
Marílson durante prova em pista de Atletismo (foto: Fernanda Paradizo)
Direto de Nova York – Um dia após a vitória na Maratona de Nova York, o brasileiro Marílson Gomes vive momentos de glória. Na noite de ontem (5) o maratonista foi recebido pelos corredores da prova na tradicional festa de encerramento do evento. O local para a comemoração não poderia ser mais familiar, a casa noturna Copacabana. O lugar, que leva o nome da famosa praia carioca, abrigou centenas de corredores.
No meio da noite os campeões da Maratona de Nova York, Marílson Gomes e Jelena Prokopcuka, falaram com o público. Bandeira do Brasil e muita festa marcaram a presença do campeão na noite de encerramento. Muitos corredores pediram autógrafo e tiraram fotos com Marílson, uma verdadeira celebridade.
O curioso é que, durante a corrida, os brasileiros já sabiam da vitória do Marílson. Isso porque, como relatou a esportista Denise Amaral, enquanto ela corria com a camiseta do Brasil, os torcedores gritavam: Brasil é campeão.
E foi exatamente a receptividade dos corredores e torcedores de Nova York que mais chamou a atenção do campeão. Não só a presença dos brasileiros, mas a maneira como fui tratado foi muito boa. Isso me dá vontade de voltar para cá o ano que vem e defender o título, revela.
Na manhã dessa segunda-feira, em Nova York, Marílson começou uma peregrinação com os organizadores da prova. Logo no início do dia ele participou de uma coletiva de imprensa. Depois encontrou alguns corredores e almoçou com os responsáveis pela prova. Acredita que ainda não tive tempo de descansar. Nossa, está sendo mais cansativo que no dia da prova, brinca. Na verdade o mais difícil passou, que foi a Maratona, agora é só curtir.
Ainda hoje ele será entrevistado pelo apresentador americano David Letterman, no programa que leva seu nome. Marílson volta para o Brasil na quarta-feira e não vê a hora de encontrar sua esposa, Juliana dos Santos, que também é corredora.
Com a vitória Marílson conseguiu o seu objetivo principal: ser reconhecido no atletismo mundial. Mas a vida do brasileiro no começo da carreira era bem diferente desses momentos de fama.
Natural de Brasília, Marílson começou a correr incentivado pelo seu irmão mais velho, Marcos Roberto, que pretendia se tornar um campeão. Mas o destino inverteu os papéis. Aos 15 anos, Marílson participou de uma prova juvenil, em Brasília, de 3 mil metros rasos e venceu. Foi convidado para ir morar num clube de atletismo em São Paulo e treinar corrida.
De uma família humilde da cidade satélite de Ceilândia (DF), Marílson foi tentar a sorte na capital paulista. Eu sabia que tinha talento para a corrida. Comecei num grupo de corredores e logo me destaquei. Também já joguei futebol, como toda a criança brasileira, mas na corrida que consegui mais, conta.
Desde então, ele se dedica exclusivamente ao esporte e os resultados foram aparecendo aos poucos. No início da carreira ele focou mais as provas curtas como cinco mil e 10 mil metros rasos. Na tradicional corrida de São Silvestre ele conquistou o bicampeonato (2003 e 2005). Mas sua primeira maratona foi em 2004 aos 27 anos.
Senti que em 2004 eu estava mais maduro como atleta, pronto para correr uma maratona. Gosto muito dessa modalidade. Longa distância é uma característica minha, explica.
A estréia do brasileiro nos 42 quilômetros foi em Paris, prova em que obteve 2h12min22. Depois no mesmo ano ele também correu a Maratona de Chicago. Lá o brasileiro conquistou o sexto lugar com sua melhor marca na modalidade 2h08min48.
A cada prova que participo aprendo mais. Em Nova York não foi diferente. Agora vou ver os meus próximos desafios. Quero participar dos cinco e 10 mil metros do Pan e em 2008 quero representar o Brasil na maratona das Olimpíadas de Pequim, revela.
Sobre o tricampeonato da São Silvestre, o brasileiro vai descansar por 20 dias e depois irá decidir com o seu técnico, Adauto Domingues, se irá ou não para a prova paulista. Mas no próximo domingo ele deve participar da corrida Nike 10k, porém será por diversão.
Este texto foi escrito por: Donata Lustosa