
André (esquerda) junto com Adevan Pereira e outros brasileiros antes da saída (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
Direto de Porto Moniz (Ilha da Madeira) – No último domingo (09/06) um grupo de 90 corredores topou o desafio de competir 55 quilômetros pelas trilhas e morros da Ilha da Madeira (Portugal) durante a quarta edição da Madeira Island Ultra Trail. Entre eles estava André Guarisch, corredor acostumado a grandes desafios, como ultramaratonas e triathlons na distância de Ironman.
Enquanto a competição principal (de 100 quilômetros) largou ao nível do mar, no município de Muchicho, o seleto grupo se alinhou na largada às 8h no Pico do Areeiro, um dos pontos mais altos da Ilha, a 1.690 metros de altitude. O sol iluminando as montanhas e o vento gelado que soprava aumentava a adrenalina dos participantes que contavam os segundos para o tiro de partida.
André se dizia tranquilo, mas ao mesmo tempo preocupado com a performance de sua esposa, Rosália, que se aventurava na distância maior. Eu estou bem, mas alguém tem notícias dela?, indagava o carioca. Tranquilizado ao saber que ela liderava a prova e estava bem fisicamente, ele finalmente se concentrou na sua prova.
Os corredores encararam uma leve subida no começo da e em seguida passaram por uma trilha que leva ao Pico Ruivo (1.770m de altitude), correndo sobre passarelas e passando por túneis encravados na rocha. Cheguei a bater a cabeça na entrada do túnel, mas por sorte não aconteceu nada de grave, lembra André.
Obstáculos – Ao lado de outros brasileiros, ele pouco a pouco foi vencendo os obstáculos naturais a cada Posto de Controle: Encumeada (quilômetro 17 a mil metros de altitude), Estanquinhos (quilômetro 28 a 1.580m), Chão da Ribeira (quilômetro 37 a 340m), Fanal (quilômetro 42 a 1.150m) e Ribeira da Janela (quilômetro 50,5 a 325m). Em alguns deles era possível obter coca cola, água, isotônico, além de comida como bolo, chocolate, laranja, canja, entre outros alimentos.
André se inscreveu em dezembro passado com a intenção de acompanhar a esposa nos 100 quilômetros, mas devido a problemas de saúde decidiu ser conservador e mudar de categoria. E foi uma boa escolha, segundo ele, pois apesar das dificuldades ele não se sentiu mal e cruzou a linha de chegada emocionado com a bandeira do Brasil em mãos.
Emoção – Acho que todo mundo deveria fazer essa prova. O lugar é lindo, com muitos desafios e pensava em completar a qualquer custo, mesmo que fosse com 16 horas, relata André que marcou 11h46min25 na chegada a Porto Moniz, ao nível do mar. Eu fiquei preocupado com a Rosália o tempo todo, mas ela está de parabéns. Visivelmente emocionado, ele não tinha palavras para descrever a felicidade de ter superado mais um desafio. Só me lembro de ter sentido isso após meu primeiro Ironman, conta com o fôlego já recuperado.
Além de ter se impressionado com as paisagens, ele também elogiou a organização e o espírito de solidariedade. Tudo foi perfeito nos postos de controle. As pessoas te ajudavam a encher a mochila de hidratação, ofereciam comida, gostei muito. Ele conta também que no penúltimo ponto descansou por cerca de 20 minutos até ter forças para seguir em frente. Comi cinco canjas e bebi uma garrafa inteira de coca cola.
Passado o momento de euforia, o casal seguiu para o hotel para um merecido descanso antes de planejar o próximo desafio.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda