Foto: FotoliaAs corridas de aventura já costumam ter um nível de dificuldade alto, imagine então quando são na neve. O Brasil não é um país onde esse fenômeno climático se faz muito presente, por isso vários atletas daqui viajam para fora do país em busca de provas assim. O mais difícil é como se preparar para uma corrida dessas sem o principal: a neve.
Treinamentos específicos, se acostumar com o peso da roupa e estar preparado para correr em locais difíceis, como trilhas fechadas, são essenciais. O Webrun conversou com a atleta da Rebook, Vera Saporito, que contou como fez sua preparação e como foi a experiência na Ultra Fiord Patagônia Chilena.
Geralmente estas corridas de montanha exigem um currículo de outras provas duras. O que também não é garantia de nada já que, por exemplo, nesta que participei houve o óbito de um atleta mexicano que tinha um currículo invejável, mas que sucumbiu ao frio, conta.
O frio é sem dúvidas um dos maiores obstáculos de competições na neve, por isso é exigido de cada atleta um kit especial com casaco impermeável, tênis de trilha com garras boas para deslizar menos, luvas impermeáveis, gorro entre outros.
Quando corri na Ultra Fiord, a temperatura estava em torno de -3C e nevou quase toda prova. Ao chegar ao alto da montanha o frio aumenta absurdamente e a regra é tentar correr o tempo todo, para manter a temperatura do corpo, pois as articulações podem congelar. A dificuldade é manter um ritmo de corrida, pois o terreno com neve fica pesado, esconde as pedras e como é gelo, fica muito escorregadio, afirma Vera.
De acordo com a atleta, para uma prova com neve o foco é desenvolver muito a parte técnica, para se locomover melhor e ter um bom condicionamento físico. No geral, o corredor pode esperar um acréscimo de até 10% em seu tempo habitual de corrida, visto que nesses casos o rendimento costuma cair.
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Correr na neve é considerado ainda mais difícil do que na areia fofa, por exemplo, a exigência de diversos grupos musculares diferentes é o que diminui o ritmo. Por isso, é preciso testar a capacidade muito antes de se arriscar nessas provas.
Fiquei seis meses treinando em trilhas fechadas e com bastante altimetria. Aqui em São Paulo escolhi o pico do Jaraguá, a Serra do Japi e a Pedra Grande em Atibaia. Meu conselho é: participe de provas na Patagônia Argentina ou Chilena, mas em distâncias e altimetrias menores, do que as na neve, recomenda Vera.
Para a corredora, o treinamento é um processo gradual conforme se aumenta o desafio, as exigências também aumentam. Ao fazer estas provas menores, é possível correr em altas montanhas com mais segurança e conhecimento do que se deve fazer.
Foto: FotoliaDicas para correr na neve
Mude sua técnica de corrida: o contato do seu pé com o solo deve ser bem embaixo de seu centro de massa, ou seja, seu pé deve cair embaixo de você. Isso fará com que haja maior estabilidade, pois a superfície do pé em contato com o solo será maior.
Tenha um tênis específico: o calçado deve gerar maior tração com o solo, permitindo realizar uma corrida funcional. Alguns modelos possuem até garrinhas na sola, para dar mais estabilidade, firmeza e segurança.
Proteja-se do frio: é preciso vestir-se em camadas. Normalmente, a primeira é uma espécie de segunda pele com tecido sintético, mas que permite a transpiração e mantém o corpo aquecido. A segunda camada, chamada de isolante, é responsável por reter o calor gerado pelo nosso corpo, ela pode ser de fleece, polar, lã fina ou material similar. E a terceira normalmente se parece com um tecido mais plastificado, pois deve ser impermeável, tem a função de cortar o vento e proteger contra a neve ou garoa.
Não se esqueça das extremidades: dedos, orelhas e nariz, que são regiões finais de irrigação sanguínea, tendem a não ser tão aquecidas quanto o restante do nosso corpo, por isso é importantíssimo usar luvas, toucas e gorros sempre.
Este texto foi escrito por: Carolina Abrantes