Henrique Avancini termina temporada 2013 como o melhor das Américas no MTB

Redação Webrun | Mulheres · 22 jan, 2014

Aos oito anos, com uma bike construída a partir de sucatas, Henrique Avancini se alinhava para a largada de sua primeira competição. Desde então, a bicicleta montada por seu pai foi aposentada. O quadro todo remendado deu lugar a outros melhores e mais modernos hoje Avancini, 24, faz parte da equipe de competição da Caloi e recentemente se tornou atleta Red Bull e a técnica e resultados do ciclista fluminense também se tornaram cada vez mais relevantes.

Hoje Avancini ocupa a 15ª posição no ranking mundial da União Ciclística Internacional, posto que lhe coloca como o melhor atleta pan-americano da categoria. “Desde os 12, 13 anos encaro o esporte com muita seriedade. O ponto principal do meu treinamento é colocar o moutain bike como parte do meu dia a dia, então é o dia todo, todo o dia pensando no esporte”, afirma o ciclista.

O caminho que o fluminense precisou trilhar para alcançar a melhor posição que um ciclista nacional já ocupou entre os grandes do mundo envolveu muitas subidas, descidas, valas e quedas, literalmente. Um dos trunfos de Avancini é conseguir treinar mais que a maioria dos atletas profissionais. Essa disposição vem da época da bicicleta remendada por seu pai. “Meus pais não me deixavam pedalar mais do que meia hora por dia e eu acabava ficando duas, três horas em cima da bicicleta e depois não tinha disposição para estudar”, confessa.

Em 2013 o ciclista competiu por 10 meses e alcançou o melhor resultado de sua carreira e brasileiro em provas internacionais: foi campeão da etapa Munsigen da Liga Alemã. Para chegar lá, Avancini levou seu corpo ao extremo com uma metodologia de treino baseada em volume.

“Essa é a forma em que eu consigo alcançar resultados. O volume do meu treino é muito alto. Estou com Hélio Souza, meu treinador, desde 2009 e praticamente seguimos uma nova linha de treino para moutain bike”, explica. Durante a atual temporada o ciclista permanecerá boa parte do ano sobre sua bicicleta, mas encarando as competições no exterior. O foco dele é melhorar sua posição no ranking e estar cada vez mais preparado para a Olimpíada de 2016.

Avancini competiu por 10 meses em 2013. Para a atual temporada o ciclista planeja diminuir sua maratona de competições - Foto: Divulgação/ Caloi Avancini competiu por 10 meses em 2013. Para a atual temporada o ciclista planeja diminuir sua maratona de competições – Foto: Divulgação/ Caloi

Segurança nas primeiras pedaladas– Até chegar ao posto de melhor moutain biker das Américas, Avancini precisou passar por muitas trilhas até aprimorar sua pilotagem e técnica. Para quem está começando no esporte, o ciclista passa algumas dicas importantes para melhorar o desempenho e se proteger de lesões.

“O essencial é usar os equipamentos de segurança. O primeiro e indispensável em qualquer distância, terreno ou nível técnico do ciclista é um bom capacete. Depois disso, óculos e luvas para proteger as mãos de escoriações. Por último eu indico as sapatilhas. Elas dão mais estabilidade, isso deixa a pedalada mais segura”, afirma.

Além dos equipamentos de segurança, conversar com alguém experiente no esporte pode ajudar na hora de escolher uma trilha, diz Avancini - Foto: Divulgação/ Caloi Além dos equipamentos de segurança, conversar com alguém experiente no esporte pode ajudar na hora de escolher uma trilha, diz Avancini – Foto: Divulgação/ Caloi

Outro ponto que Avancini aconselha é saber cair. “Eu, como estou sempre no limite, caio muito nos treinamentos. Na hora do tombo o importante é não apoiar diretamente as mãos no chão. Cair com a lateral do corpo e rolar ajuda a evitar lesões como fraturas nas mãos, braço e clavívula”, explica. Ele ainda lembra que é muito importante estar sempre de cabeça erguida e segurar firmemente o guidão com os indicadores sempre apoiados nos manetes de freio.

Força total subida– Além dessas questões de segurança, o ciclista aconselha que os iniciantes no moutain bike procurem conversar com pessoas mais experientes, pois “só assim você conhece melhor o local onde treina ou pedala por lazer”. Saber como extrair o máximo de cada pedalada é também muito importante na hora de encarar subidas íngremes.

“Posicionar o corpo na ponta do selim ajuda a deslocar o peso da roda traseira, fazendo com que não haja derrapagens. Outro movimento é de abaixar o tronco na altura do guidão para aumentar a potência colocada em cada pedalada, mas sempre fazer isso com a cabeça erguida”, detalha Avancini, reforçando que é necessário também força muscular para conseguir ultrapassar algumas subidas. “Se você ainda não estiver preparado, desça da bike e empurre. Isso é normal no moutain bike.”

O ciclista encerra suas dicas explicando um movimento mais técnico, porém importante para conseguir elevar o nível da pedalada. “A maioria dos ciclistas amadores transferem potência para o pedal somente quando o pé está posicionado de 10° a 170°. Quando ‘limpamos o pé’, ou seja, puxamos o pedal como se estivéssemos passando o pé em um tapete, nós também transferimos potência para o pedal”. Isso otimiza o esforço físico, pois ele não acontece somente na hora de empurrar o pedal.

Este texto foi escrito por: Renato Aranda

Redação Webrun

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