Eles preferem correr: conheça a história de jovens que trocaram as baladas por corridas

Redação Webrun | Corridas de Rua · 12 mar, 2015

Enquanto a faixa-etária dos frequentadores de academia parece diminuir, a procura por atividades esportivas definitivamente cresce. Em pesquisa feita pelo Ibope e divulgada no site oficial do Rio2016 temos a comprovação em números: 89% dos jovens de até vinte anos de idade praticam algum tipo de esporte e 59% dedicam até duas horas por dia.

Os motivos vão desde insatisfação com o peso até preocupação com a saúde, e claro, não podemos esquecer a constante influência que os perfis fitness das rede sociais cada vez com mais seguidores exerce.

Lucas, Aline e Tatiana: dispensar as festas no sábado a noite para participar de competições no domingo é uma realidade para eles. Foto: Arquivo pessoal. Lucas, Aline e Tatiana: dispensar as festas no sábado a noite para participar de competições no domingo é uma realidade para eles. Foto: Arquivo pessoal.

São jovens que estão na fase de descobrir a vida noturna, onde o primeiro contato com o álcool muitas vezes acontece. Passada esta fase e uma vez que o esporte se torna parte da rotina, fica cada vez mais difícil conciliar o treino com as noitadas. “Sexta e sábado eram dias oficiais de ir pra balada. Hoje, reduzi as saídas em 80%”, relata Lucas Garcia Marcone, paulista de 20 anos e corredor há um ano e meio.

Quem concorda é a médica Tatiana Valdeolivas Weissmann. “Era rata de academia, mas saía pelo menos três vezes por semana. Porém, quando comecei a correr, fiquei comprometida com a minha evolução e reduzi as saídas”.

Lucas emagreceu 22 quilos. Foto: Arquivo pessoal. Lucas emagreceu 22 quilos. Foto: Arquivo pessoal.

O aspecto financeiro também chama atenção. Segundo levantamento feito para esta matéria, os clubes mais conceituados de São Paulo cobram entrada de, em média, R$250 consumíveis.

Estes valores podem chegar até R$3.000 se adicionarmos um “camarote” na conta. Os drinks custam a partir de R$25 e uma dose de uísque pode custar cerca de R$78.

Enquanto isso, inscrições para as provas como o Circuito das Estações ou Night Run podem variar de R$79 a R$210 (kit com jaqueta, camiseta, sacola e led de tênis). A corrida é um esporte relativamente barato, pra começar basta um tênis e disposição.

“Mas conforme você vai evoluindo, se interessando e querendo correr cada vez mais, o custo também aumenta”, alerta Tatiana, que no último final de semana correu os 21 quilômetros do XTerra de Mangaratiba.

O kit simples para uma etapa do XTerra custa a partir de R$79. Mas como a prova acontece em cidades litorâneas, muitas vezes os salgados preços do deslocamento, hospedagem e alimentação entram na conta. No site oficial do evento, os triatletas podem comprar um combo de seis etapas por R$1.300 (apenas inscrições).

Mas isso não parece ser um problema para a fisioterapeuta e professora universitária Aline Nogueira de Oliveira. “Prefiro gastar com inscrição, tênis, roupa esportiva e acessórios do que com consulta médica, remédios e terapia. Por isso acho que vale todo o investimento na minha saúde física e mental”.

Muitos amigos começaram a correr por incentivo de Tatiana. Foto: Arquivo pessoal Muitos amigos começaram a correr por incentivo de Tatiana. Foto: Arquivo pessoal

De acordo com Tatiana Weissmann, os investimentos na corrida ultrapassam o lado financeiro. “Só quem corre sabe o preço de sair cedo de um aniversário porque no dia seguinte tem longão, não beber em um casamento porque a maratona é dali a uma semana…”

Mas há recompensas. “O bem estar depois de uma corrida é indescritível, seja qual for a distância e seu objetivo. Mesmo que não se pense em saúde, cruzar a linha de chegada é uma experiência mágica até mesmo pra quem é amador como eu, que só está competindo com você mesmo”, finaliza.

As amizades também sofrem mudanças para aqueles que colocam a corrida a frente das outras áreas da vida. “Meus amigos dizem que sou louco. Às vezes deixo de sair no sábado para treinar 21 quilômetros no domingo. Eles dizem que nunca conseguiriam fazer isso”, conta Lucas.

Os amigos de Aline compartilham a mesma opinião. “Meus amigos acham que eu sou louca (risos). E como nenhuma das velhas amizades corre, acabamos nos afastando”.

Tatiana também tem este “problema”. “Vários amigos acham que pirei. Acham um absurdo eu estar acordando na hora que estava chegando da noitada, me chamam até de chata por não beber frequentemente”.

Mas há os compreensivos: “Tem aqueles que acham legal, botam pilha, estiveram presentes quando completei a primeira meia maratona e também a maratona. Sem contar que muitos começaram a correr por incentivo meu. E também tem os novos amigos da corrida, claro”, relata.

Agora quando o assunto é compromisso social, Tatiana é pragmática. “Sem argumentos, a corrida está sempre em primeiro lugar. Até convenci a minha irmã a mudar o horário do batizado da minha sobrinha por conta do horário do treino”, diverte-se.

Este texto foi escrito por: Camila Pissolito

Redação Webrun

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