
Valmir Nunes (com a bandeira) é o único brasileiro campeão mundial dos 100K. Tem dois títulos mundiais (1991 e 1995) (foto: Divulgação)
Mesmo debilitado por problemas estomacais, que o fizeram vomitar durante os últimos 60 quilômetros da corrida, o brasileiro Valmir Nunes (Memorial/ Mizuno) garantiu o vice-campeonato na Spartathlon, a ultramaratona mais cobiçada pelos principais destaques internacionais, na Grécia. Bicampeão mundial dos 100 km e recordista das Américas em corridas de 24 horas, ele buscava a 2ª vitória na disputa, que tem nada menos que 245,3 km em terreno acidentado, entre Atenas e Sparta.
Faltando 60 km para o final, Valmir sentiu dores estomacais e o desgaste do forte calor. Vomitou várias vezes, intercalava corrida com caminhadas para tentar a recuperação, mas não abandonou a corrida, completando o trajeto em 25 horas 30 minutos e 35 segundos. O vencedor, com 23h28min24s, foi o austríaco Marcus Thalman, que em 2001ficou em 5º lugar (quando o brasileiro foi o campeão) e ano passado foi o vice, com 23h28min24s.
Os dois correram próximos por mais da metade da prova até que Valmir passou mal. cheguei a sentar de tanta dor que senti, mas tinha na mente que não iria desistir. Pensei muito na minha família, nos amigos, patrocinadores. O psicológico é fundamental nessas horas e tenho experiência em ultramaratonas desde 1990, disse Valmir, por telefone, antes de ir para o hospital. Vale destacar que o brasileiro continua sendo o 2º corredor mais rápido nos 21 anos da prova. Em 2001, ele venceu com o tempo de 23h18min.
Esta foi a 3ª prova internacional de longa distância feita por Valmir num período de apenas seis meses. Em abril, em Taiwan, ele venceu Soochow University Endurance Race, uma prova de 24 horas, onde garantiu a incrível marca de 273 quilômetros 823 metros, equivalente a 6,5 maratonas, sem parar, sendo a melhor marca das Américas neste tipo de disputa. Um mês depois, voltou a vencer nas 24 Horas da Suíça, com 241 km completados. É muita corrida para um período tão curto. O corpo fica debilitado, cansado. Senti o desgaste, completou o corredor, que mora e treina em Santos.
A Spartathlon é realizada entre Atenas e Sparta e só atletas que têm seus currículos previamente aprovados participam. A prova tem um grande apelo emocional, por ser baseada na antiga descrição de Herodotus sobre a história do mensageiro e soldado grego, Pheidippides, que correu durante um dia inteiro para buscar reforços, durante a Guerra entre gregos e persas, em 490 AC, dando origem à Maratona e ao Atletismo.
Além da distância, a disputa apresenta vários obstáculos naturais. A largada é feita no nível do mar e os atletas alcançam mais de 1.200 metros de altitude. A temperatura é outro fator determinante, variando de 9 a 36 graus. Um dos pontos mais duros do trajeto é a Montanha de Parthenio. A inclinação é chamada de traiçoeira, com muitas rochas pelo caminho.
Este texto foi escrito por: Webrun