A síndrome compartimental é o aumento da pressão dentro de um espaço anatômico restrito e com consequente queda da irrigação sanguínea para os músculos e órgãos nele contido. Pode ser aguda, normalmente resultante de traumas de alta energia como acidentes automobilísticos, ou crônica. A diminuição do fluxo sanguíneo impede a nutrição e a oxigenação adequada ao músculo, e se constitui em uma emergência médica se ocorrida agudamente.
Os sintomas cessam normalmente quinze minutos após o exercício. Foto: © javy – Fotolia.comAs causas principais da síndrome compartimental aguda (SCA) podem ser a constrição de membros por aparelho gessado, curativos compressivos, uso inadequado de manguitos para aferição de pressão arterial não invasiva (principalmente em neonatologia), e hemorragias , casos em que se constitui em uma urgência ortopédica.
A síndrome compartimental crônica (SCC) é uma condição de aumento de pressão dos tecidos dentro de um compartimento fechado, e uma das causas de dor nas pernas decorrente de exercícios físicos em atletas amadores, profissionais ou até recreacionais, chegando a acometer entre 5 e 15% destes esportistas. Existem fatores predisponentes para o desenvolvimento da SCC, como traumas de baixa intensidade, hérnias musculares, processos inflamatórios crônicos, e hipertrofia muscular devido ao uso de anabolizantes.
O aumento da pressão dentro do compartimento causa a redução do fluxo sanguíneo do local, provocando dor, alterações subjetivas e objetivas da sensibilidade da região, vermelhidão, inchaço, sensação de enrijecimento da perna e dificuldade de movimentação do tornozelo.
O aumento crônico da pressão intracompartimental pode levar a um espessamento da membrana que recobre os músculos (fáscia) e um desarranjo permanente das fibras musculares, e consequentemente a uma lesão irreversível.
Os corredores relatam dores nas pernas de caráter progressivo, mesmo em distâncias curtas, que aumentam até o ponto que necessitam parar de correr. Os sintomas cessam com a parada do exercício, após 10 a 15 minutos do término. Os sintomas desaparecem no repouso e antes do exercício, e os atletas são capazes de determinar quanto tempo depois do exercício iniciado que começarão os sintomas.
O diagnóstico se baseia na história clínica do paciente e na medição da pressão intracompartimental, cujo índice no repouso é de 15 mmHg e após 5 minutos de exercício se encontra em 20 mmHg. O tratamento conservador não é efetivo na maioria das vezes, e pode compreender medidas cinesioterápicas (exercícios) dentro de sessões de fisioterapia. O tratamento cirúrgico consiste na fasciotomia, que é a liberação cirúrgica da fáscia (membrana que recobre os músculos) realizada quando existe falha no tratamento convencional.
Este texto foi escrito por: Dr. José Marques Neto