
Curva em que paraatleta se acidentou (foto: Reprodução/ Google Street View)
Israel de Barros, 41, mal tinha passado pelo primeiro quilômetro do novo trajeto da São Silvestre quando bateu no muro que circunda o Estádio do Pacaembu. A organização da prova afirma que prestou rápido socorro ao cadeirante, mas, mesmo assim, o competidor não resistiu aos ferimentos e faleceu no último dia 31.
Apesar de o acidente ter tirado a vida de Barros, Fernando Aranha, pentacampeão da São Silvestre e segundo colocado em 2012, acredita que o ocorrido foi uma fatalidade. Eu não sei o que aconteceu com ele. Não dá para dizer se foi a roda dianteira ou se alguém o fechou. Mas se a organização tivesse zelado pelo excesso de segurança, isso não teria acontecido. É uma pena, lamenta o paraatleta.
Aranha afirma que a mudança realizada pela organização em 2012 o percurso seguia pelo sentido contrário da Rua Major Natanael até deixou o percurso mais seguro, porém isso não foi o suficiente para evitar a tragédia. Falta algo específico para a gente, alguma coisa que nos dê mais segurança mesmo, reivindica.
Descidas íngremes– Todos os cadeirantes estavam conversando muito antes da largada sobre a descida da Major Natanael. A gente estava receoso, porque nossas cadeiras têm rodas livres, que aceleram muito fácil em declives, afirma Aranha.
Descidas íngremes sempre foram as maiores preocupações de cadeirantes. Em 2011 isso já havia sido colocado em pauta. Porém, o pentacampeão da São Silvestre não quer que a categoria seja extinta, ou o percurso alterado por riscos existentes no esporte. O que a organização precisa é nos ver de uma forma mais profissional. Algumas coisas simples podem ser feitas que já vão nos oferecer mais segurança, conta.
Congresso técnico– As melhorias propostas por Aranha vão desde o posicionamento de uma barreira de feno em áreas de escape de curvas perigosas, como a que vitimou Barros, até sinalizações específicas para os paraatletas espalhadas pelo trajeto da prova.
Isso reduziria os riscos de fatalidades, mas o que realmente é preciso é um congresso técnico ativo e real. Dar orientações sobre os riscos do percurso é muito mais fácil do que tirar um muro do Pacaembu, reclama, lembrando que o kit dos cadeirantes deveria conter ao menos um mapa da prova, já com algumas instruções. Eu, que sou daqui de São Paulo, não sabia como seria descer aquele rua, imagina um cara que veio lá do Pará?, pontua o competidor.
Mario Mello, treinador de paraatletas e representante da Achilles no Brasil, entidade que promove a participação de atletas com deficiência em corridas de rua de longa distância, concorda com Aranha. Segundo ele, congressos técnicos minimizariam o risco de qualquer cadeirante de sofrer um acidente. Porém, ele faz um alerta. Descer uma ladeira a 50, 60 km/h é arriscado. O congresso ajuda (a reduzir riscos), mas os atletas têm que comparecer também, finaliza.
Este texto foi escrito por: Renato Aranda