Se tem uma coisa que sou boa é em recomeçar. O motivo disso eu não sei, mas minha dificuldade vem mesmo na hora de perseverar. Tentando ver o lado bom, não desistir já é algo importante, a outra parte a gente corre atrás para desenvolver.
Tenho lido muito sobre como me auto melhorar. Busco uma forma de ser melhor como pessoa, para assim poder ser melhor com os outros e no trabalho etc. Eu comecei de dentro para fora e a perseverança chegou, junto com a força, mas ela não veio do nada.
Vou contar uma história para vocês.
No ano passado, mais ou menos em abril/maio eu estava tendo dias ótimos, voltava de uma viagem de trabalho internacional e incrível (cobri a Maratona de Jerusalém, veja uma matéria aqui), estava feliz da vida trabalhando e aproveitando todos os dias, tranquilamente. Até que a notícia chegou.
Minha mãe, que já vinha tendo sintomas de que algo em seu corpo estava errado, travou da coluna. Em um dia ela trabalhava, vivendo seus dias com rapidez, no outro estava quase sem movimentos. A notícia era um câncer, que abalou a todos, (clichê, mas..) a gente nunca pensa que algo assim vai chegar tão perto de nós.
De maio até fevereiro deste ano passei pelos momentos, até então, mais difíceis da minha vida. Mãe doente, depressão, dúvidas sobre tratamento e cirurgia, o dia da cirurgia, internação, uti, radioterapia, muitas lágrimas, terços rezados, mas também esperança. Não vou mentir que achei que tudo ficaria bem logo, parecia que aquilo não ia passar, sabe? Em alguns momentos até pensei que perderia ela.
A relação com minha mãe sempre foi muito boa, mesmo ela sendo uma escorpiana ciumenta e eu uma aquariana apaixonada pela liberdade, com uma briguinha ou outra ali, ela sempre foi minha base e grande amiga. Conversávamos por horas e horas em sorveterias, restaurantes, praias e qualquer lugar. Na virada do ano de 2016 para 2017 viajamos só as duas e passamos o ano novo acampando juntas. Sempre parceiras.
De uma hora para outra eu a perdi, não tinha com quem conversar, nesse momento poucos são os amigos que estão perto de você, que buscam se fazer presentes. Infelizmente sim, na dor as pessoas se afastam, dá para contar nos dedos. Irrelevante ficar ligada a isso, já que sempre soube que a família é o que permanece em TODAS as horas.
Foi difícil, muito mesmo, chorei inúmeras vezes, mas ao mesmo tempo lutei. Estava com ela todos os dias e abdiquei de inúmeras coisas (assim como o resto da minha família). Nesse meio tempo senti que a maior benção que recebi de Deus foi a alegria, mesmo nas dificuldades eu arrumava sempre o espaço para um sorriso e me esquecia das dores. Quando senti que poderia perder minha mãe, ao invés de cair em uma tristeza gigante, eu simplesmente me fortaleci, afinal na minha cabeça se não a tivesse mais comigo e mesmo assim seguisse vivendo, eu era capaz de tudo.
Graças a Deus a história termina bem e hoje ela está bem, em casa e se recuperando a cada dia, mas algo ficou com toda essa situação. Eu aos 23 anos, nunca tinha passado por nada parecido. Com a ajuda da minha família, continuei trabalhando normalmente, vivendo um dia de cada vez e até treinando (quando sobrava um tempo). Fui forte e nem percebi.
As cicatrizes do sofrimento, não só da minha mãe, mas de todas as pessoas que estavam lá e muitas ainda estão, sem chances de conseguir voltarem a ser 100% saudáveis, ficaram. Estão aqui e sempre vão estar.
E quer saber?
Eu só agradeço, sou grata, sou feliz e sou forte. Forte como minha mãe, vó e tia são. Sou forte hoje para enxergar que uma chateação do trabalho, mesmo me afetando e deixando triste é pequena perto do que sou/posso ser. Que nada é para sempre, nem a maior das alegrias, nem das tristezas.
O tempo passa, o momento passa e no fim é você e seu coração, sua força que fazem ser quem é e estar aonde está. Eu tinha que passar por aquilo para hoje ser o que sou. Não desistindo de recomeçar, em todas as áreas, principalmente no esporte, que amo com todo meu coração.
Seja forte, use sua dor para crescer e não desiste. Você pode 🙂