
Jenifer Santos conquistou a prata hoje nos 200m (foto: Alexandre Loureiro)
O Brasil conquistou hoje mais medalhas de ouro nos Jogos Parapan-americanos e lidera com folga o quadro de medalhas, com 167 medalhas no total, sendo 58 de ouro, 50 de prata e 59 de bronze. A segunda colocação é do Canadá, com 87 no total, seguido pelos Estados Unidos, com 112.
Yohansson Ferreira competiu os 200m da classe T45/46 (amputados) e garantiu sua segunda medalha de ouro nos Jogos Parapan-americanos. Ele foi o primeiro com 22seg60, seguido pelo também brasileiro Antônio Delfino, que marcou 22seg65 e pelo americano Donald Kosakowiski, com 23seg24.
“Estou fazendo um excelente trabalho com apoio da minha família e da minha treinadora, Valquíria Campelo, que veio de Maceió por minha causa. A sensação é de dever cumprido, comemora o paraatleta. Tenho feito as melhores marcas da minha vida e hoje consegui superar novamente o campeão paraolímpico Antônio Delfino nos últimos metros”, completa a jovem revelação do Brasil.
Superação – Aos 19 anos de idade, ele nasceu sem as duas mãos devido à uma má formação congênita e começou a praticar atletismo em 2005, um ano antes de integrar a seleção brasileira. Ele já participou do Mundial de Atletismo, disputado no ano passado na Holanda e atualmente está entre os melhores velocistas do mundo, além de ser o recordista mundial nos 400m rasos (classe T45).
Ele já havia conquistado os 100m e ainda teria a oportunidade de conquistar mais um ouro nos 400m, mas não deve correr devido ao cansaço após as duas provas com disputas muito acirradas. Delfino, que também disputaria a mesma prova, já sabe que não terá condições de correr. “Quando cheguei ao Rio não treinei. Mesmo assim consegui minha segunda medalha de prata. Agora vou me poupar e não correrei os 400m”, conta.
Nos 200m T11 (deficientes visuais), o brasileiro Lucas Prado obteve a medalha de ouro após corre em 22seg93 e bater seu próprio recorde parapan-americano, obtido na quinta-feira. Adrian Ardiles, de Cuba, foi o segundo colocado com 23seg07, seguido pelo outro brasileiro na prova Felipe Gomes. “Entrei para brigar numa prova que tinha quatro competidores. Busquei o meu melhor, mas não foi o suficiente para uma dobradinha brasileira”, lamenta Gomes.
Nos 100m T13 (deficientes visuais) André Garcia Andrade faturou o posto mais alto do pódio com 11se17. Foi uma prova bastante disputada. No primeiro trecho fiquei preocupado porque havia cometido falta e corria o risco de ser eliminado caso fizesse outra, ressalta o competidor que teve que segurar o ritmo, mas ao mesmo tempo ter tranqüilidade para vencer.
Nos 10 mil metros da T12, para deficientes visuais, Odair Santos assegurou mais uma medalha dourada para o país, ao marcar 32min00seg75. O atual recordista mundial da distância liderou de ponta a ponta e bateu Diosmany Santana Gonzalez de Cuba (32min42seg21) e o outro brasileiro Alex Mendonça (32min53seg62). Já nos 200m feminino T46 (amputados) a ex-judoca cubana Yunidis Catillo faturou o ouro e o recorde mundial, com 24seg93, enquanto a brasileira Sheila Finder levou a prata com 27seg84, seguida pela canadense Stefanie Reid, com 29seg73.
Jenifer Santos – Nos 200m feminino T38 a brasileira Jenifer Santos ficou com a medalha de prata (31seg25), ao ser derrotada pela americana Sabra Hawkes, que marcou 31seg26 para o ouro, mas ficou à frente da canadense Mergan Muscat, que marcou 33seg86. Jenifer protagonizou uma cena curiosa ontem ao vencer os 100m rasos.
Devido ao barulho da torcida, os competidores não ouviram o juiz acusar a queima de largada pela segunda vez e correram até a linha de chegada, com Jenifer comemorando o ouro. Ao se darem conta do erro, eles voltaram para a partida de blocos e a brasileira venceu novamente ao marcar 14seg71. Foi uma prova muito difícil. Tive que correr duas vezes os 100m para confirmar a medalha. Apesar de ter percebido que a largada não tinha valido, fiz o que pude para conseguir vencer por duas vezes a atleta de melhor tempo na prova, comenta sobre sua primeira medalha em Parapans.
A terceira edição dos Jogos Parapan-americanos terá mais dois dias de competição, nesse sábado e domingo, a partir das 14h no sábado e 9h no domingo.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda