Debate sobre uso do espaço da USP completa um ano; situação é a mesma

Redação Webrun | Corridas de Rua · 04 fev, 2011

A regulamentação do uso da USP deve acontecer neste semestre  (foto: AlexandreKoda/webrun.com.br)
A regulamentação do uso da USP deve acontecer neste semestre (foto: AlexandreKoda/webrun.com.br)

Depois de um ano de muitas discussões e dúvidas sobre quais rumos a Universidade de São Paulo (USP) deveria já ter tomado para colocar fim aos conflitos e a desorganização no uso do espaço público da instituição, nada foi feito.

Em janeiro de 2010, entre várias sugestões sugeridas pela Universidade, uma das propostas foi a criação de um cadastro para os frequentadores do campus que não fazem parte da comunidade universitária, entre eles corredores e ciclistas. Em seguida, outras ideias surgiram, como o pagamento de uma taxa pela assessorias esportivas que levam os alunos para treinar no local aos sábados, a limitação de algumas vias para a prática de atividades físicas ou até mesmo a proibição total no uso do local pelos praticantes. Sem nenhuma medida ter sido colocada em prática, a segurança dos esportistas continua em risco.

A corredora Ana Paula Alfano relata que há duas semanas esteve na USP para treinar e que foi surpreendida em um momento que precisava de ajuda. “Depois de correr minha pressão caiu e decidi lavar o rosto em um banheiro. Lembrei-me que havia um próximo, no prédio de psicologia, mas fui proibida de entrar”, relembra a atleta.

Segunda Ana Paula, apesar de ter explicado ao segurança do departamento que não estava se sentindo muito bem e que precisava utilizar o banheiro, o pedido não foi aceito. “Ele disse que não permitiria porque tudo estava sendo gravado e que ele ia acabar sofrendo punições se me deixasse entrar. Disse ainda que ninguém tinha me mandado correr na USP”.

Após a desagradável surpresa, Ana seguiu em direção a outro prédio, onde conversou com outro segurança e foi atendida. “Acho que o que aconteceu foi falta de humanidade. Se uma pessoa não está passando bem e pede um copo de água eu ofereço. Ajudo no que for preciso, independente se minha residência é pública ou privada”, acrescenta a corredora, que também se decepciona com a falta de uma regulamentação no campus.

“O problema não é proibirem de uma vez. Pior é quando a gente continua frequentando o lugar, porque ainda não foi vetado, mas também sem ter uma infra-estrutura adequada. O meu caso foi simples, mas imagina se realmente alguém tem um problema mais sério lá dentro”, alerta Ana Paula.

A USP atrai mais de cinco mil corredores e ciclistas em um sábado qualquer e na opinião do corredor de aventura profissional, ciclista e praticante multisport, Hadi Akkouh, a situação é caótica aos finais de semana. “Um estopim está prestes a explodir a qualquer momento. Os ciclistas treinam na mão dos carros, enquanto os corredores na mão contrária, mas muitas pessoas não respeitam isso e invadem a pista dos ciclistas”.

De acordo com Hadi, para que esta convenção entre os ciclistas e corredores fosse respeitada seria importante haver placas e sinalizações de solo para informar os atletas sobre seus respectivos espaços, assim as pessoas talvez respeitassem mais. “Outra sugestão que eu daria para a USP seria criar horários específicos para cada grupo. Por exemplo, os pelotões de bike poderiam treinar das 7h às 9h, enquanto os corredores das 9h ao meio dia, ou vice-versa”.

Para Nelson Evêncio, presidente da Associação de Treinadores de Corrida de São Paulo, um projeto com diversas sugestões já foi apresentado em meados de setembro do ano passado. “Ainda estamos dispostos a nos responsabilizar com o que propomos, a reciclagem das garrafas PET, uma parceria com os estudantes da USP e até mesmo uma taxa mensal para conservação do parque”, diz Nelson, que também gostaria de uma contrapartida da instituição. “Colaborando com a USP acho que seria justo termos acesso a uma ambulância ou um atendimento médico à disposição em casos de urgência, por exemplo”.

A diretora de Relações Institucionais da Coordenadoria do Campus da Capital, Cristina Guarnieri, argumenta que a situação permanece a mesma que a do ano passado, mas que neste primeiro semestre haverá uma regulamentação. “Nos próximos dias um grupo técnico avaliará todas as propostas recebidas, será feito uma triagem e o projeto será encaminhado ao reitor da Universidade, que deverá aprovar ou não o documento”.

Enquanto processos burocráticos, indecisões e falta de regulamentações imperar, motoristas, alunos, professores, ciclistas, corredores e outros frequentadores da Universidade de São Paulo terão que encontrar sozinhos uma forma de conviver harmonicamente, a fim de evitar acidentes graves. “Com a chegada da Olimpíada, certamente a USP será um polo de treino”, lembra Hadi. “Na verdade o problema é muito maior do que o conflito entre os atletas, é uma questão de política”, salienta o esportista, que lembra da carência de espaços públicos que a capital oferece para treinos de bike.

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Este texto foi escrito por: Monique Barleben e Alexandre Koda

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