Em processos de emagrecimento, é muito comum sentir uma vontade consciente de parar de comer determinado alimento, que sabemos o quanto prejudica a dieta e não conseguir. É o chamado Transtorno de Compulsão Alimentar, ele tende a apresentar sinais ou alguns sintomas como, por exemplo:
– A pessoa demora a se sentir satisfeita, ou passa a comer continuamente, quase que sem intervalos entre as refeições.
– Sensação de falta de controle sobre a ingestão durante o episódio.
– Comer mais rapidamente do que o normal durante o episódio.
– Comer até se sentir desconfortavelmente cheio.
– Comer em excesso, mesmo sem apetite.
– Comer sozinho ou esconder evidências por vergonha da quantidade e da falta de controle.
– Geralmente associado a ansiedade ou depressão, seguido de uma sensação de culpa.
– Tendem a ingerir qualquer tipo de alimento, não necessariamente gordurosos e pesados, ou um tipo de alimento específico.
Foto: Andrey Armyagov/FotoliaTodos esses comportamentos, em sua maior parte, são acompanhados da culpa, pois o indivíduo tem a consciência de que não precisaria ter comido tanto, porém isso acontece após ingerir uma quantidade exagerada.
Pensamentos como os seguintes são muito comuns entre quem sofre de compulsão alimentar:
– Eu não consigo me controlar. Vou abrir a geladeira e comer não importa a hora do dia, mesmo que eu tenha acabado de tomar café da manhã, almoçado ou jantado.
– Sei que meus familiares vão sair, por isso, vou inventar uma desculpa para ficar em casa e comer.
– Estou com vergonha de mim mesmo por fazer isso, sei que é errado enquanto estou comendo, mas eu continuo. A comida está controlando minha vida.
– Eu como adequadamente diante dos outros, mas chego em casa e como muito quando ninguém está vendo.
– Vou sempre para a geladeira em busca de algo.
Essas atitudes se dão, muito provavelmente, por conta da serotonina, que é o hormônio responsável pela sensação de prazer em nosso organismo. O indivíduo compulsivo busca a todo momento experimentar essa sensação de bem-estar e parece saber fazê-lo, apenas através da alimentação. Isso provavelmente porque não descobriu outras formas de obter prazer (nos seus relacionamentos, em exercícios físicos ou até consigo mesma).
Quando notamos que existem outras possibilidades que podem nos trazer o mesmo sentimento, temos a opção de mudar. Existe a informação que a cada quatro pessoas com compulsão, três são obesas. Vale lembrar que, para ser caracterizada como um transtorno, a compulsão precisa apresentar ao menos um episódio por semana, durante no mínimo três meses. E que não necessariamente o paciente precisa apresentar obesidade ou sobrepeso para sofrer de compulsão.
Foto: Kzenon/FotoliaA compulsão é um passo inicial para outros transtornos alimentares além da obesidade, como anorexia e bulimia nervosas. Geralmente o comportamento compulsivo está acompanhado de uma vida com faltas, pois o comer serve como uma maneira de compensá-las.
O antecedente mais comum dos episódios compulsivos é a restrição: quando o organismo fica determinado tempo muito restrito de algo que ele estava acostumado ou, que de certa forma, lhe dava prazer, ele tenta compensar o tempo de ausência desse alimento, gerando assim episódios compulsivos. Além disso, o afeto negativo, tédio e sentimentos repulsivos em relação ao peso corporal, à forma do corpo e ao alimento também podem desencadear o transtorno.
O tratamento se dá com a clássica psicoterapia + psiquiatria (quando necessário) + no caso, nutricionista, identificando os gatilhos que levam o paciente a chegar no episódio e assim quebrando esses ciclos de gatilho ataque culpa sofrimento punição.
Este texto foi escrito por: Elaine Lopes