Hoje é Dia do Médico

Redação Webrun | Corridas de Rua · 18 out, 2003

Médico prestando os primeiros socorros em corredor (foto: Harry Thomas Jr  Arquivo WebRun)
Médico prestando os primeiros socorros em corredor (foto: Harry Thomas Jr Arquivo WebRun)

Diante do sofrimento, da cura às vezes impossível, das incompreensões, das más condições de trabalho, tirar a dor é a maior conquista, trazer a vida é a maior alegria, reanimar da morte em verdade mexe com ele. Ao se dar conta do que fez, silenciosamente e a sós agradece a Deus!

Hipócrates, (460? 377 a.C.) Considerado o Médico mais importante da Antigüidade e o “Pai da Medicina”, nasceu na ilha de Cos, 460 anos a.C., e pertenceu ao ramo de Cos da família Esculápio (ou Asclepíades) por descendência masculina. O termo esculápio é igualmente empregado para designar os médicos em geral, na medida em que praticam a arte de Esculápio (ou Asclepios), o Deus da medicina na época clássica. Segundo esta tradição, a família de Hipócrates era descendente de Podalira, único dos dois irmãos que sobreviveu à guerra de Tróia (1194-1184 a.C.).

Segundo algumas biografias, o grande Hipócrates é o décimo-nono descedente de Esculápio e o vigésimo a partir de Zeus. Seu nome é associado ao juramento hipocrático, embora seja bem possível que ele não tenha sido o autor do documento. Na verdade, das quase 70 obras que compõem o “Corpus hippocraticum”, é possível que ele tenha escrito apenas seis. A maior parte desses textos foi escrita entre 420 e 350 a.C. e ajudou a definir as origens da tradição médica do Ocidente.

Escritas por muitas mãos e exibindo diversos estilos e posições teóricas, as obras hipocráticas tratam de muitos aspectos da doença e da saúde, incluindo o diagnóstico, a cirurgia, a higiene e a terapêutica. Entre as mais significativas idéias hipocráticas estava a de que a doença tem causas naturais, não sendo um evento provocado pelos deuses ou por forças sobrenaturais.

Um dos trabalhos discorre sobre a epilepsia, argumentando que essa doença resulta de bloqueios no cérebro. Outro examina o papel das condições ambientais no aparecimento das moléstias no indivíduo e de epidemias na comunidade. A doutrina hipocrática dos humores (sangue, bílis amarela, bílis preta e fleuma), elaborada em “A Natureza do Homem” e outros trabalhos, diz que a saúde é o resultado do equilíbrio desses quatro humores e a doença resulta do desequilíbrio entre eles. Os hipocráticos interpretavam vários sintomas de doença (vômito, tosse, suor excessivo, urina escura e outros) como a tentativa do corpo de se livrar do excesso ou da falta dos humores.

O papel do médico era ajudar a natureza através de medicamentos, sangrias, mudanças na dieta, massagens e outras medidas. Para fazer isso, ele precisava saber qual era o equilíbrio humoral de cada paciente individual. A doutrina dos humores foi a base de boa parte da prática médica até o século XIX. PS fonte consultada : “Hippocrates”. Jacques Jouanna Fayard. Paris, 1992.

Eis o original JURAMENTO DE HIPÓCRATES (declamado em todas as formaturas médicas):

Juro por Apolo, o curador, por Esculápio, Higeia e Panaceia, e tomando por testemunhas todos os deuses e deusas, que cumprirei com todas as minhas posses e em plena consciência e os seguintes preceitos: respeitarei os meus mestres tanto cuidarei dos seus descendentes como meus irmãos e ensinar-lhes-ei esta arte, se assim o pretenderem, sem receber qualquer pagamento e sem restrições; deixarei participar das lições orais e da prática médica em primeiro lugar os meus filhos, os filhos dos meus mestres e depois aqueles que, por compromissos e juramentos, se declarem meus discípulos e acatem as regras da profissão, e a mais ninguém além deles. Prescreverei aos enfermos, segundo o melhor juízo e o meu saber, o regime conveniente para seu benefício, preservando-os de qualquer dano. Defender-me-ei das súplicas e dos agrados de quem quer que seja para lhes ceder venenos que possam causar a morte, nem tomarei a iniciativa de tal sugestão. Do mesmo modo, não fornecerei às mulheres meios de impedir a concepção ou o desenvolvimento da criança. Em todas as circunstâncias exercerei a minha arte com pureza e honestidade. Não ousarei praticar a operação da pedra, mesmo nos enfermos em que a doença seja manifesta, confiando-os aos que se ocupem especialmente dessa prática. Em qualquer lar em que entre, terei apenas em mira o proveito dos doentes, abstendo-me de toda a ação prejudicial e corruptora, sobretudo quanto à voluptuosidade nos contactos com homens e mulheres, sejam livres ou escravos. Tudo do que eu tiver dado fé, durante a cura ou fora dela, na vida familiar, conservá-lo-ei secreto, se não me for permitido divulgá-lo. Se eu mantiver e observar este juramento com fidelidade, que me sejam concedidas vida afortunada e honra na profissão, e que a minha fama se propague entre os homens e perdure no tempo: mas se eu me desviar dele ou o violar, que a sorte me seja adversa.

Este texto foi escrito por: Dr. Nabil Ghorayeb

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