Quando um corredor cansa do asfalto e busca novos ares, as trilhas costumam ser uma das melhores escolhas, mas tem que ter coragem, afinal colocar o pé na lama não é para qualquer um. A base do esporte é a mesma, você precisa apenas cuidar de alguns itens mais técnicos, já que o terreno não costuma ser plano e estável como no asfalto. O Webrun conversou com Emerson Bisan, diretor técnico da Nova Equipe Assessoria Esportiva, que dá dicas do que fazer para enfrentar bem essa mudança de terrenos, confira:
Foto: lukasx/Fotolia+ Participe do 6 Desafio 28 Praias Maratona de Revezamento
Trabalho de força
A variação altimétrica das corridas em montanhas, exige um componente fundamental na sua condição física que é o treinamento de força. Isso implica em um programa que inclui desde a musculação tradicional, treinamento funcional, até treinos de corridas em rampas e escadas que exigem essa qualidade física.
Trabalho de propriocepção e core
Devido a uma corrida com variações de estímulos como aclives, declives e terrenos irregulares o corpo coloca à prova todas sua capacidades. O equilíbrio é muito exigido na busca de uma melhor performance, ou simplesmente para te manter em pé. O treinamento do seu centro de gravidade e core através de exercícios específicos, que estimulam o equilíbrio e abdominais tipo prancha, é essencial.
Autonomia
O contato com a natureza é bem maior nas montanhas, muitas vezes exigindo uma autonomia de abastecimento e segurança. Essa consciência deve partir do corredor, que deve sempre carregar seus itens de hidratação, alimentação e segurança até mesmo nos treinos. Também é necessário ter apito, manta térmica, casaco corta vento, antialérgico, lanternas de cabeça e até um telefone com bateria, para casos de emergência.
Tênis
Um terreno com buracos, rios, cascalhos, pedras, água e lama exige um calçado apropriado. Existem diversos modelos que variam desde tecidos impermeáveis, com solados e palmilhas que escoam água rapidamente até o solado com o GRIP (garras), para maior aderência ao solo. Costumam ser mais duros que o tênis de rua, mas possuem estabilidade e firmeza maior para trilhas e montanhas.
Foto: lukasx/FotoliaConsciência ambiental
O corredor que vem do asfalto, na maioria das vezes, está acostumado com algumas “facilidades”, como caminhão de lixo que recolhe copos de água, garrafas de isotônicos, sachês de gel e muitas vezes até arremessa longe esse lixo pra não obstruir a pista. Na trilha isso compromete drasticamente a natureza e o trabalho de limpeza ambiental da organização. Nenhum resíduo deve ser deixado nas trilhas, carregue consigo um bolso só para as embalagens que serão descartadas.
Mude a tela do relógio
O corredor de rua é aficionado pelo pace, mas nas trilhas e corridas de montanhas a regularidade com variação de segundos, a cada quilômetro vai por água abaixo. Devido a altimetria do terreno fica impossível prever o tempo em uma determinada distância, ainda mais em um percurso que nunca se percorreu antes. Fora isso, também depende da condição climática. A chuva, por exemplo, pode mudar completamente essa previsão de tempo de chegada. Então a prescrição do treinamento pode usar como base à percepção de esforço e frequência cardíaca, para assim dosar o ritmo em um treino ou prova. Outro indicador será a altimetria indicada pela maioria de relógios com GPS, onde se mede o grau de dificuldade do percurso pela relação altimetria por distância percorrida.
Quantidade de atletas
Se você quer sair da multidão nas corridas, com certeza correr nas montanhas é o caminho. Ao invés de encarar as ruas do Brasil com até 30 mil participantes e uma prova internacional com 60 mil inscritos, a corrida mais lotada nas montanhas tem no máximo 1.700 corredores. Apesar do crescimento da modalidade, isso não tem como aumentar muito, pois a capacidade natural do ambiente é bem menor.
Contato com a natureza
Próximo aos grandes centros existem trilhas e provas que você até chega a esquecer do mundo civilizado, tendo contato com paisagens inesquecíveis e espécies de fauna e flora incríveis.
Este texto foi escrito por: Gabriel Gameiro