O primeiro ciclo do ano está no fim. Conhecido como “base” geralmente é aplicado pelos técnicos nos três primeiros meses de cada temporada. Com a entrada do último mês, o ciclo chega agora em março na sua fase final. Foi isso que comentou Prof. Danilo Balu, consultor de Nutrição do Webrun e também Bacharel em Esporte pela Universidade de São Paulo, graduado em Nutrição e Sócio-Treinador da Ação Total Consultoria em Qualidade de Vida, na cidade de São Paulo.
Webrun – Como você observa seus atletas no retorno das férias e início do ciclo de base?
Danilo Balú – É muito comum os atletas retornarem de suas férias de final de ano com um leve aumento no peso e menos condicionados até em função da periodização. Porém eles acabam retornando muito motivados para as principais provas do primeiro semestre do ano. Muitos declaram a intenção de correr alguma das grandes maratonas internacionais, melhorar a marca pessoal no 10km ou então correr o Revezamento Volta à Ilha de Florianópolis. Juntamente com o desejo de retomada de condicionamento e de forma física, todos voltam muito motivados e descansados após as férias.
WR – Conte um pouco mais sobre a preparação de base?
DB – Ao contrário do que já foi muito pregado, o mais importante, ao meu ver neste início de ano, é que o atleta em condições de um treinamento aeróbio mais longo, já no primeiro mês, deveria enfatizar o fortalecimento muscular geral (musculação ou circuitos), ou então um treinamento enfatizando a velocidade sem se preocupar com o treinamento da resistência (ou tolerância) da velocidade específica para a prova que ele está treinando. É um modo seguro e muito mais efetivo do que ficar apenas na resistência extensiva em baixas velocidades.
WR – Como você lida com a ansiedade de seus atletas no retorno, já que muitos desejam correr uma maratona, sem ter feito uma meia, outros uma ultra sem ter corrido uma maratona. Como é feito o planejamento anual individualizado de cada atleta?
DB – Início de ano vem sempre com resolução nova. É normal aparecerem desafios para motivá-los mais. Mas tudo é traçado conforme as possibilidades levando-se em conta o passado esportivo, experiência na modalidade e as atuais condições físicas. Não sendo possível, uma conversa franca com o atleta apenas refaz alguns projetos para que continue motivado. Traçado o plano, penso ser fundamental que o corredor saiba a programação para que entenda e ajude no cumprimento de tudo.
WR – Como é trabalhado o lado físico e psicológico de seus atletas neste primeiro mês de base?
DB – É difícil encontrar algum atleta que goste verdadeiramente do treinamento de base. Para isso é fundamental explicar a importância e a metodologia deste início de preparação. É importante que fisiologicamente o treinamento seja coerente, mas não custa muito montá-lo de modo que seja possível aumentar a motivação do grupo durante esta fase.
WR – Como é planejada a temporada nesta fase?
DB – Eu gosto de montar a temporada com uma preparação geral até fim de fevereiro e começo de março, utilizando algumas competições no mês de março para avaliar o treinamento e o condicionamento. Assim é possível atingir um pico no mês de abril e maio, dependendo sempre dos objetivos alvos do aluno. O mês de junho ainda é um mês competitivo. Já em julho pode ser considerado um mês de transição, muitos viajam e o frio também é mais duro.
WR – Qual é número de novos atletas em sua equipe no começo do ano e no final?
DB – Por incrível que pareça as resoluções do ano novo não necessariamente estão tão ligadas à procura por uma assessoria esportiva. A procura acontece mais com a chegada do calor. No início do ano muitos ainda estão fora e já pensam no carnaval. Os que estão aqui são os mesmos do ano passado. A taxa de desistência também é muito baixa. O que ocorre mais é o trancamento parcial daqueles que viajam muito. Mas já retornam em fevereiro.
Este texto foi escrito por: Harry Thomas Jr.