Pode ser a sua primeira prova, a dificuldade do percurso ou até mesmo a falta de treino. O fato é que tanto os atletas amadores quanto os experientes não escapam dos medos que podem chegar antes ou durante a corrida.
O sonho de Iraleide quase virou pesadelo. Foto: arquivo PessoalMas como lidar com esses fantasmas que insistem em assombrar os competidores? Conversamos com alguns corredores para descobrir qual o maior medo de cada um e como superam isso para acabar bem a prova.
Nome: Iraleide da Silva Vaz
Idade: 38 anos
Profissão: Atleta amadora
Medo: Perder a hora de levantar e não chegar a tempo na prova
MOMENTO MARCANTE O medo apareceu em janeiro de 2014, no Desafio do Dunga, que é realizado na Disney em Orlando/EUA. São ao todo 78 quilômetros divididos em quatro provas (cinco; dez; 21 e 42 quilômetros).
Na noite que antecedia a primeira prova só consegui dormir duas horas com medo de não acordar a tempo e perder a largada. Segundo a atleta, antes da terceira prova, a Meia Maratona, ela não conseguiu dormir e no dia a ansiedade no caminho até a competição não facilitou em nada. Saímos do hotel mais cedo por causa do trânsito e acabamos nos perdendo na estrada. A hora da largada estava se aproximando e eu comecei a chorar porque não adiantava correr a maratona no domingo e não correr a meia no sábado, pois não ganharia as seis medalhas do Desafio do Dunga e do Pateta. Porém, com uma ajudinha do GPS ela conseguiu chegar a tempo. Já no último dia, que era a Maratona, ela saiu bem antes para evitar atrasos.
SUPERAÇÃO Iraleide conseguiu terminar a competição e recebeu as tão sonhadas e merecidas medalhas. Hoje em dia procuro relaxar e não ficar pensando muito na corrida pra não ter insônia e acordar bem.
Nome: Sâmela Miranda de Souza Paim
Idade: 21 anos
Profissão: Fundista amadora
Medo: Ser empurrada e cair, ou até mesmo ser pisoteada pelo número grande de competidores
Samela contou com ajuda dos colegas para superar os problemas. Foto: arquivo pessoalMOMENTO MARCANTE A competição que mais apavorou Sâmela foi uma corrida no parque Ecológico do Tietê. Ela conta que, por conta de tanta ansiedade acabou passando mal e teve que dormir durante a viagem até a prova.
Chegando lá, ao ver a multidão, comecei a tremer e senti vontade de ir ao banheiro, foi tenso! Só consegui correr porque fui bem atrás do pessoal, tanto que passei pelo tapete 27 segundos após a largada. E a insegurança era tanta que faltando apenas um quilômetro para acabar a corrida ela acabou fazendo xixi na roupa.
SUPERAÇÃO A solução foi formar uma espécie de barreira com os colegas da assessoria, mas a estratégia não deu muito certo, já que pouco antes da largada cada um foi para seu canto e só restou encarar o medo de frente. Fui obrigada a correr com ou sem medo, o que para minha surpresa resultou numa bela prova. Fui segunda colocada. E assim aprendi que o medo só vai continuar existindo enquanto o alimentarmos.
Nome: Mariana Farinha Pinto Saraiva
Idade: 28 anos
Profissão: Engenheira química
Medo: Ter uma lesão pré-prova e ficar impossibilitada de correr
MOMENTO MARCANTE Em 2014, Mariana havia se preparado durante três meses para uma meia maratona com a meta de melhorar a marca pessoal, mas se deparou com o seu maior medo. Duas semanas antes da prova comecei a sentir dores no tornozelo, entrei em pânico com a ideia de não correr a prova, pois havia treinado muito e estava ansiosa com toda a situação.
Mariana teve uma lesão psicológica. Foto: Thais Rosana Segundo a corredora, ao procurar um médico e um fisioterapeuta, foi tranquilizada de que estava tudo bem fisicamente. Na verdade o problema era o psicológico, já que muito havia sido feito para a participação naquela competição, como dinheiro gasto para a viagem e treinos preparatórios. Estava me colocando uma pressão que se transformou em dor real, só pensava e se eu sofrer mais na prova? e se eu tiver que abortar a corrida?”.
SUPERAÇÃO Foram duas semanas de fisioterapia preventiva, preparação psicológica e, por fim, o resultado foi positivo. Ela terminou a prova sem dor, bateu o recorde pessoal e hoje é adepta do pensamento positivo. Meu mantra virou o que a mente quer, o corpo executa e o universo conspira! e assim consigo contornar o medo e afastar esse fantasminha!.
Nome: André Ricardo Cunha Rufato
Idade: 36 anos
Profissão: Cirurgião dentista
Medo: Não conseguir terminar a prova
MOMENTO MARCANTE Foi em 2014, na corrida da Sustentabilidade 10k, em São Caetano do Sul, que André sentiu mais esse medo, apesar de já conhecer bem o percurso. Mesmo já na distância há um ano, sempre antes de uma prova fico com medo de algo errado acontecer e eu não aguentar terminar. Segundo o esportista, a competição foi cansativa, o corpo mostrou sinais de cansaço, as dores começaram a surgir e a briga com a mente foi dureza.
André teve medo de não completar a prova. Foto: Fernanda Balster/ WebrunSUPERAÇÃO Felizmente o corredor não deixou se abater pelo medo e completou a prova fazendo o seu melhor tempo. O controle psicológico foi fundamental para que ele superasse as adversidades.
A cada quilômetro tenho que brigar com minha mente para não desistir e continuar até o final. O tempo todo penso em todo o meu treinamento, minhas dificuldades, minha paixão pela corrida e no final depois que eu passo pela linha de chegada percebo que tudo vale a pena.
São muitos pensamentos que assolam as mentes dos competidores, inclusive os negativos, e infelizmente não tem como evitar isso. Mas, colocar na cabeça que vai conseguir já ajuda bastante e saber o seu limite é essencial. Esses atletas encontraram uma maneira de fazer o medo correr para bem longe. Faça o mesmo.
Este texto foi escrito por: Denise Duarte