
José Geraldo o homem folha (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
A edição 2006 da Volta da Pampulha, que aconteceu no último domingo (3) em Belo Horizonte (MG), serviu como preparação para a São Silvestre tanto para os atletas profissionais, quanto para os atletas que correram com algum adereço ou fantasia. Confira como foi a prova para cada um.
Belo Horizonte – Após uma semana chuvosa, o domingo amanheceu ensolarado e a temperatura às 8h estava em torno dos 25ºC. A largada aconteceu às 9h30, mas antes das 8h diversos atletas da categoria geral já estavam a postos na linha de largada, em busca de uma boa posição na multidão.
Enquanto isso, os atletas de elite faziam trotes e alongamentos para iniciar o aquecimento, em uma área especial. Marily dos Santos, Lucélia Peres; Márcia Narloch; Marizete Moreira; Sirlene Pinho, entre outras, dividiam o espaço com Franck Caldeira; Ubiratan José dos Santos; Giomar Pereira; Kosgnei Kiplimo; Cosmers Kemboi e outros corredores.
Conforme a hora de largada se aproximava, diversas pessoas chegavam nas proximidades da Lagoa da Pampulha e se amontoavam nas grades de proteção, para torcer pelos atletas. Como não poderia ser diferente, o mineiro Franck Caldeira, campeão em 2003, era reverenciado a todo o momento e recebia gritos e palmas de incentivo.
Largada – Às 9h aconteceu a largada dos cadeirantes, que foram reverenciados e aplaudidos pelo público presente do começo ao fim do percurso. Após 17,8km o primeiro a chegar foi Wendel da Silva Soares, com 46min26, que imprimiu um ritmo forte e chegou com uma boa distância em relação aos adversários.
A Pampulha é um percurso bom, é todo plano e os atletas imprimem um ritmo forte. Porém, nós, os cadeirantes, temos algumas dificuldades, como os quebra-molas e algumas curvas bem fechadas, onde temos que reduzir a velocidade, avaliou Wendel. Fora isso, é uma prova bem tranqüila de fazer e consegui um bom tempo. Minha tendência é melhorar, já que recebo um equipamento novo na segunda-feira, que vai reduzir o tempo em 20 a 30%, completou.
Às 9h10, com o sol brilhando forte por uma brecha entre as nuvens, as cerca de 20 mulheres da categoria de elite obtiveram a autorização para largar. Já os homens da elite e da geral saíram às 9h30.
Foram quase 20 minutos para que todos passassem pelo pórtico de largada. Entre os milhares de corredores, havia papais e mamães-noel; palhaços; pessoas carregando faixas com as mais diversas mensagens, além do atleta Ricardinho, o Mr.Bus, que já virou celebridade em Belo Horizonte e outras cidades por correr com um ônibus na cabeça.
No momento em que os relógios marcavam 10h12 Lucélia Peres cruzou a linha de chegada, faturou o tricampeonato após completar um percurso sob forte calor e mostrou estar recuperada do incidente que sofreu na Meia do Rio. Na ocasião ela liderava a prova e, por falta de hidratação, desmaiou nos metros finais. Hoje tivemos o cuidado com a hidratação, fiz duas reposições, ao contrário do Rio de Janeiro, que não consegui fazer. Tive o cuidado de não ter falhas com isso, pois estava muito quente. Lá foi uma infelicidade que espero que nunca mais aconteça, comentou a campeã.
Ela aproveitou também para comentar sobre a estratégia que usou na prova. Eu abri a partir do quilômetro nove. Até esse ponto corri ao lado da Márcia Narloch e depois comecei a abrir para vencer.
Vitória em casa – Já entre os homens, Franck aproveitou o apoio da torcida, deixou os quenianos para trás, cruzou a linha de chegada com muita vibração e repetiu o gesto de sua primeira vitória na Pampulha e na São Silvestre. Ele ajoelhou após cruzar a linha, beijou o chão e reverenciou o público.
Além dos torcedores, ele contou com o apoio de sua mãe, Vera Lúcia, que se emocionou ao receber o troféu das mãos do filho. Sabia que ela ia me trazer sorte. Corri muito bem e meu sonho agora é ganhar a São Silvestre e garantir uma vaga para o Pan-Americano do Rio, declarou o campeão.
O queniano Kosgnei Kiplimo, segundo colocado, comentou que não correu bem e disse que Franck mereceu a vitória. Foi fácil para ele, pois correu em casa. Eu não fui bem, pois no Quênia a umidade é maior do que aqui e tive dificuldades. Ele falou também que vai se dedicar à São Silvestre e pretende vencer, apesar de saber que os brasileiros virão fortes.
Após a chegada da elite, a festa dos corredores comuns continuou e para ajudar a diminuir o calor, a organização da prova montou uma espécie de chuveiro na chegada para as pessoas se refrescarem. Três estudantes de Engenharia Ambiental carregavam uma faixa com a frase pela revitalização da Bacia da Pampulha; um amante da natureza correu vestido de homem-folha e muitas outras fantasias compuseram o cenário da prova.
Essa é uma das provas mais bonitas do Brasil, esse espelho dágua é contagiante e a prova de hoje foi muito legal. Tomara que tenham milhares de provas iguais a essa, comentou José Geraldo da Silva, conhecido como homem-folha. Sobre a fantasia, pesada e abafada, ele explicou: a natureza é o maior patrimônio da humanidade e defendê-la vale qualquer sacrifício, comentou o atleta natural de Pedra Azul (MG).
Já Ricardo Teixeira, o tradicional Mister Bus, corre sempre com um ônibus na cabeça e diz que criou o personagem em 1999 durante os treinos para a primeira edição da Volta da Pampulha. Isso despertou a atenção do público e da imprensa e hoje virou um marketing, muita gente me conhece, comentou.
Impressões da Prova – Fantasias e personagens à parte, a atleta Juliana Lima, de Belo Horizonte, correu a Pampulha pela terceira vez e disse que esse ano foi um dos mais complicados. Estava muito quente, eu vim de uma maratona e tive que me desdobrar para chegar aqui e completar. Estava muito calor, tinha muita gente, não consegui baixar meu tempo de 1h21, mas foi bom.
Já Eduardo Dantas, conseguiu baixar o tempo na edição desse ano. Achei uma boa prova. Ano passado fiz 1h49 e esse ano 1h38 e fui bem melhor, consegui baixar em 20 minutos. Agora vou correr uma prova em Brasília e pensar na São Silvestre do ano que vem.
Segundo os organizadores, participaram dessa edição cerca de 10 mil pessoas, divididos em mil para a caminhada e nove mil na corrida. Já o público presente, que torceu e incentivou os corredores, foi estimado em quase 1.000 pessoas.
Blitz – Ao final da prova, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) realizou um teste anti-doping surpresa entre os 14 melhores no masculino e no feminino. Em vez dos oito exames de urina normalmente feitos, desta vez os corredores tiveram que passar pelo controle completo de drogas (urina e sangue) no Hotel Pampulha Flat.
Essa blitz da Confederação prejudicou o trabalho dos jornalistas, que tiveram dificuldades em entrevistar os primeiros colocados. Após a chegada e a premiação, eles conversaram com exclusividade com a emissora de TV oficial do evento e ficaram retidos na área de doping, local em que a imprensa não teve acesso.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda