Direto da Running Show – A quantidade de provas que se pode correr durante uma temporada foi o tema de um dos debates da maior feira de corrida da América Latina, a Running Show, que acontece até hoje na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo. Na mesa, para discutir o assunto, estavam os doutores José Fellipe Alloza e Giovani Delo Russo Neto, os treinadores Miguel Sarkis e Diego Lopaz, o diretor da Corpore, Mário Rollo e o atleta Paulo de Almeida.
Mas afinal quantas provas se pode correr? Com certeza você já deve ter perguntado isso e talvez não tenha chegado a um número exato de competições. Essa é realmente uma resposta difícil de ser respondida porque não pode e nem deve, ser generalizada. Cada pessoa tem um metabolismo e esse é o ponto de partida para se adequar à quantidade de provas.
O treinador e técnico de natação do Clube Pinheiros, Diego Lopaz, indica passar por uma avaliação médica antes de começar a correr e enfatiza a importância do treinador na decisão da quantidade de provas a serem competidas durante uma temporada. O treinador é fundamental nessa decisão. Ele deve conversar muito com seu atleta e saber até onde o mesmo pode ir. É isso que fará com que ele tenha um bom rendimento, explica Diego.
Segundo o biomédico e fisiologista Giovani Delo Russo Neto, as pessoas ainda utilizam pouco os exames e diagnósticos para otimizar o rendimento na atividade física. A avaliação clinica é fundamental. É ela que vai ajudar o treinador e o atleta a tomar decisões, diz o biomédico que indica uma avaliação prática na rua para somar. O diretor da Corpore, Mário Rollo acredita que quando se fala em provas, chega uma hora em que é preciso fazer escolhas. É como um rio que chega num delta e tem que escolher que caminho seguir a partir daquele ponto, explica.
Maratona – Outra questão bastante discutida durante o debate foi a maratona. Hoje em dia se fala em competir uma maratona com muita facilidade, o que assusta alguns profissionais e pode ser arriscado para atletas novatos. Para o mestre em ortopedia e traumatologia, Dr. José Fellipe Alloza, o fato da corrida de rua estar crescendo, é positivo quando se pensa em um aumento na qualidade de vida. Porém, é preocupante quando esses atletas com pouco tempo de treino e competições já querem participar de uma prova desse nível porque poucos têm condições de se tratar, diz.
O treinador Miguel Sarkis orienta seus alunos treinar mais do que competir quando a prova for longa. O atleta Paulo de Almeida frisa a importância de se preparar bem para essas competições que exigem mais não só fisicamente, mas psicologicamente também. Dormir oito horas por noite e descansar antes e depois das competições é fundamental.
Para encerrar o debate, foi levantada a questão se a culpa dos atletas participarem de muitas provas era das organizadoras que promovem em média mais de uma competição por final de semana. A conclusão que se chegou foi que isso não pode ser um problema, e que o atleta e o treinador é quem devem conversar e chegar ao número exato de provas que se deve correr.
Este texto foi escrito por: Yara Simões