
Karnazes ainda tem problemas para respirar (foto: Divulgação)
O ultramaratonista americano Dean Karnazes fraturou três costelas no último dia 25, enquanto participava de uma das etapas da TransRockies Run, uma prova de cerca de 165 quilômetros por regiões rochosas dos Estados Unidos. Ele escreveu em seu blog pessoal que sente muitas dores para respirar e não tem conseguido dormir direito. Confira alguns trechos do relato.
A minha experiência na TransRockies Run terminou num abrupto fim antes da última etapa. Num momento eu estava descendo a trilha de forma tranquila e logo depois eu estava estatelado no barro com uma pedra saliente ao meu lado, relata Dean. Ele conta que na hora não ligou muito para o tombo e continuou correndo, já que todo atleta está sujeito a uma queda, mas basta voltar a colocar um pé à frente do outro e esperar a dor passar.
Dormir naquela noite foi impossível. Parecia que o menor movimento causava uma dor insuportável, mas e daí? O que é um pouco de privação de sono e dor para nós que somos ultramaratonistas e convivemos com isso, pensou o atleta na primeira noite após o acidente. Ele partiu para os 22 quilômetros da etapa do dia seguinte da competição e voltou a sofrer até para respirar. Quando se está numa montanha a 3.500 metros de altitude respirar fundo é algo essencial. Com a ajuda do meu colega de equipe Helen Cospolich, fiz uma hiperventilação para conseguir chegar ao topo.
A descida para a linha de chegada foi ainda mais dolorosa segundo o ultramaratonista, mas como as pernas ainda tinham forças, ele acelerou para completar com um tempo que considerou bom. Foi uma péssima opção, porque naquela noite nada do que eu fazia melhorava o desconforto, lamenta.
A corrida da quinta feira foi mais uma etapa dolorosa para Dean, que sofria com muitas dores a cada respirada que dava. Foi frustrante não conseguir respirar fundo, mas rir da situação doía ainda mais, relata. Depois de percorrer 24 quilômetros e chegar a uma altitude de 1.300m do total de 3.300m da montanha, ele decidiu que uma corrida ao médico era a melhor opção.
Três costelas quebradas depois, eu ainda não consigo respirar fundo. Já passei por situações de dor antes, assim como todo corredor, mas dois dias e meio tentando correr com as costelas quebradas me deixou acabado, explica Karnazes. Os médicos me disseram que eu deveria ter parado no momento do acidente, mas a gente sempre acha que é mais forte e pode seguir em frente, completa o competidor, que não disse se adiou os planos de vir ao Brasil em setembro lançar seu livro e correr 24 horas por São Paulo.
Depois de passar pelo problema, Dean comenta ter descoberto muitos atletas, inclusive amigos seus, que já passaram por experiências como essa e convida os leitores a comentar em seu blog se já quebraram as costelas durante uma corrida. Para interagir com o ultramaratonista, basta acessar o site http://dean.runnersworld.com/.
Este texto foi escrito por: Redação Webrun