O segundo dia do Fórum Internacional de Esportes, no Centro Sul, Florianóplis, foi marcado por palestras, a primeira delas sobre políticas nacionais de esportes de rendimento, proferida por Douglas Morato Ferrari, Assessor da Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento; Projeto Escola Aberta, com Jacob Anderle, Secretário Estadual de Educação e Inovação de Santa Catarina, e Ética e Formação profissional em Educação Física, com o professor Ângelo Vargas, do Conselho Federal de Educação Física. Este evento é uma realização da Secretaria do Organização do Lazer, através da Fesporte, com apoio do Grupo RBS e termina amanhã (sábado) no final da tarde.
Na primeira palestra do dia o professor Douglas Morato, que substituiu Magic Paula que não pode vir por problemas particulares, falou sobre a política nacional de esporte de alto rendimento. Mostrou todo o cronograma de sua secretaria, cuja finalidade é qualificar parcerias, entre as quais as federações, que desenvolvam projetos esportivos para que sejam multiplicadoras também de ações esportivas. Em sua explanação, destacou que o esporte brasileiro tem uma característica clubista e que muitos dos clubes estão com suas dependências ociosas, porque o esporte não está perfeitamente estruturado e também porque falta transparência no setor.
Ele defende que não somente o clube seja o ponto de partida para a iniciação do esporte de alto rendimento mas também a escola. Ela é a célula para isso e também tem que ser o norte deste processo. Ferrari disse ainda que as dificuldades do esporte brasileiro de alto rendimento passam por três problemas principais: falência na base, performance atual (os resultados) e a baixa captação do Brasil em eventos internacionais. Para reverter essa quadro estão sendo implantados programas como o plano 2007 e o programa Brasil no esporte que visam melhorar os resultados das equipes brasileiras em modalidades esportivas e fomentar o desenvolvimento de esportes de alto rendimento.
Nesse processo há estratégias para o descobrimento de novos talentos, aumento da participação de delegações brasileira em competições internacionais, além da luta pela captação e realização de eventos esportivos internacionais. Para desenvolver toda essa política o Governo Federal dispõe para orçamento deste ano 43 milhões, sendo apenas 17 mil destinados a projetos esportivos.
Para ele, algo ainda muito pequeno: falar das dificuldades orçamentária na área do esporte do Governo Federal é fazer eco aos orçamentos esportivos dos governos estaduais e municipais. Ferrari aponta o caminho da parceria com outras entidades para driblar essa dificuldade e exemplifica o governo brasileiro, que está implementando parcerias com o Canadá e Cuba.
Uma das preocupações do assessor de Magic Paula é a constatação de que nos últimos anos vêm se reduzindo as cadeiras do esporte no organograma dos governos nas três esferas, o que vem a ser um paradoxo já que é sabido a importância do esporte para a inclusão social. Para os novos profissionais ele pediu para que se faça uma limpeza desse pensamento. Todos têm que saber que o esporte promove cidadania, pregou.
Escola Aberta – A segunda palestra do dia, cujo o tema foi Escola Aberta, foi proferida pelo professor Jacob Anderle. Ao fazer uma avaliação dos aspectos pedagógicos, curriculares e formação humana desenvolvidas nas escolas de Santa Catarina, Anderle disse que esse processo está sendo deficiente no Estado e por isso é questionável. Apontou também que há uma necessidade da melhoria da qualidade e este será um desafio não somente do governo mas da própria gestão escolar. Observamos claramente que a prática do esporte foi reduzida na sociedade e na escola. E a escola é um local privilegiado. É o espaço em que o poder público pode investir. Há a possibilidade de se desenvolver cidadania de forma organizada.
O secretário disse que Santa Catarina pretende ser o segundo Estado a implantar o Projeto Segundo Tempo – cujo o piloto foi lançado recentemente em Goiás – em parceria com o Governo Federal para um trabalho de inclusão social por meio do esporte nas escolas. Outra alternativa será a ampliação do tempo pedagógico nas instituições escolares. E as conversas iniciais, para a implantação desse objetivo já foram iniciadas com o Ministro da Educação Cristovam Buarque.
Na terceira palestra do dia, proferida pelo professor Ângelo Luis de Sousa, do Conselho Regional de Educação Física (Crefi) do Rio de Janeiro, o tema foi Ética e Formação Profissional em Educação Física. Nesse evento foram discutidos, entre outros assuntos, a polêmica em torno do profissional de educação física sem diploma, os chamados provisionado, que em Santa Catarina são 1.600 exercendo a profissão.
Sousa disse que esse profissional está em processo de extinção e que é necessário que estes se qualifiquem pois a profissão requer um preparo técnico que só a universidade pode dar. A lei que regulamenta a profissão é de um aspecto político, de cunho social e de norma técnica. Assim, a profissão também é uma ação política e de pacto social. Estar fora da lei é uma quebra de norma técnica e consequentemente uma ação anti-ética , revela o conselheiro.
Em sua palestra ele informou que o profissional de educação física tem uma responsabilidade civil e que os provisionados precisam de qualificação. Em Santa Catarina há 4.500 profissionais de educação física inscritos no Conselho Estadual da categoria e dos 1.600 provisionados 30% já estão em processo de qualificação.
Este texto foi escrito por: Webrun