Como começar a correr com o pé mais próximo ao chão?

Redação Webrun | Outros · 21 mar, 2014

Na nossa prática diária, baseamos nosso conhecimento e atendimento aos pacientes em dados científicos e a própria experiência de atendimento, isso nos dá discernimento para analisar as novidades e avaliar o que pode ser positivo ou negativo na evolução de técnicas e acessórios desenvolvidos para o esporte.

Claudio é fisioterapeuta-assistente da Confederação Brasileira Macabi e ex-fisioterapeuta da Seleção Brasileira Feminina de Futebol. Foto: denistak/Fotolia. Claudio é fisioterapeuta-assistente da Confederação Brasileira Macabi e ex-fisioterapeuta da Seleção Brasileira Feminina de Futebol. Foto: denistak/Fotolia.

Apesar de todos os recursos de pesquisa por revistas e sites com inúmeros artigos, palestras, congressos, nada substitui a experiência de passar por um processo e sentir na pele o que o atleta sente.

Já mudei muito de marca de tênis de corrida, mas nos últimos 10 anos fui fiel a um modelo, ao qual me adaptei e sempre percebi que a cada nova versão ficava mais confortável. Não vem ao caso qual o modelo, pois cada um se adapta melhor a um modelo específico, varia muito de pessoa para pessoa.

O caso é que, nos últimos anos, tenho me apaixonado pela ideia de correr com o pé mais próximo do chão.

A ideia do minimalismo, somado aos artigos que ressaltam a possibilidade de adaptação desde 2010 com o estudo publicado na Nature e agora mais estudos do mesmo autor, Daniel Lieberman, já demonstra não só que sofremos menos impacto pousando com a parte da frente dos pés no chão (ante-pé), como que, em estudo recente num grupo de 52 corredores, os que pousam com o calcâneo tendem a se lesionar o dobro de vezes, do que os que pousam com o ante-pé, me fizeram realmente embarcar neste processo adaptativo.

Outros fatores me influenciaram também na tomada de decisão, o fato de gostar muito de andar descalço e de que trabalho de sapatênis (sem salto) foram decisivos. Dei início a minha longa adaptação aos tênis minimalistas, até porque, quando um paciente me pergunta o que acho de uma mudança como esta, gosto de ter a resposta na ponta da língua.

Depois de dois meses neste processo de adaptação, posso afirmar que quanto mais lento o processo, menor a chance de se lesionar. Nas pequenas distâncias, até 10 quilômetros, para quem está acostumado com treinos de 20 quilômetros, a sensação é de que a adaptação será fácil, mas quando começamos a passar para treinos intervalados mais intensos e provas mais longas, percebemos que não é tão fácil assim.

Aparecem dores musculares em lugares que você nunca teve, acumulam-se tensões onde nunca acumulamos antes e esse é o processo de adaptação, é uma mudança de postura de corrida. Não esperem que seja fácil e rápido, é dolorido e demorado!

Já vi pacientes e companheiros de corrida com fraturas por estresse e tendinopatias por tentarem acelerar o processo. Neste caso podem ter certeza que “a pressa é inimiga da perfeição”. Recomendo inclusive sessões de fisioterapia e acupuntura para reequilíbrio das tensões musculares, o que torna a adaptação menos dolorida. Lembrem-se que o fisioterapeuta e o treinador, trabalhando em parceira, podem sempre ajudar a melhorar sua performance e evitar lesões de forma preventiva. Melhora de performance não se alcança só com bons resultados de tempo, mas sim com uma série bem planejada de bons resultados, pois não adianta a cada vez que alcançar uma nova marca, ter que ficar parado um mês ou mais por causa de lesões.

Bons treinos!

Este texto foi escrito por: Claudio Cotter

Redação Webrun

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