Dias atrás participei de um evento sensacional organizado pela Mizuno, o Mizuno Talks, sobre o Ironman. Na mesa redonda, haviam vários treinadores renomados, além da presença da triatleta Bia Neres. Na pauta, a prova que muitas vezes se confunde até mesmo com o esporte: quando saber a hora certa de fazer um Ironman?
Por mais incrível que pareça, muitos triatletas iniciantes começam no esporte com o objetivo de completar o primeiro Ironman. Longe de criticar, os treinadores discutiram sobre algo extremamente importante e fundamental para quem deseja começar a competir no esporte: a evolução é de baixo para cima.
Ou seja, para evoluir de forma sadia, respeitando a própria adaptação do corpo ao treinamento, há de se passar pelas distâncias mais curtas, o que inclui os shorts, olímpicos e o Ironman 70.3.
De olho neste público crescente no triathlon, os mesmos organizadores do Ironman e Ironman 70.3 lançaram o circuito Tri Day Series, que conta com as distâncias sprint e olímpico. O objetivo é incentivar a formação de novos atletas no esporte, com até inclusão das categorias 14-15 anos e 16-17 anos na modalidade sprint.
Foto: Arquivo PessoalPara quem vem das corridas, é inevitável olhar com receio a modalidade sprint (750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida). Porém, por experiência própria, mesmo com cinco maratonas nas costas, o sprint é uma prova não só rápida, mas que exige bastante habilidade nas transições, algo que para os atletas iniciantes é a principal dificuldade.
Paralelamente, há de ressaltar que é normal a qualquer triatleta ter uma modalidade com maior dificuldade. A fobia de nadar no mar, o medo de cair da bike ou até mesmo a falta de experiência em correr podem comprometer não só o desempenho, mas até desestimular o atleta iniciante a competir.
Para isso, as provas individuais das modalidades, especialmente as travessias, ciclismo, meia maratonas e maratonas também são importantes, pois ajudam a dar um lastro ao atleta. O treinamento de transições também é fundamental e ao competir de forma gradativa no triathlon, a experiência ajuda a dar mais confiança para desafios maiores.
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Sendo assim, embora ainda tenha quem defenda fazer o primeiro Ironman sem nunca ter tido bons resultados nas distâncias curtas, a experiência de atletas profissionais, como o caso da Bia Neres, mostram que o planejamento para um desafio maior requer tempo, mas também experiência. Ela, por exemplo, se especializou em distâncias curtas por anos para agora se preparar para o primeiro Ironman.
Desta forma, a vivência no esporte, como também a competição gradativa colaboram para uma evolução saudável para o corpo – evitando lesões desnecessárias pela sobrecarga de treinos – como também uma longevidade no triathlon. Sonhar em completar um Ironman é um desejo de quase todos os triatletas, mas percorrer o caminho da evolução até uma prova ainda é para poucos.
Este texto foi escrito por: Giselli Souza