Por que os joelhos são tão exigidos em esportes como corrida e ciclismo?

Elizama Modesto | Saúde · 11 ago, 2025

“O joelho é uma articulação de passagem e transmissão de carga, ou seja, ele recebe impacto do solo durante a corrida e transmite força gerada pelos músculos durante o ciclismo. Em ambas as modalidades, o joelho funciona como uma alavanca biomecânica complexa, exigida a cada movimento”, explica o Dr. Adriano Leonardi.

Na corrida, cada passada pode gerar de 3 a 5 vezes o peso corporal em carga sobre o joelho, principalmente em descidas ou terrenos irregulares. Já no ciclismo, apesar de ser uma atividade com menor impacto, a repetição constante de movimentos (milhares de ciclos por treino) pode gerar microtraumas cumulativos, especialmente se houver desajuste na posição do selim ou desequilíbrios musculares.

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Quais são os principais músculos que devemos fortalecer para protegê-los?

Segundo o Dr. Adriano, existem três grupos musculares fundamentais para a proteção do joelho:

  • Quadríceps (especialmente o vasto medial oblíquo) – responsável por estabilizar a patela e controlar a descida de escadas, agachamentos e aterrissagens.
  • Glúteo médio e máximo – atuam no controle da pelve e do alinhamento do fêmur, reduzindo o valgo dinâmico do joelho (muito comum em corredores e ciclistas).
  • Isquiotibiais – ajudam na coativação com o quadríceps e protegem os ligamentos, especialmente o cruzado anterior, durante desacelerações e mudanças de direção.

“Sem o bom funcionamento e o equilíbrio desses grupos musculares, o joelho se torna vulnerável a sobrecargas articulares, lesões meniscais e condropatias”, alerta.

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Três exercícios simples e eficazes para o dia a dia

Para proteger os joelhos sem precisar de equipamentos, três exercícios simples podem fazer toda a diferença:

  • Agachamento com apoio na parede (Wall Sit): fortalece o quadríceps com controle. “A recomendação é manter os joelhos em 90° e a lombar apoiada. Comece com 30 segundos e vá progredindo.”
  • Ponte unilateral (elevação de quadril com uma perna): ativa glúteos e isquiotibiais, além de melhorar o controle pélvico e lombar.
  • Abdução de quadril em pé com elástico: fortalece o glúteo médio, que é fundamental para estabilizar a pelve e alinhar o joelho em atividades de impacto.

“Esses exercícios, feitos 2 a 3 vezes por semana, já oferecem um bom escudo muscular preventivo”, afirma.

Como identificar sinais precoces de sobrecarga ou risco de lesão?

“A escuta corporal é essencial”, destaca. Os sinais precoces mais comuns incluem:

  • Dor ou desconforto ao subir/descer escadas ou após longos períodos sentado (sinal de condropatia).
  • Sensação de instabilidade ou falseio, especialmente em descidas.
  • Inchaço discreto ao final do dia ou após treinos mais intensos.
  • Diminuição da amplitude de movimento ou rigidez matinal.

Além disso, o corpo costuma “avisar” com assimetrias no movimento, como pisada torta, compensações com a lombar ou inclinação do tronco. “Em atletas experientes, quedas de desempenho, perda de eficiência no pedal ou na corrida também são sinais de alerta”, completa.

A chave, segundo o especialista, “é intervir cedo, quando ainda não há lesão estabelecida. O joelho, quando fortalecido e bem alinhado, pode suportar décadas de atividade física com segurança.”

 

Elizama Modesto

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Jornalista por formação e apaixonada por contar boas histórias.