Como descrever Kona
Para uns, loucura... Para outros, prazer...
São muitos os adjetivos que podemos utilizar para aqueles que competem uma prova de Ironman, em Kona (Havaí). Afinal, os 3.800 metros de natação + 180km de ciclismo + 42km de corrida é um duro desafio para qualquer atleta. Loucura?
Antes do tão esperado momento de competir, os dias são de treinos e de muitos encontros, como, por exemplo, com a minha inspiração no triathlon, Fernanda Keller e com o Sr. Tanaka Ceepo Nobuyuki, dono da Ceepo Bike, um dos meus patrocinadores. O ambiente é de total descontração, amizade e alegria por estar em Kona. Prazer total!
No dia da prova, a largada da natação acontece na praia de Dig Me Beach e a alegria se transforma em tensão. Será que conseguirei??
Mergulho nas águas cristalinas do Píer de Kailua e, a partir deste momento, serei eu e a minha força interior. Após 1 hora e 7 minutos a transição para a bike. Iniciamos pela Kwakini Highway, uma das principais vias locais e, depois, até a subida da Palani Road. Neste instante as pernas já começam a ficarem pesadas. Mas vamos lá: foco e fé. Loucura?
Ainda na bicicleta, acessamos a Queen K. Highway e o retorno, feito em apenas uma volta, onde estaria um dos momentos de maior dificuldade durante a prova: a subida de Hawi. Localizado ao noroeste, no meio do Oceano Pacífico, o local exige-me o extremo das minhas forças, e o calor e o vento parecem sugar cada gota de energia do meu corpo. Mas, consegui!
Em exatos 5 horas, 47 minutos e 45 segundos consigo superar o desafio da bike e entrar no último round da prova: a maratona. A partir daí, entra em cena outro adjetivo citado apenas agora neste breve relato: a superação.
Daqui pra frente é pura adrenalina. Os 16km iniciais são realizados na Alií Drive, que dá acesso novamente à subida da Palani Road e à Queen K. Highway. Momento de pensar nos filhos, na família, nos amigos... Pensar sobre todo o investimento financeiro, de treinos e de sonhos feitos nos últimos meses, justamente para que eu vivesse esse momento.
Hora de tirar as últimas energias, forças e suor para conquistar a tão almejada linha de chegada. Retorno pela Energy Lab e sigo pela Palani Road. Neste momento meu corpo suplica por descanso!! Minhas pernas se compadece de parar!! Mas não desisto...
Quase que por um milagre, eis que surge a reta final na Ali´i Drive e o pórtico de chegada. Acrescente ai mais 4 horas, 25 minutos e 25 segundos. No geral, quase uma hora a mais do que em 2015, durante a minha primeira participação.Mas, para falar a verdade, o grande prêmio de Kona é participar e, talvez, chegar. Eu consegui!! Loucura?? Que nada!!
Prazer e superação é que move qualquer atleta. Que venha Kona 2017.