Nesse próximo domingo (22/09) se celebra o Dia Mundial Sem Carro, uma iniciativa francesa que começou em 1997 e só chegou ao Brasil em 2001 e desde então o dia 22/09 ganhou notoriedade em função dessa iniciativa. Em 2013 são mais de dez cidades que aderiram à campanha, que promove a sustentabilidade pelo uso de meios de transportes alternativos aos carros.
A cidade que mais terá ações de conscientização durante o Dia Mundial Sem Carro é São Paulo. O município paulista promoverá um passeio ciclístico, uma corrida de skate e também uma ação chamada de Vaga Viva, onde espaços públicos reservados para estacionamento de carros servirão para a convivência humana.
Além dessas ações, uma pesquisa realizada pelo Ibope e a Rede Nossa São Paulo mostra que a capital paulista já dá indícios de abandonar o carro e começar a usar outras formas de locomoção. Segundo os dados, são os jovens os mais entusiasmados a abandonar os carros e começar a usar ônibus, metrô, trens e também a caminhar mais pela cidade.
Traduzindo isso em números, 79% dos entrevistados que utilizam carros todos os dias disseram que deixaram em casa o automóvel particular caso tivessem boas opções de transporte público. Ano passado esse número era de 65%.
A bicicleta é apontada como uma das alternativas, mas os números levantados pela Ibope-Rede Nossa São Paulo mostram que os riscos de se pedalar pela maior cidade do país ainda afugenta os paulistanos das bicicletas. 35% dos paulistanos disseram que a falta de ciclofaixas e ciclovias não os motivam a andar de bicicleta pela capital.
Segundo pesquisa, paulistanos deixariam carro em casa caso o transporte público oferecesse boas condições – Foto: Mario Roberto Duran Ortiz/ Licença Creative CommonsAlém dos 79%– Thiago Freire, 35, morador da cidade de São Paulo, vai além do número de cidadãos. Ele já abriu mão do carro para se locomover pelas ruas paulistanas e se diz mais feliz por ter tomado essa atitude. Desde que eu comecei a andar pelas ruas, percebi que criei uma relação com a cidade. Eu me sinto mais presente, reflete.
O funcionário do Serviço Social do Comércio (Sesc) se desloca praticamente 12 quilômetros para chegar de sua casa ao trabalho. Para isso ele necessita caminhar e utilizar o metrô e o ônibus. Ele não usa a bicicleta por limitação de espaço dentro de sua casa e por falta de estrutura da própria cidade. Com certeza se São Paulo oferecesse condições de integrar transportes alternativos, o trânsito e a qualidade de vida das pessoas seriam bem melhores, afirma.
Freire vê que a cidade já oferece condições boas de transporte público, principalmente para quem mora e trabalha próximos as regiões centrais. Segundo ele, o metrô e ônibus já sofreram melhorias concretas e quem os utiliza sabe que isso acontece. Um caso de transporte público que ainda precisa melhor é a CPTM, por exemplo, aponta.
Outra ponderação dele é sobre as lotações no horário de pico, que só se amenizariam com a ampliação das linhas de metrô, maior oferta de ônibus com rotas mais bem planejadas e integração de transportes alternativos. O meu horário de trabalho me dá condições de não pegar ônibus e metrô em horários de pico, mas caso fosse pensado uma maneira de integrar a bicicleta, muita coisa melhoraria, encerra.
Este texto foi escrito por: Renato Aranda