge este tempo, quem passou recebe medalha e quem esta a meio metro da chegada é imediatamente barrado e desviado do percurso, não recebendo medalha. E não são poucos os que vencem a distancia mas sao penalizados por estourarem o tempo. Alem disso, é uma das poucas provas do mundo (se não for a única) que premia os atletas com medalhas diferenciadas em função do tempo de conclusão do percurso. Uma das medalhas mais cobiçadas é a Bill Rowan Medal, de prata e bronze, para os atletas que concluem em menos de 9 horas (e acima de 7:30h), em homenagem ao primeiro vencedor da prova, em 1921, chamado Bill Rowan. Já a marcação de Quilometragem, deferente de qualquer outra prova, é em contagem regressiva, o que traz um efeito psicológico na minha opinião destruidor na cabeça dos corredores, embora outros prefiram desta forma. Ha' outras inúmeras particularidades que não vem ao caso agora.

A prova de hoje foi disparado a mais difícil de toda a minha vida, muito mais difícil que a que eu fiz aqui em 2001. Antes da prova eu tinha duas incógnitas: como se comportariam o meu joelho esquerdo (lesionado ha cerca de 15 dias) e a minha coxa direita (lesionada em um músculo auxiliar, adutor talvez, ha cerca de 4 dias). Logo nos primeiros metros após a largada (com a temperatura baixíssima, perto de 5 graus) a minha coxa direita começou a doer. E eu já me conformei que teria que conviver com a dor durante tantas horas quantas durasse a prova para mim. Já o meu joelho esquerdo não foi tão cruel. Ele só começou a apresentar dores a partir do quilometro 4; ou seja, tive que optar por suportar a dor durante 85Km. A única opção para não sentir dor nenhuma era a única que nem passava pela minha cabeça, mesmo sabendo que eu estava tão distante da chegada. E o tempo todo, desde antes ate o final da prova, sempre vinha a minha mente o meu mestre Branca – técnico da Branca BR Esporte - e seus ensinamentos, e eu procurava meditar e imaginar quais seriam os seus conselhos em cada momento da prova. "Coloquei a faca nos dentes" e fui para a guerra em busca do resultado.

Muito bem, adotei a estratégia, então, de forçar o ritmo no inicio e durante maior tempo que eu pudesse, pois eu sabia que, talvez em uma cartada de sorte, eu poderia ate mesmo bater a minha melhor marca, de 8h33'57 em 2001. E foi dando certo, tanto que não me arrependo de forma alguma. Com 15 minutos de prova eu já não sentia tanto frio como antes da largada e já descartei na rua o meu moletom, mas continuei de luva. Poucos minutos depois, tirei as luvas e coloquei presas na minha cintura, sabendo do risco de poder voltar a usa-las. Com o movimento, em certo momento percebi que elas caíram e eu em uma fração de segundos optei por não voltar poucos metros para pegá-las, acreditando que não teria mais necessidade. Mas as Leis de Murphy também valem na África do Sul: a temperatura em vez de subir, abaixou, e a minhas mãos ficou congelada por vários Km. Paciência, uma hora depois o sol já estava aparecendo e as mãos voltaram ao normal.

Como as dores eram absolutamente permanentes, eu comecei a me divertir com ela, afinal em uma prova desta distancia temos que ter alguns passatempos: notei que exatamente em todas as minhas pisadas com a perna direita, a coxa doía; e em todas as pisadas com a perna esquerda, o joelho doía. Então tentei fazer uma estatística já que em 100% das pisadas alguma dor eu sentia, mas ficou muito difícil projetar quantas dezenas ou centenas de milhares de passadas eu daria nos 85Km finais da prova, a partir no momento que sentia dor nas duas pernas. E desisti. Depois disso, lembrei de uma frase que eu gritei no ouvido do Silvio...Tadinho, durante a Maratona de São Paulo, nos quilômetros finais. E foi exatamente esta frase que eu "gritei" no meu próprio ouvido: "Quer correr sem dor, vai correr no ritmo do Paxá". Ledo engano. Cerca de 70Km depois eu estava correndo no ritmo do Paxá (será que tão lento assim?) e continuei sentindo dores. Depois disso, eu comecei a alimentar o meu subconsciente, já que tudo o que ele processa são informações que colocamos nele. Então fiz uma afirmação categórica: "Toda e qualquer dor é SEMPRE suportável. A palavra insuportável não existe no meu vocabulário".

E a partir dai esse era o meu paradigma que não podia jamais ser quebrado. A minha dor podia ser fenomenal, como foi durante horas e horas, mas por definição era sempre suportável, caso contrario era melhor eu pegar carona atá a chegada e desistir da prova.

E continuei correndo mas não sei por que eu sempre achava que eu estava muito lento, talvez por causa das dores. E insatisfeito procurava forçar o ritmo. Tanto que fiz vários Km a 5'00", 5'10", 4'45" etc. Passei pela meia maratona (21.1Km) com 1h48", pelos 30Km com 2h40" e fechei a primeira maratona (42.2Km) com 3h50'. Neste trajeto, passei pelo primeiro posto de fisioterapia (fisioterapeutas, massagistas etc.) no Km 30, cheio de dores, e pensei comigo: "Eu vim aqui para correr, não para fazer massagem..." Bem, um pouco antes do posto seguinte, a minha frase já era: "Eu vim aqui para correr, mas fazer uma massagem talvez não seja nada mal..." E fui direto no posto, recebendo uma massagem rápida, em pe mesmo, que me deu um pouco de alivio e soltou a musculatura. No Km 34 parei novamente e comentei da dor no joelho, quando a fisioterapeuta se propôs a colocar uma tala de gaze ao redor do joelho (abaixo e acima, passando por trás) e eu aceitei, afinal eu logo pensei: "Faz de conta que estou em Judiai e tenho que ir ate São Paulo, sem carona, sem bike, só na perna". Corri com esta tala os últimos 55Km da prova e acho que me ajudou bastante. Logo após o Halfway Point, parei para nova massagem e depois só mais uma vez.

O fato é que com o passar do tempo, cada vez mais eu me obrigava a caminhar nos trechos mais difíceis, especialmente subidas, e a minha velocidade foi caindo drasticamente, ate que eu percebi que estava fora de condições de melhorar o meu tempo. E passei a fazer contas do ritmo que eu teria que imprimir para finalizar abaixo de 9 horas e buscar a Bill Rowan Medal novamente. Não foram poucas (alias, foram inúmeras) vezes que eu pensei em desistir da Bill Rowan e correr "sem compromisso com o tempo", já que as minhas pernas já doíam também nas coxas, nas panturrilhas... Mas imediatamente eu afastava esta possibilidade e continuava a correr, sempre suportando as dificuldades.

Em algum momento da prova eu tomei o meu Power Gel e decidi que sempre tomaria de hora em hora a partir daquele momento. Mas o enjôo era tanto para colocar aquele negocio gosmento e enjoativo para dentro que eu torcia para que esse momento não chagasse. Mas era inevitável e extremamente necessário para manter um nível elevado de açúcar no sangue. Então eu tomava.

Quanto cheguei no 69 Km, faltando 30 para a chegada, fiz novamente a conta e ali sim eu quase tomei a decisão definitiva de desistir da BIll Rowan Medal, afinal eu pensei: nossa, 30Km é muita coisa, como é que eu vou conseguir? As dores aumentam cada vez mais e em mais músculos, articulações, abdomem, costas... Mas mais uma vez eu busquei forcas, lembrei dos incontáveis meses de treinamento, dos quase 1200Km de treino só em 2003, dos 7 mil abdominais, dos mais de 50 treinos de musculação, e decidi: "Se esta com medo, por que veio?". E novamente resolvi lutar, pois eu jamais trocaria as minhas dores com a de outro corredor. E esse trabalho psicológico, de foco, de planejamento, de determinação, garra e fé foi uma constante ate o final.

Cena pitoresca ocorreu no Km 74. Eu estava correndo quando passou por mim um grupo muito grande e coeso de corredores (umas 15 pessoas), sendo que um deles até me esbarrou. Achei estranho. Logo em seguida, comecei a escutar a platéia gritar: "Hey, Bruce!" Então, acelerei um pouco a passada e notei nas costas de um corredor loiro o lendário numero 2403: era nada mais nada menos que Bruce Fordyce, o maior ultramaratonista de todos os tempos, com quase imbatíveis 9 vitorias em Comrades, sendo 8 seguidas! Alem do que a melhor marca da prova, estabelecida por ele em 1986, resiste até hoje. Então resolvi correr "com ele" durante uns 5 a 10 minutos, quanto tive que diminuir o ritmo, pois provavelmente ele não estava sentindo as minhas dores.

No 84 Km, eu logo pensei: já fiz duas maratonas e agora só faltam 5 Km. Engraçado que exatamente neste momento eu olhei para o meu pé e notei que a ponta do meu pe esquerdo estava uma pouco vermelha: a bolha ou sei lá o que eu tinha nos meus dedos sangrou, atravessou a meia e manchou o tecido do tênis. Quem me conhece sabe que isso é ate usual, pois os meus pés ficam num estado depois de treinos e provas que parece que eu encontrei-os no lixo. O ponto positivo era que isso não estava me incomodando nem um pouco e foi só olhando mesmo que eu pude imaginar que deveria estar pior do que eu pensava. Alem disso, eu estava usando a meia emprestada pelo Adauto, o que deve ter me feito correr um pouco mais do que o que eu poderia. Em contra-partida, estava com o boné do Paxá, que devia estar me deixando mais lento. Já o relógio do Tadinho dava um equilibro entre os dois.

Faltando 3Km para o final, mesmo com tempo de sobra para eu chegar abaixo de 9 horas mesmo correndo bem lento, eu tive o ultimo súbito mais forte de querer desistir. E talvez por alguns instantes ate tenha decidido, tanto que comecei a andar despreocupado. Ai pensei: "O que? Vou deixar essa medalha de prata e bronze por poucos minutos ou segundos depois de tudo isso? De jeito nenhum!" E voltei a correr ate que em poucos minutos já avistei as torres de iluminação do estádio. Sabia que em pouso mais de 2Km etária lá dentro. E fui nessa tocada ate que quando faltava 1 único Km, fazendo as contas pelo tempo de prova, eu me conscientizei que a medalha de prata e bronze definitivamente era minha. E durante mais de 8 horas eu tinha bem claro para mim que, quando eu cruzasse a linha de chegada, o mais correto não seria pendurar a medalha no meu pescoço, mas sim no meu joelho..."

Vibrei demais na entrada do estádio lotado e esse resultado de 8h54' para mm foi uma vitória inesquecível, talvez ate mais importante do que a minha melhor marca de 2001. Definitivamente, a Comrades Marathon é uma prova que exige muito do corpo, é claro, mas é uma prova que se vence com a cabeça.

Digo vence porque, muito mais do que em qualquer maratona, nesta prova chegar é vencer. E coincidentemente o slogan deste ano é "Because we can". I could. E é por isso e muitos outros motivos que só são descobertos correndo os 89Km que a Comrades é "The Ultimate Human Race".

Faço questão de informar que todos os 9 brasileiros terminaram a prova dentro do tempo limite, evidentemente todos com muitos méritos, com alguns destaques especiais:

.Paulo Souza, o brasileiro melhor colocado, com 8h42'
.Gabriela Jonsson: 9h46', a primeira brasileira amadora a concluir a prova
.Meu amigo José Ben-Hur Goncalves, com 11h37'
.Gustave Bush, de 74 anos de idade, com 11h53'.

Recorde de Fordyce na Comrades tem 17 anos

Ultra Maratona · 04 jun, 2003

A cada dois anos quando o percurso da Comrades Marathon é feito entre as cidades de Pietermaritzburg e Durban, ou seja, em “downhill (descida), volta a tona uma antiga discussão. Será que esse ano o recorde Bruce Fordyce para o trajeto será quebrado? O recorde de 5:24:07 já dura 17 anos.

Fordyce, conhecido como ”Rei da Comrades”, já venceu a competição em nove oportunidades e o sul-africano Andrew Kelehe, foi o atleta que mais próximo chegou desta marca, quando no ano 2001, completou a competição com o tempo de 5:25:51.

Entre os ultramaratonistas que compõem o field de atletas confirmados para a próxima edição, que acontecerá na segunda-feira (16), somente dois atletas tem erformances sub 5hs30min, são eles: Vladimir Kotov e Alexei Volgin com os tempos de 5:27:21 e 5:27:40, que terminaram em 3° e 4° lugares, respectivamente, na Comrades 2001. Outro fato, que inibe a quebra desta marca é que o atual percurso tem 400 metros a menos do que o trajeto feito por Fordyce.

Comrades Marathon tem incremento de inscritos

Ultra Maratona · 27 maio, 2003

Os organizadores da Comrades Marathon prova que é considerada a principal ultramaratona mundial e cujo percurso possui 89 quilômetros de extensão, terá esse ano 13.310 participantes. Esse número representa um acréscimo de 9,5% quando comparado ao ano anterior. A prova é realizada na África do Sul sempre no dia 16 de junho (principal feriado nacional).

Um dos motivos para o aumento de inscritos, foi a decisão da organização em ampliar o tempo-limite para conclusão do percurso, que passou de 11 para 12 horas. Na próxima edicão serão 2.188 mulheres (aumento de 35% em relação ao ano anterior), além, de 2.322 novatos na competição (aumento de 21%).

Já, o número de estrangeiros permaneceu estável, sendo que foram registrados 449 inscritos contra os 447 registrados em 2002. O Reino Unido, terá o maior número de atletas Comrades Marathon contando com 82 inscritos. A segunda maior delegação será o Zimbabwe com 70 inscritos.