Dor muscular do dia seguinte: saiba as causas e consequências

Redação Webrun | Outros · 14 out, 2014

Ao contrário da dor muscular aguda e imediata durante um exercício físico extenuante — com aquela sensação de queimação dos músculos que todos nós já experimentamos — a dor muscular de início tardio, ou delayed onset muscular soreness (da sigla DOMS, em inglês), é consequência do processo inflamatório em curso durante exercícios físicos intensos e não pelo acúmulo de lactato (ou ácido lático) que representa a causa da dor muscular imediata.

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Também conhecida pelos sinônimos “dor muscular do dia seguinte” ou “dor por micro-traumas”, a DOMS apresenta um mecanismo fisiológico distinto da dor muscular aguda. Em situações de exercícios extenuantes, ocorre o acúmulo de ácido lático/lactato que proporciona um ambiente ácido no músculo pela produção de íons hidrogênio e provoca o que é chamado de acidose metabólica e, consequentemente, a dor.

O quadro clínico da DOMS é de natureza transitória. Foto: BlueSkyImages/Fotolia O quadro clínico da DOMS é de natureza transitória. Foto: BlueSkyImages/Fotolia

O que acontece

O lactato é metabolizado (decomposto) no fígado por um complexo conjunto de reações químicas, chamado de ciclo de Cori, ao mesmo tempo em que o bicarbonato de sódio produzido é decomposto e removido pela respiração.

Em relação ao mecanismo responsável pelo desenvolvimento da dor muscular de início tardio, o exercício intenso não provoca apenas o acúmulo de ácido lático, mas também os micro-traumas na musculatura envolvida. Estes são os responsáveis pelo desenvolvimento do processo inflamatório e produção de algumas substâncias, como as prostaglandinas que causam as dores.

Sintomas

O quadro clínico da DOMS é de natureza transitória e caracterizado por dor, edema (inchaço), perda parcial do movimento articular, diminuição da flexibilidade e perda parcial da força muscular do membro afetado. Internamente, podem ocorrer aumentos dos níveis séricos (sangue) de enzimas como a creatina quinase (CK), desidrogenase lática (LDH), mioglobina e fragmentos da cadeia pesada de miosina.

A medida da CK nos dias seguintes ao exercício orienta a recuperação do atleta, mas seu perfil é individual: varia de pessoa para pessoa e não deve ser utilizada com comparações a valores absolutos.

Como tratar

São descritos fatores que atenuam o quadro inflamatório pós-exercício a ingestão de carboidratos e proteínas, uso de roupas compressivas como bermudas e meias, e o uso de gelo (crioterapia), indicado pelos estudos como o procedimento mais eficaz no controle da DOMS.

Ingestão de carboidratos, proteínas e imersão em gelo podem aliviar os sintomas. Foto: Arte Webrun (al62-neomidavid-volff/Fotolia Ingestão de carboidratos, proteínas e imersão em gelo podem aliviar os sintomas. Foto: Arte Webrun (al62-neomidavid-volff/Fotolia

A imersão em gelo deve ser imediata após o exercício, desta forma diminuindo o tempo de recuperação do atleta através da diminuição da temperatura tecidual e da diminuição do metabolismo muscular, provocando um efeito analgésico e atenuando a resposta inflamatória causadora da dor.

Este texto foi escrito por: Dr. José Marques Neto

Redação Webrun

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