Sirlene e Narloch fazem prova de superação

Redação Webrun | Maratona · 22 jul, 2007

Márcia teve complicações na prova devido a uma lesão na perna (foto: Thiago Padovanni/ www.webrun.com.br )
Márcia teve complicações na prova devido a uma lesão na perna (foto: Thiago Padovanni/ www.webrun.com.br )

A experiente Márcia Narloch e a novata Sirlene Pinho foram as representantes brasileiras na maratona feminina dos Jogos Pan-americanos e conquistaram uma prata e um bronze respectivamente. As duas sentiram dores durante o trajeto e só não desistiram pois Filé, treinador de Márcia, a todo o momento as incentivou.

Direto do Rio de Janeiro – “Ainda tenho muito o que aprender com a Márcia. Eu quis definir logo de cara, mas a maratona precisa de uma estratégia diferente”, comenta Sirlene. Longe da filha Beatriz há dois meses para se dedicar aos treinamentos, ela fala que esperava o ouro, mas o bronze já é uma vitória. “Eu até decorei o hino nacional para cantar no pódio, mas ainda sou nova e espero trazer o ouro em outros Pans”, completa.

“Ficar lonnge da Beatriz foi a pior parte, pois não conseguia vê-la quando estava concentrada em Águas de Lindóia, mas o esforço valeu a pena”, ressalta a atleta de 31 anos. A temperatura na cidade do Rio de Janeiro chegou a 29º e Sirlene não conseguiu pegar seus suplementos energéticos em alguns pontos da prova.

Ela não teve a companhia do treinador Valmir Nunes, que está nos Estados Unidos para disputar uma ultramaratona, mas Filé o substituiu bem. “Toda vez que eu pensava em desistir ele dizia que eu ainda podia dar mais de mim”. A baiana radicada em Santos chegou a liderar até o quilômetro 31, ocasião em que foi ultrapassada pela cubana Mariela Gonzalez, vencedora da prova.

A maratona do Pan foi a terceira prova dessa distância que Sirlene competiu e ela afirma que nunca imaginou disputar uma competição como o Pan. “Hoje eu aprendi muito, quero agradecer ao público que me incentivou desde o começo, eles ficavam gritando meu nome a todo o momento”.

Narloch – Já Márcia diz que a dor que sentiu hoje, foi a mesma que a tirou da São Silvestre e da Maratona de São Paulo ano passado. “Venho sentindo desde a olimpíada de Atenas, mas não queria ficar de fora do Pan do Brasil. Conversei com o meu treinador e decidi correr”. A partir do quilômetro 17 ela já pensava em abandonar a maratona, mas após o incentivo externo decidiu continuar e conseguiu chegar na segunda colocação. Segundo ela, 80% da conquista é do seu técnico.

Ela diz que não consegue mais realizar treinos de tiros sem sentir dores e, para não comprometer a participação no Pan, reduziu a carga de treinos às vésperas da competição, para tentar soltar a musculatura. Narloch se mostrou muito patriota ao afirmar que tentou combinar um jogo de equipe com Sirlene.

“Estávamos hoje aqui não para competir individualmente, mas para representar o Brasil. Eu queria montar uma estratégia, mas ela não me ouviu e disparou na frente. Na maratona deve-se começar mais leve e de forma progressiva aumentar o ritmo para chegar bem no final”, comenta a atleta que possui uma medalha de ouro no Pan de Santo Domingo. “Foi um aprendizado para ela, o bronze é um ótimo resultado”, ressalta como forma de incentivo à companheira.

Depois de passar por tantos esforços e sacrifícios, ela tem consciência que essa foi sua última participação em Pan-americanos e não sabe se vai continuar a correr, ou se a aposentadoria já faz parte de seus planos. “Agora vou competir provas importantes durante o ano e dia 31 de dezembro decido o rumo que vou tomar na carreira.”

A prova de maratona masculina acontece no próximo domingo (29) e os destaques brasileiros são Vanderlei Cordeiro de Lima e Franck Caldeira.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

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