Música atrapalha ou melhora o desempenho na corrida?

Redação Webrun | Atletismo · 12 jul, 2007

Cristiane evita música em treinos de tiro (foto: Ricardo Leizer/ www.webrun.com.br)
Cristiane evita música em treinos de tiro (foto: Ricardo Leizer/ www.webrun.com.br)

Atualmente muitas pessoas não conseguem correr sem seus fones de ouvidos. Movidos com muita música, as batidas sonoras são um incentivo a mais para a corrida. Mas praticar exercício físico com MP3 player nem sempre é tão bom.

A americana Cheryl Risse, por exemplo, 32 anos, foi atropelada por um trem enquanto treinava na Flórida. De acordo com jornal local, ela caiu na linha do trem e não escutou que a locomotiva estava perto. Cheryl estava com seu MP3 ligado e com o acidente teve suas duas pernas amputadas.

Segundo o treinador Nelson Evêncio, no Brasil também há casos de atropelamentos causados pela distração que a música nos leva. Esse tipo de acidente normalmente acontece em vias públicas ou em parques com muito movimento de bikes e carros, por exemplo, a Cidade Universitária, em São Paulo.

Por essa razão quase todos os treinadores não gostam que seus alunos corram com música. O treinador Marcos Paulo Reis acredita que, além disso, a música também prejudica o desempenho do atleta. “Num treino com mais qualidade você tem que se preocupar com coisas mais importantes. Do ponto de vista de segurança, você deve usar o MP3 em local abrigado. Fora isso você não deve usar. Isso porque você corre o risco de não reagir ao estímulo de uma buzina, por exemplo”.

O maratonista e também treinador, Adriano Bastos, concorda com Marcos Paulo, mas ele lembra que psicologicamente a música ajuda. “Numa competição a música pode acabar distraindo sim e atrapalhando, porque com a música não prestamos atenção no ritmo e nas passagens de quilometragem. Mas em treinos leves e treinos longos, a música acaba sendo um aliado no psicológico”, revela.

Bastos ainda confessa que a música muitas vezes espanta a fadiga. “Eu ouço música correndo apenas em alguns treinos mais leves ou nas rodagens longas para dar uma distraída. Dependendo da música é como se você ligasse o botão de turbo, dá um aumento na adrenalina, você se empolga e começa a correr num ritmo mais forte, mas sem a sensação de cansaço”, diz.

O Parque do Ibirapuera, em São Paulo, é um local liberado para correr com MP3. Como não há trânsito de carros nos percursos, o esportista não corre o risco de ser atropelado. Lá sempre há dezenas de corredores que estão ligados numa música animadora.

Fernando Lelis, 37 anos, corre no Ibirapuera escutando rádio. “Corro com rádio para relaxar. Mas nas provas faço uma playlist de acordo com o ritmo que quero correr. As músicas mais fortes eu deixo para o final”, revela. Já Michele Viana não dispensa uma “black music”. “Dá um ânimo na corrida. Você corre junto na batida”, conta.

Outra freqüentadora do Ibirapuera, Cristiane Savieto, lembra que em treinos de tiro não dá para escutar música. “Ela ajuda nos treinos longos pela distração, mas atrapalha nos tiros. Em treinos curtos temos que ver muito o tempo, a passada, o braço entre outros”.

A música pode ser um aliado na hora do treino. Mas não esqueça que ela também pode se transformar em vilão. Cabe o corredor se conscientizar e fazer o melhor, sempre com cuidado.

Este texto foi escrito por: Donata Lustosa

Redação Webrun

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