Mudanças na USP põem em xeque presença de atletas no campus

Redação Webrun | Corridas de Rua · 20 mar, 2013

Ruas da USP podem deixar de ter corredores (foto: Divulgação/ ZDL)
Ruas da USP podem deixar de ter corredores (foto: Divulgação/ ZDL)

Um dos locais mais populares entre os praticantes de corrida em São Paulo é a Cidade Universitária. As ruas da Universidade de São Paulo (USP) se transformam em um parque de diversões para corredores todo sábado. Não importa o clima ou estação do ano, as assessorias esportivas e atletas estão sempre por lá, dando cor ao cinza da Avenida Professor Melo Morais.

Há mais de 20 anos corredores frequentam as ruas da USP e com eles, os treinadores também começaram a integrar o público que faz uso do espaço público da universidade. Com a evolução e crescimento do esporte, o que antes se limitava a 20 assessorias, hoje cresceu para mais de 100.

Uso do espaço público– De acordo com Martha Dallari, vice-presidente da Associação dos Treinadores de Corrida (ATC), desde 2001 a organização dialoga abertamente com a USP, mas somente no início dessa década que a prefeitura da Cidade Universitária estreitou esse relacionamento.

“No início de 2010 o Walter Feldman (secretário de esportes de São Paulo na época) disse para elaborarmos um documento com as nossas demandas e até um projeto com o objetivo de integrar a Universidade com o esporte foi apresentado, mas nada evoluiu dessa conversa”, explica Dallari.

A vice-presidente conta que somente no final de 2011 a ATC foi procurada novamente pela USP para a discussão do uso do espaço público da Cidade Universitária. Porém, mais uma vez nenhuma providência foi exposta aos assessores esportivos.

“Ele (Jose Sidnei Colombo Martini, prefeito da Cidade Universitária) disse que não haveria a menor hipótese de tirar o esporte da USP, mas ele gostaria de um projeto que integrasse a prática esportiva com a Universidade. Mas novamente foi ‘Crtl+Alt+Del’, desapareceu tudo que foi discutido”, lamenta Dallari.

Autoritarismo– Porém, no dia oito de março, às 16h48, a prefeitura da Cidade Universitária enviou um comunicado para alguns treinadores e rompeu com o canal aberto de diálogo. O e-mail informava que as tendas das assessorias poderiam ser erguidas somente na Avenida Professor Melo Morais, mais conhecida como a avenida da Raia.

Esse comunicado colocou em xeque todo o relacionamento construído entre a ATC e a USP, além de acabar abruptamente com o hábito dos grupos que frequentam o campus. “A fundação da Associação está muito ligada a Universidade. A gente sabe que o problema é complexo, mas o grande avanço hoje é discutir exatamente o compartilhamento do espaço público”, explica Dallari.

Sem saber o porquê dessa tomada de decisão unilateral, a vice-presidente da ATC diz que todas as assessorias já cumprem a determinação imposta, mas não sabe o que acontecerá a partir de agora. “Eu não sei o que ‘azedou’, a gente não entendeu. Eles dão uma orientação provisória, nos obrigam a se espremer, para dizer que até o fim desse semestre isso vai ser resolvido. O problema foi a forma autoritária que tudo foi conduzido”, conclui.

Em nota, a prefeitura da Cidade Universitária explica que a necessidade de mudança de lugar das assessorias surgiu por causa de mutirões emergenciais de manutenção no campus. O comunicado ainda salienta que a USP foi projetada para abrigar atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Este texto foi escrito por: Renato Aranda

Redação Webrun

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