Tanto atletas de elite como amadores buscam o melhor preparo físico possível para competições. Uma das técnicas mais usadas é o treinamento em condições adversas, como altitude, que possuem baixas quantidades de oxigênio, levando o corpo humano ao limite.
Câmaras Hiperbáricas e máscaras ou tendas Hipóxicas também são uma formas bastante utilizadas para monitorar o oxigênio do ar no treinamento, mas especialistas brasileiros em medicina do esporte estão provando que o melhor jeito de conseguir um bom preparo aeróbico é a apnéia.
Jorge Ribera é pós graduado em medicina esportiva e ministrou uma palestra na Adventure Fair nesta quinta-feira mostrando duas experiências que realizou com resultados extremamente positivos. A primeira foi com o ultramaratonista Luciano Prado, que tem seis corridas com mais de cem quilômetros no currículo e, ajudado pelo treinamento em apnéia, é o atual recordista de corrida em esteira, com 249 quilômetros percorridos em 24 horas.
“Pouco antes da corrida eu me machuquei e se não fosse o treino com apnéia não ia conseguir”, contou Prado. Ele fez 12 sessões de treinamento e conseguiu uma marca de 3min40s no final, um aumento de 7% da capacidade aeróbica. O consumo de oxigênio no corpo também aumentou, cerca de 8%. “Para quem chega a raspar os pêlos para aumentar a performance, esse número é bem expressivo”, disse Ribera.
Mais pessoas – Outra experiência do médico foi com 16 pessoas, todos homens, “simplesmente porque eles não menstruam”, brincou Ribera. Foram 19 sessões de apnéia. “Percebemos que a porcentagem de oxigênio no sangue foi menor que no topo do Everest”, explicou. No cume da montanha mais alta do mundo o índice é de 58% de oxigênio, igual a uma pessoa sedentária de 80 anos, na apnéia chegou a 40% em alguns casos.
“Em situações normais, era para o indivíduo estar em coma nessas condições, mas eles saíam da água completamente normais nas últimas sessões de treinamento”, comentou. “Com isso, essas pessoas estão aptas a frequentarem altitudes sem problemas”, concluiu.
O médico do Corinthians Renato Lotufo também acompanhou o trabalho, e desenvolve o treinamento em apnéia no clube. Ele ministrou uma palestra na seqüencia de Jorge Ribera sobre a fisiologia do exercício em aclimatação.
“O treinamento baseia-se em limitar a oferta de oxigênio no corpo artificialmente, simulando altitude, para melhorar a performance. Esse ganho acontece porque o organismo tenta se adaptar às condições, e isso melhora a atividade física”, explicou Lotufo.
Antes a alternativa era ir treinar em maiores altitudes, “Mas existem contra indicações. Acima dos 3 mil metros a pessoa tem dificuldades na visão, atenção e poder cognitivo, além de diminuição da capacidade de treinamento, perda da massa magra e até dores de cabeça”, explicou. Todas essas desvantagens podem ser controladas quando a altitude é simulada.
Equipamentos – De invenções trabalhadas como um apartamento aclimatado mesmo ao nível do mar, até simples soluções como uma garrafa onde se respira de volta o ar que expirou, existem vários tipos de equipamentos que simulam altitude e colocam o atleta em condição hipóxica, de falta de oxigênio.
Em clubes de futebol, por exemplo, são usados filtos de oxigênio, um aparelho que diminui a quantidade do gás no ar ambiente, que o atleta inala enquanto se exercita. A própria apnéia é um dos métodos mais indicados para o aumento da performance. “Acredito que em um futuro próximo, esse treinamento será indispensável em provas de longa distância para melhorar a capacidade física do atleta”, concluiu Lotufo.
Mesmo com os bons resultados, é imprescindível o acompanhamento profissional para esse tipo de treinamento. A falta de oxigênio no corpo sem orientação pode causar desmaios e até morte. Mais informações podem ser encontradas no www.apneasports.com.br, ou direto pelo [email protected].
Este texto foi escrito por: Daniel Costa