O que você pensa nos últimos quilômetros da maratona?

Redação Webrun | Corridas de Rua · 27 abr, 2017

O desejo de enfrentar os 42 km é grande e enquanto muitos pensam que a prova em si é o maior desafio, corredores alegam que o treinamento é que fortalece o corpo e mente, já que a parte mais complicada é alinhá-los na rotina. O que alguns esquecem é que a prova é sim dolorida, principalmente nos últimos quilômetros, quando um filme passa pela sua cabeça.

+ Inscreva-se para o Circuito de Corridas Caixa, etapa Belo Horizonte. Clique aqui

Conversamos com alguns maratonistas e eles contaram os pensamentos, sensações e situações que passaram nos tão temidos últimos quilômetros de uma maratona

Carlos Goya, dentista

Foto: Arquivo Pessoal Foto: Arquivo Pessoal

Para mim os pensamentos começaram mais fortes depois do km 37, mas é tudo bem simples: um mix de adrenalina para finalizar, as pernas no automático e uma falta de oxigênio que não me deixava fazer os cálculos de pace e ritmo. Na primeira maratona que completei, passou um filme me lembrando de todos os treinos, com sol, chuva, frio ou calor. O tempo que deixei de estar com a família, as festas que não fui e até as pizzas que deixei de comer.

Alexandre Diniz, publicitário

Foto: Arquivo Pessoal Foto: Arquivo Pessoal

Sinto que após o km 30 e 35 chega o ponto mais pesado da prova. Aqueles 7 restantes até a linha de chegada são puxados, é uma batalha entre a mente, corpo e relógio. O seu nível de esforço aumenta e a velocidade acaba seguindo o mesmo caminho, é preciso ficar atento para não ir muito rápido e fazer algo errado. Costumo pensar na minha meta e faço o máximo do esforço possível para conseguir. Fico, por exemplo, atrás de um corredor mais rápido, puxo na descida e tento não desanimar, nem perder o ritmo.

Giselli Souza, jornalista

Foto: Arquivo Pessoal Foto: Arquivo Pessoal

Sempre penso que sou doida. Toda vez que estou no km 32 fico me questionando o por que estou fazendo aquilo. Pra que? Por que entro nesse tipo de desafio? Tudo passa a me incomodar, o suor, cabelo e aí vem o foco. Os 10 km finais são a maratona. Mentalizo a chegada, lembro de quanto me preparei e que nada, absolutamente nada, vai me deter. Coloco na cabeça que sou mais forte do que tudo, do que a dor, cansaço e todo resto que possa atrapalhar aquele momento. Tenho vontade de tomar uma coca no km 38 e dali em diante é raça pura. Começa a sensação pura e única de superação, amor e tesão pelo esporte. E quando vejo o pórtico é inevitável a emoção. Foi assim nas minhas cinco maratonas: lindo, mágico e especial para caramba. Já chego pensando na próxima, cheia de adrenalina e tesão, é algo indescritível

André Savazoni, jornalista

Foto: Arquivo Pessoal Foto: Arquivo Pessoal

Considero o trecho entre o km 32 até o 37 os mais complicados, sempre. Tenho uma tese de que se você se preparou bem, psicologicamente também tem de estar bem e concentrado até o 30. Se começou a sofrer mais do que o normal ou contar quilômetros antes disso, prepare-se pois será uma prova inesquecível, mas pelo lado ruim. Costumo brincar que a maratona tem 30 km de aquecimento e 12 de corrida verdadeira. Dessa forma, esses 5 km são os mais cruciais, uma verdadeira briga entre o físico e o mental. Principalmente para quem vai em busca de recordes pessoais ou bons resultados. Passando do km 37, você sabe que está no final e que faltam “somente” 5 km, o que não é nada para um maratonista. A partir desse momento, dificilmente consigo pensar em algo que não seja a placa do km 41. Essa é sempre a melhor hora. Ao vê-la, uma explosão de alegria, por mais cansado ou com dor que esteja, há uma descarga de adrenalina e, caso esteja dentro do que você foi em busca, por incrível que pareça, consegue até acelerar um pouco pela felicidade e satisfação. Estou perto de completar 30 maratonas, o que espero atingir neste ano, e para mim essa sensação se repete prova após prova.

Wagner, fotógrafo

Foto: Arquivo Pessoal Foto: Arquivo Pessoal

Nas duas maratonas que fiz, fora de Ironman, tive sensações bem diferentes. Em Porto Alegre estava bem treinado e o pensamento era só de controlar o ritmo para fazer sub 3h. Totalmente focado, na postura, respiração e não olhava para frente, a concentração no ritmo não me deixou sofrer. Já em Boston comecei a sentir dificuldades à partir do quilômetro 30. O foco passou a ser apenas para chegar em um ponto de hidratação e assim fui até o final da prova. Tentei não olhar para a quilometragem, porque o tempo demora mais para passar. Foram experiências muito diferentes, mas marcantes.

Este texto foi escrito por: Christina Volpe

Redação Webrun

Ver todos os posts

Releases, matérias elaboradas em equipe e inspirações coletivas na produção de conteúdo!