O governo da Rússia promoveu uma indústria para manipular resultados no atletismo, subornando dirigentes, comprando resultados, criando laboratórios secretos e mesmo destruindo mais de 1,4 mil amostras de sangue de atletas antes que fossem examinados. Estas afirmações fazem parte de um relatório divulgado pela Wada (Agência Mundial Antidoping), que revela o maior escândalo da modalidade e que pode ameaçar a participação do atletismo russo nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Para os investigadores, o uso de substâncias proibidas é “consistente e sistemático”.
O Rio de Janeiro vai sediar os Jogos Olímpicos em 2016. Foto: Dodoedo/CC BY 3.0Em uma coletiva de imprensa em Genebra, nesta segunda-feira (09/11), um comitê da Wada promete detalhar as descobertas. Mas dados apontam que os russos teriam pago milhões de dólares para evitar que seus atletas fossem banidos por doping e que teriam construído até mesmo um laboratório paralelo para onde as amostras seriam enviadas. Apenas aquelas que estivessem limpas seriam repassadas para os laboratórios oficiais e com controle internacional.
As descobertas prometem criar uma das maiores crises já vividas pelo esporte e coloca pressão sobre o COI para que suspenda a Rússia dos Jogos Olímpicos. Segundo o relatório, a IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo) “fracassou” em evitar os casos na Rússia e os investigadores recomendam que todos os laboratórios russos sejam descredenciados. “A aceitação do doping em todos os níveis é generalizada”, diz o documento da Wada, ao afirmar que a prática do doping envolve atletas, médicos e dirigentes. “Atitudes não éticas se transformaram em lei.”
A Wada também alerta que a “busca por medalhas por ganhos financeiros é pronunciado”. Os atletas que não aceitassem participar do “programa” russo seriam excluídos das equipes. Os investigadores insistem que muitos atletas se recusaram a participar do processo. Mas alertam que os diretores dos laboratórios de testes na Rússia eram os responsáveis por fornecer as substâncias. A Wada ainda apontou que o governo russo “interferiu diretamente” nas operações dos laboratórios.
Este texto foi escrito por: Redação Webrun