
Fernando durante os treinamentos (foto: Divulgação)
Fernando Aranha, cadeirante da Associação Desportiva para Deficientes (ADD), terá um desafio e tanto pela frente esse ano. Vai tentar conciliar a faculdade de Rádio e TV, com o trabalho em uma produtora de vídeos e os treinos para os Jogos Pan Americanos. Porém, o recém conquistado título na São Silvestre deu um ânimo a mais para o atleta.
Fernando obteve o tetracampeonato na mais tradicional corrida de rua de São Paulo após um ano marcado por superações. Tenho dificuldade em conciliar as três atividades, mas sei que também tenho condições de participar do Parapan com chances de brigar por medalhas. Depois deste título vou pensar com mais carinho, comenta.
O técnico da equipe, Mário Mello, diz que a superação do atleta foi excepcional, já que o objetivo traçado para esse ano era completar provas. Mesmo com todas as dificuldades no treinamento ele conseguiu terminar a Maratona de Nova York em 33º lugar, entre os 50 competidores de sua categoria e agora o tetracampeonato da São Silvestre.
Superação – Mello diz ainda que a força de vontade venceu as adversidades impostas pela organização da prova. Esta São silvestre foi a que apresentou maior descaso com os deficientes. Desde a inscrição, que já foi uma verdadeira maratona pela má vontade dos organizadores, até o fato de não divulgar o resultado no site da prova, lamenta o treinador.
Assim como a grande maioria dos cadeirantes, Mello é enfático ao reclamar do descaso com a categoria. É como se a categoria não existisse, embora tenha oficialmente no regulamento da prova! Espero que as próximas edições sejam diferentes, pois este ano eles foram péssimos em relação aos deficientes físicos.
A ADD participa da São Silvestre desde 1999, ocasião em que Fernando Aranha conquistou o primeiro lugar. Na ocasião, Aranha era atleta da equipe de basquete em cadeiras de rodas e decidiu enfrentar o desafio de participar da São Silvestre. O resultado obtido foi positivo, pois além de superar o desafio de uma nova modalidade do esporte adaptado, superou também todos os adversários cadeirantes. Aranha ainda acumulou outras duas vitórias, nas edições de 2002 e 2003.
Pioneirismo – O fundador da entidade, o professor de educação física Steven Dubner, foi um dos pioneiros em colocar deficientes visuais e cadeirantes em corridas de rua, em São Paulo (maratonas, mini-maratonas e São Silvestre). Anteriormente, os atletas deficientes não podiam participar das provas, mas ele utilizou um método inusitado para chamar a atenção dos organizadores.
Ao ter o pedido de participação dos atletas vetado, Steven posicionou os deficientes estrategicamente na esquina seguinte a da largada e, assim que passou o primeiro pelotão de corredores, um grupo de cadeirantes e cegos saiu em busca do mesmo objetivo: completar o percurso.
Este texto foi escrito por: Webrun