
Presidente da ATC vê com bons olhos regulamentação do uso da USP para treinos (foto: Ana Fernandes/ www.webrun.com.br)
Atualizada às 15h18 de 17 de fevereiro de 2010
A ATC (Associação de Treinadores de Corrida) apoia a medida da USP (Universidade de São Paulo) em regular por meio de carteirinhas o uso do Campus para a prática esportiva. A afirmação é do presidente da instituição, Nelson Evêncio. A USP é um local público, mas não é do público, diz Evêncio, para quem muitos dos corredores e praticantes de outros esportes tendem a confundir o espaço da universidade com o de um parque, por exemplo. A cidade carece de espaços para a prática esportiva, por isso a USP vem sendo usada desde a sua fundação.
Evêncio ressalta que a medida tem o lado positivo de ser apenas uma regulamentação e não uma proibição. Pelo que ele tem acompanhado entre os corredores que costumam utilizar o espaço da Cidade Universitária e até mesmo entre aqueles que ele próprio treina, muitos estão assustados. Nós estamos tentando tranquilizá-los, dizendo que vai ser uma medida positiva, que vão cadastrar todo mundo e que vai ser bom, diz.
No entanto, preocupa a questão dos custos e da fiscalização. A gente precisa conversar com eles [a USP] porque eu imagino que eles não têm ideia do tamanho disso, vai ter mais de 15 mil pessoas que vão querer se cadastrar. É muita carteirinha e isso tem um custo, pondera Evêncio. Além disso, como há uma circulação muito grande de pedestres, carros e ônibus na Cidade Universitária, Evêncio acredita que a fiscalização precisará ser feita por amostragem, ou seja, os atletas serão abordados e se não tiverem a carteirinha serão convidados a se retirar do Campus. Isso demanda mais fiscalização, o que também gera um custo, completa.
Eventos dentro da USP – A Universidade também passa a limitar este ano a realização de provas dentro de sua área, algumas corridas já tiveram seus percursos alterados para não passarem pelo Campus. Evêncio acredita que isso gera dificuldades para a organização de competições em uma cidade como São Paulo: a cidade carece de espaços para fazer as provas, a CET não libera percursos e por isso a maioria das corridas acontecia na USP. O ruim é que vai limitar ainda mais o espaço. No entanto, há o lado positivo de se forçar a busca por novas alternativas, o que proporcionará mais variedade aos corredores. O lado bom disso é que vai forçar a prefeitura e os órgãos administrativos a liberarem novos percursos, o corredor paulistano já estava enjoado de correr na USP, diz.
O presidente da ATC lembra também que os limites de infraestrutura da Universidade muitas vezes não estavam sendo respeitados durante a organização de provas, o que causava desgastes ao espaço. As provas estavam muito cheias. O limite era de seis mil [participantes por prova] e teve uma prova com 12 mil inscritos, à noite, imagina o impacto que foi ali. Por esses motivos, Nelson Evêncio conclui reforçando a posição de cooperação da ATC com a medida da USP: Esperamos que a situação [na Cidade Universitária] melhore e, da parte da ATC, a gente espera contribuir com a USP, acionando todos os nossos treinadores.
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Este texto foi escrito por: Ana Fernandes