Em meio à briga de técnicos, Franck ainda não renova com o Cruzeiro

Redação Webrun | Corridas de Rua · 07 jan, 2009

Para Viana  a ida de Franck para o Cruzeiro foi um erro (foto: Moises Pregai/ Revista SuperAção)
Para Viana a ida de Franck para o Cruzeiro foi um erro (foto: Moises Pregai/ Revista SuperAção)

O brasileiro Franck Caldeira, campeão da Maratona do Pan 2007, um dos representantes do Brasil na Olimpíada de Pequim e terceiro colocado na Volta da Pampulha de 2008, ainda não renovou com seu atual clube, o Cruzeiro. O contrato venceu no último dia 31 e, para que a negociação siga em frente, o mineiro precisará abandonar seu treinador, o Dr. Henrique Viana, da equipe Pé de Vento, a pedido do dirigente do Cruzeiro, Alexandre Minardi. Confira o que disse o competidor e os dois treinadores em entrevista exclusiva ao Webrun.

Recentemente o técnico do Cruzeiro, Alexandre Minardi, anunciou a alguns veículos de imprensa a permanência de Franck na equipe, mas segundo informações do atleta, até o momento nenhum documento foi assinado. “Ele já falou comigo, mas não chegou a ordem da diretoria do clube”.

O principal motivo que o levou a aceitar definitivamente a troca de uma equipe pela outra foi o salário a ser pago pelo Cruzeiro, numa proposta “irrecusável”, segundo palavras do mineiro. “A carreira de um atleta é curta, então temos que fazer o pé de meia”, comenta.

Durante todo o tempo em que ele esteve à frente do Cruzeiro sempre ouvia os treinadores lhe aconselhando e, para piorar, os dois são desafetos assumidos, o que de certa forma prejudicou a performance nas competições. “Tive muitas perturbações e não quero mais isso. Preciso de tranqüilidade para fazer o meu trabalho, cansei de ter que agradar aos dois lados”, desabafa.

Na última São Silvestre ele era cotado como um dos favoritos aos primeiros lugares, mas abandonou pouco depois da metade do trajeto, com dores abdominais. “Não é desculpa, não sou de mentir”, lembra Franck que afirma ainda já ter sentido essa mesma dor há cerca de dois anos. “Ainda preciso ir ao médico para verificar o motivo da dor”, completa.

Natural de Sete Lagoas (MG), ele espera deixar para trás os maus resultados de 2008, como o abandono na Olimpíada e na São Silvestre, por exemplo, para entrar em 2009 mais motivado e com uma melhor preparação. “Sinto falta de disputar os primeiros lugares”, revela.

De acordo com Henrique Viana, Franck acabou sendo influenciado por outras pessoas e alertou que seu rendimento cairia caso se transferisse para o Cruzeiro. “Na Pé de Vento fazemos um trabalho sem imposição, sem brigas. Nossa filosofia é primeiro o atleta e depois a vitória”, comenta.

“O Franck está errado em deixar a competência de lado para ter um patrocínio que lhe pague dinheiro. Ele preferiu a segurança de ter um salário mensal em vez da performance e ganhar dinheiro com os cachês”, lamenta Viana. Desde que começou a treinar com a equipe mineira, o corredor teve que se mudar de Petrópolis (RJ) para Belo Horizonte (MG) e, segundo o técnico, a falta de proximidade entre eles foi um dos fatores que impediu a conquista de melhores resultados. “Sua última grande conquista foi o Pan em 2007”, completa.

Sobre a rivalidade com Alexandre Minardi, ele preferiu não criar polêmica e relata que apenas segue sua filosofia de trabalho. “Não concordo com os desonestos e corruptos, mas não é específico contra o Minardi, é genérico. Caso ele tenha problemas comigo, sinto muito, ele deve ter com muita gente então”.

Minardi – Já o técnico do Cruzeiro, por sua vez, não poupou críticas a Viana e à sua forma de trabalho, principalmente durante a preparação para a Olimpíada de Pequim, feita na altitude de Itamonte (MG). “Inicialmente permiti que o Henrique treinasse o Franck e me arrependi, em 2008 os treinos dele foram uma negação”. Minardi bate na tecla que a cidade mineira possui um clima muito diferente do que foi encontrado em Pequim, com temperaturas frias, ao contrário do calor escaldante de Pequim. “O local é horrível para treinar, não tem estrutura”, comenta.

Confiante que o mineiro dará a volta por cima neste novo ano, Minardi adianta um pouco de sua filosofia de trabalho. “Vou levantar o astral dele e vamos pegar pesado para que ele volte a ser o Franck dos bons tempos”. O cruzeirense pensa grande e arrisca dizer que o atleta encerrará a carreira no clube. “Ele é carismático, se dá bem com todo mundo e é mineiro, não podemos perdê-lo. Ele certamente andará nos pódios do Brasil e do mundo”.

Perguntado sobre o porquê de sua briga com o ex-treinador de Caldeira, o técnico do Cruzeiro relata que a desavença existe há 15 anos e que os motivos são muitos, mas o principal aconteceu na ocasião em que ambos trabalharam juntos. “Eu fui auxiliar técnico da Pé de Vento por quase três anos e a única coisa que ele me deu foi material esportivo, mas isso não enche barriga de ninguém. Ele nunca me deu um centavo, dizia que não tinha dinheiro”.

Aos 26 anos de idade, Franck de Almeida Caldeira ainda tem a oportunidade de barrar desentendimentos pessoais e brigas por dinheiro para dar a volta por cima e conquistar títulos para o Brasil. Ao público, só resta esperar o fim desta novela que parece ter atingido seu clímax no início de 2009.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

Redação Webrun

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