
São Pedro fechou as torneiras do céu durante a largada (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
A primeira edição da Meia Maratona de Iguazu, realizada na cidade de mesmo nome no último sábado (20/10), recebeu cerca de 200 corredores de diversos países, que encararam chuva, umidade e um percurso que passou por paisagens de natureza preservada. A vitória ficou com um atleta argentino entre os homens e uma americana entre as mulheres, que correram pelas rodovia do interior do Parque Nacional.
A largada aconteceu às 10h em frente ao portão principal do parque em direção ao centro da cidade. São Pedro, que mandou uma tempestade na madrugada anterior, foi generoso e aliviou a quantidade de água para o início da competição.
Logo de cara o argentino Alejo Baldino disparou na frente, tendo o brasileiro Osmar Leandro da Silva em seu encalço. O Hermano não aliviou o ritmo em nenhum momento, enquanto o brasileiro vinha em seu encalço mantendo alguns metros de distância, para evitar uma fuga. Após diversas subidas e descidas, os corredores entraram por uma bifurcação na Rodovia que leva ao aeroporto, momento em que a chuva passou a ser uma companheira fiel, aumentando de intensidade ao mesmo tempo em que eles diminuíam a distância rumo à linha de chegada.
Osmar ameaçou um ataque após o último retorno que os levaria novamente ao ponto de largada para completar os 21 quilômetros, mas Alejo conseguiu um fôlego extra para cruzar em primeiro com o tempo de 1h16min49, uma das melhores marcas de sua carreira. Foi uma prova muito bonita, com ótimas paisagens e gostei bastante do clima também, relata o campeão. Tive uma disputa muito intensa com o brasileiro, que não me deixou escapar. Nos últimos três quilômetros precisei acelerar e não esperava fazer esse tempo, completa o atleta que mora e treina na cidade de Quilmes, que dá nome a uma famosa cerveja argentina. Esse é meu segredo para correr forte, uma cerveja por dia, brinca o também triatleta que na verdade diz não gostar de bebidas alcoólicas.
A segunda posição ficou com o brasileiro, ao marcar 1h17min12. Foi uma prova bonita, com organização impecável. Senti um pouco de cansaço, pois venho de uma maratona e ainda não estou muito rápido. Segundo o catarinense de Chapecó, a largada tardia poderia ser um problema por conta do calor que faz nessa época do ano, mas o clima durante toda a prova foi perfeita. Estava chuvoso e até um pouco frio, o que ajudou na performance de todos.
O terceiro posto ficou com o representante de Bariloche (ARG) Sergio Calfin, com o tempo total de 1h21min04.
Mulheres – Na prova feminina as disputas não foram tão acirradas quanto na masculina, mas o que chamou a atenção foi o caráter internacional do pódio, com uma americana em primeiro, uma italiana em segundo e uma brasileira em terceiro. Denise Schmersal cruzou a meta em primeiro com o tempo de 1h45min30.
Essa prova teve um percurso muito bonito, as pessoas todas foram muito simpáticas e sofri um pouco com as subidas, conta a americana que mora no Paraguai, onde dá aulas de inglês. Apesar de já correr há alguns anos, inclusive em maratonas, essa foi minha prova na Argentina, completa.
A segunda colocação ficou para Adriana Nuñes, italiana residente no Paraguai, com o tempo de 1h51min33, enquanto a terceira foi a brasileira Karen Soto, com 1h51min33. Foi uma prova muito legal. Saí devagar com medo das subidas, mas aos poucos fui aumentando o ritmo e consegui ser a terceira colocada, relata a gaúcha de Porto Alegre. Essa foi a primeira vez que tive a oportunidade de cruzar a faixa na linha de chegada, comemora.
Atletas com deficiência – A Meia de Iguazu contou com a participação de dois atletas com deficiência, Sergio Vasquez e Eduardo Fraire. Para mim foi uma prova tranquila, pois estou acostumado à Meia Maratona Llao Llao, em Bariloche (ARG), com muito mais subidas do que em Iguazu, relata o competidor deficiente visual.
Já Eduardo, que tem mobilidade reduzida nas pernas, foi o último a completar o percurso, acompanhado dos guardaparques, funcionários do Parque Nacional e staffs da prova ao som de We Are The Champion, da banda Queen. Muito aplaudido pelos presentes, ele se emocionou e não conteve as lágrimas. Esse percurso é muito rápido, a chuva me prejudicou um pouco e agradeço o apoio de todos. Nunca pensei em desistir, queria apenas cruzar a linha de chegada, encerra.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda