A Associação Paulista de Medicina promoveu nessa última quarta-feira em São Paulo o primeiro Fórum de Ética em Medicina Esportiva. Muitos médicos de renome e dirigentes de clubes estiveram presentes no evento para debater sobre a medicina e o esporte no Brasil.
Em ano de Copa do Mundo, o assunto principal foi a relação dos médicos esportivos com o futebol. Porém diversos tópicos dessa grande reunião pode ser aplicado em qualquer modalidade.
A interação entre médico e comissão técnica foi um dos importantes módulos abordados no encontro. Todos os médicos presentes concordaram que atualmente é importante ter uma comunicação entre treinador, médico e atleta.
Segundo o Dr. Paulo Zogaib integrante da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva (SBME), além de médico do grupo de atletismo BM&F, 75% dos atletas brasileiros só tem o primeiro contato com o médico quando vão para algum clube. Por isso essa interação entre médico e atleta deve ser bem feita.
O médico na verdade é mais do que um médico. Ele passa a ser um integrante da família. É quase um psicólogo, conta Dunga, ex-jogador da seleção brasileira de futebol.
No caso do atletismo, por exemplo, Zogaib afirma que a relação entre médico e fundista é mais tranqüila. Mesmo com as distâncias, já que em muitos casos o corredor treina em outra cidade do médico, os corredores são mais conscientes.
A mídia fica menos em cima de um profissional de atletismo, portanto a pressão é menor. Conseqüentemente o trabalho do médico com esse atleta é mais tranqüilo, ao contrário do futebol que acontece qualquer lesão e todos já ficam sabendo, diz o Dr. Zogaib.
Como treinam sozinhos e participam de esportes que exigem o limite do ser humano, os corredores são mais focados. Mas mesmo assim muitas vezes é difícil segura-los para o tratamento, acrescenta Dr. Felix Albuquerque Drummond, Presidente da SMBE.
Para um melhor entendimento entre atleta e médico, o jornalista e médico Dr. Osmar de Oliveira acredita que o médico esportivo tem que ter amplo conhecimento. O médico precisa ter o conhecimento básico de diversas áreas para ajudar o atleta como nutrição, fisiologia, fisioterapia entre outros. Assim quando lesionado, o médico pode utilizar várias ferramentas para curar, comenta Dr. Oliveira.
Prevenção – Assim como a interação médico/atleta, todos afirmam que exames preventivos são necessários. Esses tipos de exames podem evitar incidentes como o do jogador de futebol Serginho. Ele faleceu durante uma partida de futebol após ter uma parada cardíaca.
Vivemos numa situação delicada no esporte por causa de acidentes como o caso do Serginho. Esses acidentes servem para nos lembrar em investir nessa área. A vida é assim, você passa a atuar mais quando os acidentes acontecem, lembra o Dr. Marco Aurélio Cunha, superintendente e médico do São Paulo Futebol Clube.
Este texto foi escrito por: Donata Lustosa