Quem conhece Luiz Fernando Martins em um de seus treinos e provas de ultramaratona, não imagina que ele é portador de diabetes tipo um há 30 anos. A doença se manifestou na infância, quando seu pai percebeu mudanças no corpo do filho e desde então eles foram aprendendo a conviver com a diabetes e Luiz já completou diversas corridas de longa distância.
Luiz com seu medidor glicêmico em um de seus treinos Foto: Arquivo pessoalO início
Já adulto, após levar o fora de uma namorada, Luiz resolveu correr na praia de Santos, onde mora, para relaxar. Ele acabou se sentindo tão bem que, depois daquele dia não parou mais. Após alguns anos correndo sem acompanhamento ele foi apresentado a uma assessoria que possui vários diabéticos, a Nova Equipe, do atleta Emerson Bisan. O treinador, que também é portador da doença, nunca deixou de praticar esportes, tendo corrido 59 maratonas e diversas ultramaratonas.
Ao entrar na assessoria, Emerson avalia a qualidade do treino do aluno e mostra que não é preciso ter medo da doença. Muitas vezes levamos vantagem em relação a outros corredores não portadores de diabetes, pois temos mais uma ferramenta de controle metabólico, o glicosímetro e sabemos se estamos correndo de tanque cheio para determinada distância, explica o treinador.
Segundo a endocrinologista e educadora em diabetes Lidiane Indiani, o paciente com diabetes deve ter como precaução saber como esta sua glicemia no momento que irá iniciar uma atividade física, realizando assim um teste de glicemia capilar.
Luiz no primeiro lugar do pódio de uma ultramaratona em Praia Grande, litoral de São Paulo Foto: Arquivo pessoalAs corridas
Luiz é prova de que é possível manter uma vida ativa e saudável mesmo sendo portador de diabetes. Sempre com acompanhamento ele vem se especializando em provas de longa distância. Em apenas dois anos de treinamento com a Nova Equipe ele já participou de sua primeira maratona em 2013, concluindo sub quatro horas de prova. Logo depois fez três ultramaratonas, a BR 135 que tem 217 quilômetros e é considerada uma das mais difíceis do Brasil, uma prova de 12 horas noras no Guarujá e outra de seis horas na Praia Grande.
Luiz em um de seus desafios. Ele tem uma tatuagem com a identificação da diabetes na perna esquerda Foto: Arquivo PessoalQuando comecei a treinar meu pai vivia indo atrás de mim para medir meu índice glicêmico. Ele ia de ponta a ponta nos meus longões para ver como meu corpo estava reagindo. Ele queria me ver completando a São Silvestre, mas infelizmente não foi possível. Hoje corro por ele e sei que está me olhando lá de cima, conta Luiz que sempre teve o apoio da família, do Institulo Allejo e da loja Vitshop. Por indicação de sua nutricionista, Andrea Matarazzo, Luiz carrega durante os treinos e provas um kit com insulina, jujubas e gel de hidratação.
Segundo pesquisa do Ibope de 2013, em três anos o número de pessoas com diabetes pulou de 7,6 milhões para 13,4 milhões. Porém, a maioria das pessoas desconhece a doença e como lidar com ela. Lidiane Indiani explica que, tanto para diabetes tipo um, quanto para a tipo dois, praticar esportes ajuda no controle da doença, diminuindo a resistência do corpo à insulina.
Luiz não se deixa abalar pela doença e já tem seus objetivos para os próximos meses. Vou para a prova de 50 quilômetros do XTerra em Ilhabela e logo depois, em julho, participarei da Maratona no Rio e do desafio de revezamento das 28 praias, que terá 40 quilômetros, conta o empolgado atleta.
O ultramaratonista deixa uma mensagem para as pessoas que possuem diabetes: sou a prova de que o controle da doença é possível. Vejo várias pessoas culpando a diabete pela saúde prejudicada, mas ela não tem nada a ver. Quem quer de verdade, se cuida.
Este texto foi escrito por: Christina Volpe