Recorde maratona e suas dúvidas: correndo sub 2h

Redação Webrun | Corridas de Rua · 05 abr, 2017

Foto: Production Perig/Fotolia Foto: Production Perig/Fotolia

A data ainda não foi divulgada, mas tudo indica que o teste para chegar ao recorde sub 2h na maratona está chegando. Deixando corredores de todas as distâncias ansiosos, a Nike disponibilizou sua tecnologia para atletas de elite alcançarem a tão sonhada marca. Segundo divulgação da marca o projeto será realizado em um autódromo na Itália, fora de um percurso oficial. Com isso, especialistas no assunto duvidam que a IAAF e AIMS homologuem a prova.

Para o fisiologista Diego Barros o projeto deve ser visto com bons olhos. Qualquer iniciativa que promova a atividade física e motive as pessoas são benéficas.Este projeto, sendo bem conduzido, poderá trazer ótimas informações a todos que trabalham com corrida de rua.

Já Nelson Evêncio, treinador e presidente da ATC (Associação dos Treinadores de Corrida) afirma o projeto não condiz com a realidade dos atletas. É uma tentativa ousada, algo para daqui há alguns bons anos, mas como uma dose grande de marketing chama atenção. Mesmo assim, fisiologicamente e estatisticamente estamos muito longe da maratona sub 2h.

Atletas no auge do desempenho

Segundo Diego os atletas devem ter todo um planejamento focado nessa prova. As estratégias de suplementação, hidratação e treinamento devem ser feitas da forma mais individualizada possível.

Considerando que os maratonistas mais rápidos de todos os tempos correm a maratona em um ritmo médio de 5% acima da meia maratona, para correr uma maratona abaixo de 2h teria que ser alguém com os 21k entre 57 e 57min30seg, sendo que o recorde mundial da meia maratona é de 58min23seg. Mesmo Zerzenay Tadesse, dono deste tempo e parte do projeto, teve algumas tentativas na maratona não bem sucedidas, tendo como melhor tempo 2h10min41, explica Nelson.

Outro que faz parte do projeto é Eliud Kipchoge campeão olímpico que tem como melhor marca 2h03min05. Acredito que Kipchoge e Kenenisa Bekele possam fazer 2h02, baixo em uma maratona como Berlin, mas não abaixo de 2h, diz o treinador.

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Nomes de elite

Além dos selecionados Eliud Kipchoge, Zersenay Tadese, Lelisa Desisa acredito que nomes como Dennis Kimetto e jovem Ghirmay Ghebreslassie poderiam fazer parte deste projeto, diz Diego.

Já Nelson enfatiza que em uma maratona em condições especiais, talvez Kipchoge e Bekele seriam bons nomes. Mas ainda assim será muito difícil.

Complementos

O fisiologista acredita que uma somatória de fatores podem potencializar o resultado dos corredores selecionados. A estratégia de hidratação com uma avaliação criteriosa dos pontos de oferta, tanto de isotônicos como de água nos locais mais indicados pode ajudar muito. A condição climática é fator determinante no desempenho dos corredores, o dia e local selecionado deve ser o mais próximo possível do ideal, considerando temperatura e umidade relativa do ar. Os acessórios esportivos e uma estratégia de suplementação correta também ajudam muito, podendo ser fator determinante no sucesso do projeto, explica.

Foto: astrosystem/Fotolia Foto: astrosystem/Fotolia

Será que realmente vai acontecer?

Diego acredita que sim, considerando os fatores ajustados e buscando o resultado perfeito. No momento atual dos atletas isso não aconteceria em uma competição oficial. O desafio é ótimo, mas sou totalmente contra o uso de substâncias ilegais para justificar o resultado esperado.

E Nelson parte do princípio temporal: em 11 anos o recorde da maratona caiu apenas 1min57. Se ele precisa cair 2min57 segundos para alguém correr sub 2h, vai demorar bastante. Se é que irá acontecer em condições naturais, finaliza.

Este texto foi escrito por: Christina Volpe

Redação Webrun

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