
Franck levou o ouro (foto: Thiago Padovanni/ www.webrun.com.br)
O brasileiro Franck Caldeira comenta que a vitória de hoje se deve à uma tática arriscada e que só deu certo pois aumentou os treinamentos longos durante o tempo de preparação. Ele vinha atrás de Amado Garcia até o quilômetro 28, ocasião em que aumentou a passada, encostou no corredor da Guatemala e o ultrapassou.
Direto do Rio de Janeiro – Fiz um mês de treinos na altitude da Bolívia e três semanas de preparação e aclimatação no Rio de Janeiro. Em vez de fazer duas sessões de 10 quilômetros por dia, aumentei para 15 e, nos longões chegava ao final dos 40 quilômetros com sobra, o que me permitiu fazer o que fiz hoje, ressalta o campeão.
A idéia inicial era sair para a definição no quilômetro 38, mas ao ver o adversário se distanciar muito antes dessa marca, ele resolveu ir atrás. O ritmo estava muito forte, mas eu não poderia deixar de pegar o ponteiro e consegui abrir para vencer. Na São Silvestre do ano passado muitos disseram que ele só ganhou, pois corredores fortes como Marílson Gomes, Vanderlei Cordeiro e Paul Tergat não participaram.
Não pode-se ter rivalidade no atletismo, temos todos que representar o Brasil. Hoje mais uma vez mostrei que tenho potencial e dedico a medalha às pessoas que acreditaram em mim desde o início. Aos poucos as outras pessoas reconhecerão meu trabalho e isso é o mais importante, desabafa o corredor. De acordo com ele, no Brasil há uma cultura de que maratonistas tem que ser mais velhos e geralmente em fim de carreira.
No Japão e em alguns países da África garotos de 19 e 20 anos já fazem preparação para maratonas. No meu caso eu optei essa distância para poder ganhar mais dinheiro, ressalta sobre a falta de reconhecimento que os cinco e 10 mil metros de pista têm no país.
Jogo de equipe – Já sobre um assunto muito corriqueiro nas provas de triathlon e também na maratona feminina, o jogo de equipe, Franck comenta se houve algum tipo de estratégia com Vanderlei Cordeiro. Ele era um adversário para mim e vice-versa. Eu sabia que se ele estivesse na frente, faria de tudo para me desgastar e garantir a vitória. Apesar de se considerarem adversários, eles deixariam a briga apenas para o final da prova. Fiz o trabalho de me manter com o pelotão até o quilômetro 28 junto com o Vanderlei e achei estranho quando ele não veio atrás na minha disparada contra o guatemalteco.
O medalhista de ouro só ficou sabendo que o compatriota teve problemas de cãimbras ao cruzar a linha de chegada e obter informações com a comissão técnica. Achei que ele pudesse ter uma estratégia diferente, mas é uma pena que não tenha completado, ele é uma herói para todos nós.
Ele agradeceu muito ao público, que a todo o momento o incentivou e deu forças para que continuasse rumo à vitória Pan-americana. Esse apoio é importante para os maratonistas não se sentirem tão solitários, comenta Franck. A torcida me incentivou desde a época da qualificação para o Pan.
Ainda sem índice para chegar às Olimpíadas de Pequim em 2008, ele diz que pretende correr uma Maratona na Europa, provavelmente na Itália, para assegurar a participação. Eu tenho minha melhor marca nos 10 mil na Itália, é uma percurso muito rápido.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda