Quem nunca brincou com o amigo para ver quem chegava primeiro? No pega a pega, sempre queríamos correr mais rápido para não sermos pegos. Crescemos, mas as brincadeiras continuam de geração em geração. Além delas, agora existem as cada vez mais comuns competições exclusivas para crianças.
A competição na idade infantil costuma ser questionada devido ao estímulo muitas vezes exagerado dos próprios pais. Para a psicóloga Gabriela Gomiero, a competição é saudável quando tratada com ética. Ao estimula-lá é necessário também estimular junto princípios e valores como garra, determinação e autoconfiança, explica.
O pequeno Luiz Eduardo na competição de duathlon indoor Foto: Arquivo pessoalA administradora de empresas Cirlene Santos, conta que seu filho de quatro anos, Luiz Eduardo Santos de Oliveira adora participar da prova de duathlon indoor em Santos, litoral de São Paulo. A organizadora Cássia Campi conta que a ideia surgiu para que as crianças sejam estimuladas a ver sua evolução, sendo isso uma grande vitória.
Focamos para que os pais incentivem e reforcem que os resultados são pessoais, evitando fazer comparações, explica Cássia. O pequeno Luiz Eduardo parece que aprendeu a lição e diz que o caso não é perder, e sim se divertir.
A educadora física Nicole Guaita explica que a atitude dos pais é fundamental. Muitas vezes eles ficas mais ansiosos que as crianças e as inserem no meio competitivo sem necessidade. Para ela é importante que a criança crie um vínculo positivo com a atividade física, já que cada vez mais elas estão somente ligadas em vídeo game e internet.
No duathlon indoor as crianças competem nas categorias tubarão, golfinho, foca e cavalo marinho Foto: Arquivo pessoalNicole sugere que os organizadores das provas não adaptem simplesmente a corrida para crianças, mas sim que criem atividades lúdicas, com circuitos e desafios que pareçam brincadeira para elas.
A obrigação de competir e a decepção da perda também são assuntos importantes a serem tratados. Os pais devem primeiro ver como lidam com suas próprias derrotas antes de lidar com as dos filhos. Essas são ótimas oportunidades de evolução e ensino de que os grandes vencedores são aqueles que colaboram uns com os outros, explica a psicóloga Gabriela.
Para não criar um trauma na vida da criança, os pais devem perceber se elas estão sendo forçadas a participar. Muitas crianças pedem até desculpa por achar que estão decepcionando os pais, é preciso ficar atento, finaliza Nicole.
Como diz o pequeno Luiz Eduardo, o importante é se divertir.
Este texto foi escrito por: Christina Volpe