1kdecada: correr em Noronha, inesquecível & desafiador

1kdecada | · 03 dez, 2018

Estive em Fernando de Noronha no fim de semana dos dias 24 e 25 de novembro para conhecer a 21k Noronha, uma das provas mais tradicionais da ilha.

Foram cerca de 700 participantes divididos nas distâncias de 8k e 21k. Minha vontade era mesmo enfrentar a meia maratona e passar pelos pontos mais bonitos da ilha, só que uma lesão no joelho direito, a famosa condromalacia, vem me barrando das grandes distâncias a tempos (mas isso está prestes a acabar – aguardem as novidades que vem aí).

De qualquer forma, quando soube que a oportunidade de conhecer & correr em Fernando de Noronha seria possível, comecei a me preparar para pelo menos completar os 8k de forma saudável. Treinando musculação e corrida cheguei pronta para a prova, mas nem tudo é tão tranquilo como parece.

Vamos começar do início

Cheguei na sexta (23), último dia da entrega do kit. Direto do aeroporto para o hotel e de lá para a entrega de kits, que aconteceu em frente ao museu do tubarão, que tem uma vista incrível, próximo a pontos turísticos como o buraco da Raquel, uma vista de morrer.

Kit retirado, já fiquei apaixonada pelo tanto de coisa que vinha nele: camiseta, chip, bolsinha (bem mais que um saco simples), viseira, boné e até canga. Lembrando que todos em uma cor super linda, um verde bem Ilha. Além disso, rolou até camiseta de finisher pós prova. Kit completíssimo.Tudo pronto. Simpósio técnico feito com o organizador explicando os principais pontos de hidratação entre outros detalhes, fui dormir cedo naquela sexta ansiosa para a prova que começaria às 7h15 do dia seguinte (um horário ok).

Dia de fazer força

Sou uma pessoa que tem dificuldades para comer de manhã e depois partir para o exercício, sendo assim achei melhor não tomar café no pré-prova, já que seriam apenas 8k e com pequenas distâncias meu corpo trabalha bem em jejum (lembrando que isso é algo que funciona comigo, mas procure seu nutricionista para mais informações).

Peguei um ônibus com outros corredores e cheguei cedo para a largada, umas 6h30. Foi ótimo para ir entrando no clima, alongando e conversando com outros corredores.

Largada do 21k dada, depois foi minha vez.

Já no começo enfrentamos uma subida gigante e muita força foi feita. Eu e outros corredores usamos a caminhada para seguir até mais rápido do que o pequeno trote que às vezes mais atrapalha do que ajuda.

Na segunda subida, logo no centro da Vila dos Remédios, eram 8h e 30 graus. SIM TAVA SUPER QUENTE. Segui revezando entre corrida e caminhada, tentando pegar leve nas descidas para o joelho não doer e aí PÁ, chegamos na parte que dividia os 8k dos 21k.

Meia maratona seguiu em frente, enquanto os 8k viraram para a estrada que levou até a praia da Conceição. Nessa hora vem aquele pensamento de: que bom escolher a menor distância. E realmente foi ótimo, já que seguindo os 21k as subidas e calor só pioraram, sendo assim para minha preparação (e joelhinho) os 8k eram mais do que suficientes.

Muito calor e íamos chegando na praia da Conceição, foi naquele momento que pensei: ‘que bom não ter tomado café’, porque era ali que qualquer coisa seria colocada para fora. O calor fortíssimo e as longas subidas sem sombras me faziam ficar extremamente ofegante, enquanto isso rolava aquela troca de posições entre corredores, o famoso, ‘tenho que passar aquele de camisa branca’, entre outras metas mentais que nos incentivam em uma corrida.

Chegou a hora da praia da Conceição. Para mim que ainda não tinha visitado nenhuma praia da Ilha, foi uma grata surpresa me deparar com aquele ponto turístico lindo que já havia visto em várias fotos, a Pedra do Pico. Corri sorrindo e feliz por ver aquela água azulzinha e deliciosa na minha frente, que nos próximos dias iria mergulhar muito.

Segui caminhando um pouco, já que a areia era beeeeeeem fofa, em praticamente toda a praia. Sorrindo fiz vários historys e pose para o fotógrafo tirar uma foto bem divertida e que me faria guardar aquele momento com uma recordação especial.

Parecia que sai da praia com a energia renovada, corri até mais forte no percurso que passava próximo a praia do meio e do cachorro, mas aí veio a trilha da estrada velha do Forte dos Remédios, tão ingrime quanto um final de prova poderia ser. Entre muitas reclamações de nós corredores e algumas fotos não tão boas assim, seguimos.

Acabando aquela torrencial subida voltamos a BR e só descida. Novamente cuidado com os joelhos, mas muita ansiedade cruzar a linha de chegada e sentir a missão cumprida. No horizonte aquele mar incrível que cerca a ilha e nada mais.

Na verdade o que nós corredores mais gostaríamos de enxergar naquele momento era o pórtico de chegada. Aos poucos ele veio e junto com um banho de água vinda do carro de bombeiros, cruzei a linha de chegada tão grata pela oportunidade, corpo sadio e até pelo cansaço.

Uma experiência incrível e nada fácil, mas que vale cada segundo.

Esse foi só um relato de quem correu (mais ou menos) os 8k, mas tenho certeza que a vibração dos 21k deve ser bem maior do que essa que senti. O importante é saber aproveitar cada momento e lembrar o privilégio de correr em um lugar tão bonito, preservado e especial como Fernando de Noronha.

Muito obrigada a organização da prova pelo convite e Fe Balster pelas fotos incríveis 🙂

Confira o resultado da prova, 7 coisas que aprendi correndo em Noronha e a incrível história do voo com corredores que pousou atrasado na Ilha. 

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Chris Volpe é santista, triatleta, corredora e faladeira - não necessariamente nessa ordem: "Se pudesse faria todos os esportes ao mesmo tempo, enquanto isso não é possível vou fazendo um de cada vez". Passou por veículos como Webrun, Sua Corrida e WRun, além de participar e cobrir de diversos eventos do mundo running. No Instagram: @volpechriss