Após anos de intensas negações, a tricampeã olímpica Marion Jones admitiu o uso de substâncias proibidas em uma carta enviada ao jornal americano The Washington Post, que diz também que ela estaria disposta a confessar sua culpa aos órgãos que investigam o caso. A velocista norte americana deve comparecer à Corte americana em White Plains (Nova York) nessa sexta-feira para se declarar culpada.
“Gostaria de pedir desculpas por tudo isso”, ressalta Jones na carta enviada ao jornal americano. “Desculpem-me por desapontá-los durante tanto tempo”, comenta a atleta que estaria disposta a encarar a pena de seis meses na prisão. Além da carceragem, a velocista pode perder as cinco medalhas conquistadas nas Olimpíadas de Sidney, sendo três de ouro e duas de bronze, além de enfrentar uma longa proibição de participar de competições.
Em dezembro de 2004 o Comitê Olímpico Internacional (COI) abriu uma investigação contra Jones, mas não conseguiu fazer muitos progressos devido à falta de evidências. Porém, de acordo com o porta voz da entidade Emmanuelle Moreau, “as informações que ela poderá nos fornecer poderão ser provas importantes para seguir em frente com o caso”. De acordo com as normas do COI, é possível retroceder até oito anos para cassar as medalhas e anular resultados em casos como este.
Caso ela admita ter usado drogas durante um período específico, a Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf) pode tirar as medalhas e anular os resultados de Campeonatos Mundiais e outras competições que ela tenha participado. Até hoje Jones ostenta uma prata e um bronze nos Mundiais de 1999 e 2001. De acordo com informações do Washington Post, o marido da atleta, Obadele Thompson, disse que ela fazia uso da substância conhecida como “The Clear” desde 1999, fornecida pelo seu treinador Trevor Graham, que dizia se tratar de óleo de cereais.
Sobre o fato de ter mentido para as autoridades ao ser questionada em 2003, a americana disse que ficou em pânico quando os agentes federais chegaram com uma amostra do “the clear”, que ela reconheceu como sendo o falso óleo de cereais. “Eu fui pega totalmente de surpresa, foi um choque”. Nos últimos anos a carreira da atleta foi totalmente afetada pelas acusações de doping e, em agosto de 2006, um teste de urina deu positivo para o esteróide EPO, mas ela não foi penalizada, pois a contraprova deu negativa.
Ela esteve no julgamento do laboratórios Balco em 2003 junto com seu companheiro Tim Montgomery, que foi banido do esporte por dois anos em 2005. Michelle Collins e Justin Gatlin, que também treinavam com o técnico Graham, também receberam punições.
Este texto foi escrito por: Webrun