Foto: Jale Ibrak/FotoliaDe acordo com uma lógica criada a partir de estudos antropológicos e pela experiência mal sucedida, com diversas tentativas de tirar o ser humano do seu curso natural de evolução, é preciso admitir que muitos erros foram e continuam sendo cometidos enquanto sociedade.
O fisioterapeuta e colunista do Webrun Claudio Cotter explica diversos fatos sobre esse tema tão polêmico.
1. O homem primitivo vem de uma sociedade caçadora-coletora, atividade que o levava a buscar o alimento na natureza e, às vezes, se deslocar por grandes distâncias para conseguir o alimento. Sua vida consistia, praticamente, em buscar o alimento, se alimentar, ajudar o desenvolvimento das crianças e descansar. E por milênios fomos desenvolvendo vários tipos de sociedade, nas quais as atividades eram baseadas nesse ciclo interminável.
2. Até a revolução industrial poucas atividade levavam o trabalhador a permanecer por muitas horas sentado e atrás de uma performance com metas de resultados. Neste novo tipo de sociedade moderna, somos estimulados a ficar horas sentados em linhas de produção, seja em uma fábrica ou em computadores, pois a produção intelectual em escritórios não deixa de ser em série.
3. Esta sociedade nos leva também a horas sentado assistindo a filmes nos horários de descanso. Neste ponto deixamos de lado a importância que tem o desenvolvimento cognitivo em um âmbito maior, no qual entendemos que um corpo bem coordenado, em termos motores, vive experiências mais complexas e faz conexões neurais de melhor qualidade. O esporte traz vivência de coletividade, contato social, importante no surgimento de ideias, novos conceitos e claro, os insights importantes que vem durante aquela corridinha no final dia.
Não tenho dúvida de que o esporte é uma ferramenta importantíssima para desenvolver uma sociedade saudável, não só em termos fisiológicos, mas também psico-sociais. Este é um momento de grande reflexão, no qual algumas empresas já começam a perceber que o trabalho sob pressão é contraproducente e fomentar atividade física, traz mais resultados de produtividade e saúde. Com isso o colaborador permanece na empresa para dar sequência aos projetos, explica o fisioterapeuta.
Algumas empresas tem também estimulado maior movimentação durante o turno de trabalho, proporcionando estações nas quais os colaboradores podem ficar de pé.
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Foto: Rido/FotoliaNão fomos feitos para permanecer sentadosr
Claudio já apresentou um artigo anterior sobre como as deformidades encontradas em vértebras de pessoas, que ficam por muitas horas sentadas, parecem indicar um involução. Surge um padrão mais parecido com o formato da vértebra de primatas, que ainda andavam com flexão da coluna lombar (cifose) e apoiados nas patas da frente.
Dicas
Não é possível inventar fórmulas mágicas, mas é importante lembrar que o corpo precisa de movimento o dia todo, não só ao final do dia. Sendo assim:
–Não passe mais do que 50 minutos sentado.
–Use um calçado com menos amortecimento e que possua maior percepção do solo. Não faço apologia ao minimalismo, mas correr com solas com muito amortecimento tira suas percepções e seria como, basicamente, ler em braile de luvas.
–Se habitue ao drop mais confortável, porém quanto menor, mais natural o seu movimento. Correr de salto alto não é uma boa.
–Assim como a distância que cada um corre está dentro do mais confortável, lembre-se de não pensar só em performance, pode ter certeza que apenas o movimento é sempre benéfico.
A única ressalva que faço é para quem busca diminuir o tempo em provas. Este é outro tipo de desafio, no qual não estamos pensando em qualidade de vida. Neste caso, há maior exposição a lesões, portanto é necessário prestar atenção na periodização dos treinos e a gradatividade nas adaptações fisiológicas, além da mudanças de ritmo, terreno, tipo de calçado, temperatura. Na verdade, é preciso prestar atenção em absolutamente tudo, finaliza Cotter.
Este texto foi escrito por: Christina Volpe