
Largada da corrida Friendship (foto: Donata Lustosa/ www.webrun.com.br)
Direto de Nova York – Um dia antes da Maratona de Nova York acontece na ilha de Manhattam a tradicional corrida Friendship Run. A prova reúne os corredores estrangeiros da maratona e seus familiares. Todos correm cerca de sete quilômetros. O curioso é que cada país tem a sua bandeira representada e muitos participantes vão com roupas típicas.
Alguns japoneses, por exemplo, estavam vestidos de gueixas, enquanto os holandeses correram com os famosos tamancos do país. O Brasil não estava de fora. Os representantes canarinhos estampavam as cores e a bandeira do país.
Numa verdadeira festa esportiva, os corredores cantavam e dançavam durante a prova. A largada foi dada na frente do prédio das Nações Unidas e a chegada aconteceu no Central Park, mesmo local que a Maratona de Nova York irá terminar.
Uma das tradições da Friendship Run é a troca de camisetas e lembranças do país natal no final da corrida. Assim cada corredor leva camisetas de corrida do seu país e troca por outras camisetas, bonés ou objetos de outros países. A linha de chegada da prova se transforma num verdadeiro mercado de nacionalidades.
Brasil- No final da Friendship Run os brasileiros se reuniram na frente de uma grande bandeira do país. A carioca Denise Amaral fez isso nessa amanhã pela décima quarta vez. Ela já correu 59 maratonas, 13 só em Nova York. Nessa edição ela também veio com um grupo de brasileiros da agência Kamel para dar todas as dicas da prova.
Não preciso nem falar que gosto da prova de Nova York. Aqui é muito bom porque a cidade abraça a prova. O percurso é muito difícil por causa das subidas, mas em compensação o público é muito receptivo. É até engraçado, porque as pessoas querem ajudar você durante a prova e te dão bala, biscoito, papel higiênico, ou seja, eles acham que estão te ajudando e na verdade estão. Por isso Nova York é a meca, todo mundo quer participar, conta a experiente maratonista que se apaixonou pelo esporte em 1982.
Minha primeira prova longa eu corri com o tênis da minha amiga, um número menor, perdi oito unhas do pé. Mas depois disso nunca fiquei um ano se quer sem correr uma maratona, conta. Seu marido também corre, e já participou de mais de 20 maratonas. As minhas férias dependem das corridas. Esses dias são tão intensos que é melhor do que uma férias comum, revela.
Mas muitos brasileiros, que estão em Nova York, são estreantes da competição. Maria Aparecida Cardoso é uma delas. Essa será a primeira maratona da esportista fora do Brasil. Estou adorando. Apesar do frio, a Maratona de Nova York se transforma numa festa. Isso é muito bom, comenta Maria Aparecida, que pretende terminar a prova em 4h10.
Um outro participante peculiar da prova é o carioca Antônio Maciel. Essa será a sua quarta Maratona de Nova York. Todos os anos ele é convidado para correr, mas ele participa da categoria amputados.
Maciel começou a correr em 2002 depois que perdeu as duas pernas num acidente de carro. Sua primeira maratona, com prótese, foi feita em seis horas. Por causa da sua perseverança e exemplo, os organizadores de Nova York premiaram o atleta. Ganhei um prato de cristal de uma das lojas mais caras de Nova York. Me senti lisonjeado. Gosto muito de vir para cá. A única coisa ruim é que corro na mesmo categoria dos amputados de uma perna só. Porém, sempre chego antes de quase todos, conta.
A largada da Maratona de Nova York acontece no domingo (5) às 9h35 para a elite feminina e às 10h10 (horário local) para a elite masculina e pelotão geral. Cerca de 35 mil pessoas participam da prova. O Brasil será representado por 275 pessoas.
Este texto foi escrito por: Donata Lustosa