Corredores devem ficar atentos às dores inflamatórias

Redação Webrun | Outros · 28 out, 2013

No texto passado abordamos o assunto da dor, que é um sintoma que pode limitar a prática da corrida, alertando os praticantes a procurarem orientação especializada tanto para prevenção como para tratamento. A orientação médica é fundamental para o bom desempenho do atleta no esporte.

Edema, mais conhecido como inchaço, é um dos sintomas que geram a dor. Foto (CC BY-SA 3.0/  Licença Creative Commons) Edema, mais conhecido como inchaço, é um dos sintomas que geram a dor. Foto (CC BY-SA 3.0/ Licença Creative Commons)

Os esportistas sentem dores, isto é normal, pois os músculos trabalham e, às vezes, não estamos bem alongados ou exercitamos locais do corpo novos. Outros sintomas também podem causar desconforto e, assim, a inflamação muscular e elas são cinco: dor, aumento de tempertura (hipertermia), rubor (vermelhidão ou hiperemia), edema (inchaço) e perda parcial ou total de função.

Mas o atleta precisa ficar atento com isso, pois a dor é apenas um dos cinco sintomas e sua ausência não significa que a lesão esteja curada. Este pensamento, porém, é muito comum entre os corredores, que acabam retornando aos treinos sem levar em consideração outros aspectos que envolvem o processo de cura. A cicatrização, além de outros aspectos fisiológicos que são fundamentais para a corrida como força, capacidade de reação, estabilidade e equilíbrio muscular são considerados processos de cura.

Abordaremos em breve estes temas, que particularmente, considero primordial quando trato de um corredor antes da alta da reabilitação.
Imagine se não existisse o processo de cicatrização, seríamos uma fábrica de lesões. Como iríamos recuperar as microlesões após um treino de tiro, após uma prova longa? Pois é, se não houvesse inflamação dificilmente voltaríamos a correr e estaríamos sempre lesionados.

Quando se escuta o termo inflamação, automaticamente se pensa em algo negativo. O fato é que sem inflamação não tem cura: a ferida ficaria aberta, não cicatrizaria. Compreendem! Esta fase do processo de cura, dependendo do tipo de tecido (tendão, músculo, osso, fascia, ligamento, menisco, entre outros) tem um tempo fisiológico de resposta cicatricial. Quanto mais crônica e antiga for a lesão, mais tempo levará para cicatrização.

É justamente por isso que há condutas na fisioterapia que abordam diretamente a resposta inflamatória e o processo de cicatrização, otimizando essa resposta fisiológica e não combatendo a inflamação, como muitos acham de maneira equivocada. O processo de cura, para ser mais didático, é dividido em três fases: inflamatória, fibroblástica e remodelação-maturação.

Na fase Inflamatória há resposta dos vasos sanguíneos e das células de defesa. Os cinco sinais e sintomas já mencionados anteriormente participam desta recuperação, que dura até quatro dias.

Na segunda fase, Fibroblástica, há predominância das atividades proliferativas e regenerativas que conduzem a formação da cicatriz e reparação do tecido lesado. É muito comum os corredores retornarem, nesta fase, à pratica da corrida de maneira inadequada e precoce, pois a dor já não é tão incapacitante. Assim, o processo de cura é interrompido havendo um retorno à fase inflamatória, com seis semanas de recuperação.

Na Remodelação-Maturação, terceira e última fase, há o realinhamento ou remodelação das fibras de colágeno que formam a cicatriz. Esta adaptação depende das forças de tensão que são impostas ao tecido. É uma fase mais longa podendo chegar até dois anos. Nesta fase há o retorno ao esporte, levando em consideração outros fatores.

Para quem corre sentindo dores, cuidado! Seu corpo precisa de tempo para se reestruturar. Insistir e lutar contra a dor é um erro que pode custar muito para o corpo. Procurar um fisioterapeuta é imprescindível tanto na prevenção quanto no tratamento de lesões musculoesqueléticas decorrentes da prática da corrida.

Este texto foi escrito por: Ramon Guimarães

Redação Webrun

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