Velocista jamaicana vence câncer de mama e se classifica para Moscou

Redação Webrun | Atletismo · 04 jul, 2013

Novlene fez parte do time jamaicano bronze em Londres-2012 (foto: Erik van Leeuwen/ Licença Creative Commons)
Novlene fez parte do time jamaicano bronze em Londres-2012 (foto: Erik van Leeuwen/ Licença Creative Commons)

Em 2012, no Estádio Olímpico de Londres, a velocista Novlene Williams-Mills correu suas duas provas na Olimpíada (os 400 metros rasos e o revezamento 4×400) para provar muito mais que as suas qualidades atléticas. A jamaicana corria ali naquela pista para provar para ela mesma que poderia vencer a corrida mais importante da sua vida, que distante de estádios lotados, seria assistida apenas pelas pessoas mais próximas.

O tiro de largada dessa segunda prova foi dado meses antes de ela sequer ter alcançado índice para os Jogos de Londres. No dia 25 de junho do ano passado, Williams-Mills foi diagnosticada com câncer de mama e mesmo assim a atleta não desistiu de participar da competição mais importante de sua carreira.

No mesmo final de semana em que recebeu a notícia da doença, a velocista correu um campeonato em seu país e cravou a marca de 50s60 nos 400m, tempo rápido o suficiente para garantir sua vaga na seleção jamaicana. Em agosto daquele mesmo ano, Williams-Mills se tornaria a quinta mais rápida na Olimpíada e medalhista de bronze no 4x400m.

Volta por cima– Segundo a atleta, o tratamento começou três dias após receber sua medalha olímpica com a remoção de uma das mamas. Meses mais tarde ela passaria por uma segunda mastectomia e uma última cirurgia de reconstituição no dia 18 de janeiro.

Williams-Mills tomou a decisão de retirar as duas mamas meses antes de a estrela de cinema, Angelina Jolie, vir a público e expor todo o seu caso. “Eles (médicos) me disseram que eu poderia enfrentar seis semanas de radioterapia ou uma hora e meia de cirurgia”, explicou a atleta para o jornal inglês Daily Mail. “A dupla mastectomia diminuiu minhas chances de desenvolver um câncer de 99% para talvez 3%”, afirmou.

Jamaicana Novlene Williams-Mills foi diagnosticada com câncer de mama meses antes de competir a Olimpíada de Londres - Foto: Erik van Leeuwen/ Licença Creative Commons
Jamaicana Novlene Williams-Mills foi diagnosticada com câncer de mama meses antes de competir a Olimpíada de Londres – Foto: Erik van Leeuwen/ Licença Creative Commons

Vaga em Moscou– Quando Williams-Mills recebeu seu diagnóstico, a vida da velocista se transformou. Sem querer acreditar que aquilo seria possível, afinal ela é “uma atleta, pratica atividade física e treina”, a jamaicana se sentiu traída. “É como se seu próprio corpo tivesse te traído. É como se eu tivesse sido apunhalada”, comentou.

Depois de quase dez meses longe de qualquer competição, a medalhista de bronze voltou às pistas em maio e conquistou o terceiro lugar, com tempo de 51s05. Desde então, a velocista garantiu vaga para o Mundial de Moscou, onde, mais uma vez correrá duas provas ao mesmo tempo.

Tyson Gay e Carmelita Jeter são os favoritos em Lausanne

A diferença, dessa vez, é que Williams-Mills quer que todos saibam qual é essa outra corrida. “Eu continuo sendo uma das melhores velocistas dos 400m e quero ver do que sou capaz. Moscou vai ser uma homenagem para todos os sobreviventes de câncer de mama. Eu quero que eles vejam que é possível”. Antes da competição na Rússia, a jamaicana estará na Suíça, para a Diamond League de Lausanne.

Este texto foi escrito por: Webrun

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